10/03/2015
Algumas dicas para conseguir o primeiro emprego.
A combinação é bombástica: você é jovem, tem um mundo inteiro pela frente, a força e o vigor físico da juventude, muitas idéias na cabeça e um currículo na mão. Falta apenas o primeiro emprego.
Já sabe que, por necessidade ou vontade, não dá mais para ficar na dependência dos pais, avós, tios, irmãos, primos ou quem estiver debaixo do mesmo teto que você. Ou, mesmo com 16, 18 anos, já entendeu que é preciso dar a sua parcela de contribuição para as contas do mês.
Já terminou ou está no ensino médio, tem o sonho da faculdade, ou a meta é terminar os estudos básicos e, em algum momento, flertar com a educação superior. Parou de estudar para buscar trabalho. Está na faculdade e precisa pagar as próprias contas.
Seja como for, em situação favorável ou adversa, surge desde logo o primeiro aspecto dessa difícil combinação: quando chega ao mercado de trabalho, exigem se experiência anterior. No bar, é preciso saber servir para ser garçom, cozinhar para ser ajudante de cozinheiro, dominar o dia a dia da bomba de gasolina para ser frentista, entender da rotina de um escritório para ser auxiliar de escritório. E assim por diante. (E saber usar computador. E saber falar inglês…).
Mas, se é evidente que há um choque lógico entre a falta de experiência do rapaz ou da garota que vai a busca do primeiro emprego e as exigências para o preenchimento dessas vagas, o jeito é se preparar de todos os modos possíveis para lidar com esse paradoxo.
Em primeiro lugar, há o medo e a insegurança. A dúvida entre tentar mostrar serviço, expressar a própria opinião (“ser autêntico”) ou esperar as instruções e observar os sinais ao redor.
Tudo isso é justificável e, em alguma medida, carregamos o peso dessas decisões pelo resto da vida profissional (e da pessoal também!). Todo dia ouvimos que o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo, vemos em casa que nem sempre as coisas vão bem sempre, que há um tio ou o pai sem trabalho, uma avó sem saúde, que os preços estão pela hora da morte. E que as exigências são sempre crescentes em um mundo globalizado, em que a mão de obra pode estar na China ou na Índia e o público consumidor, na Alemanha, no Chile ou em Jundiaí.
Há que se preparar. Em vez de volteios no currículo, a sinceridade e a vontade de aprender. Buscar cursos, muitos deles gratuitos, que dão a formação necessária para o preenchimento de linhas no “C. V.” com sustância. Ensina-se a ser garçom, cozinheiro, auxiliar de escritório… mas não se ensina a desejar ser. Em ano de Copa do Mundo, em que todos os especialistas alardeiam que é preciso estar aberto para todas as oportunidades do mundo globalizado, that’s the question!
Não é fácil explicar, principalmente aos mais jovens, que é em casa e na escola que se aprende sobre as coisas da vida, inclusive profissional. Os conhecimentos, os valores, as aptidões, os desejos, as vontades. E quando nada disso vem lá de casa ou da escola da melhor forma possível, o que fazer?
Continuar tentando. Bater em todas as portas. Buscar todas as ajudas. Aqui mesmo no VAGAS, por exemplo, você pode encontrar oportunidades de trabalho sem experiência. Isso mesmo. Numa busca no site do portal há mais de 4 mil vagas operacionais, grande parte delas não necessitando de experiência para começar. É força de vontade e bola para frente.
E não é só: com um celular com acesso à internet ou em uma lan house, ao digitar-se “primeiro emprego” no Google descobre-se, conforme o lugar em que se está, que o Governo do Estado de São Paulo dispõe do programa “Jovem Cidadão — Meu Primeiro Trabalho”. Que o Grupo Pão de Açúcar dispõe de um canal específico para o primeiro emprego. E assim por diante.
Digitando-se “cursos profissionalizantes gratuitos” chega-se igualmente a muitas possibilidades. Por exemplo, que existe o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), iniciativa importante do Ministério da Educação que faz parcerias para o oferecimento de cursos de formação gratuitos em nível nacional.
Que o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) aderiu ao Pronatec e dispõe de diversas oportunidades de formação, como auxiliar de pessoal, recepcionista, técnico em hospedagem, auxiliar financeiro, auxiliar de recursos humanos, organizador de eventos, cuidador de idoso, técnico em nutrição e dietética, balconista de farmácia…
Você vai coçar a cabeça e dizer: “Mesmo assim, não é fácil!”. Não é mesmo. Um excelente artigo acadêmico escrito por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Maringá (PCE-UEM), intitulado “Crescimento econômico e primeiro emprego no Brasil: uma leitura para o período 1990-2010”, explica de modo claro que “os trabalhadores do primeiro emprego estão em situação mais adversa que os demais”, porque “quando a economia cresce o emprego como um todo melhora, inclusive para aqueles que buscam uma primeira oportunidade. Já nas fases de recessão, dada as rigidezes de preços e salários trabalhadores mais antigos são poupados de uma demissão mais imediata”. A título de conclusão, o estudo defende a necessidade de que se intensifiquem as políticas públicas voltadas aos jovens que tentam ingressar no mercado de trabalho.
Você poderá dizer: “Isso também não é nada fácil!”. Ninguém falou que seria. Uma parcela grande desse desafio cabe a nós mesmos, que, atentos a todas as oportunidades e desejosos pelo controle de nosso futuro, precisaremos em algum momento respirar fundo e continuar “indo pra cima”.