29/03/2016
Infelizmente 50% do Brasil ainda não tem acesso a sistemas de saneamento básico!
O país ainda tem mais de 35 milhões de brasileiros sem acesso aos serviços de água tratada.
O Brasil ocupa o 10° lugar no ranking de Saneamento Básico da América Latina. Fonte: Instituto Trata Brasil
O saneamento básico ainda é um problema enorme no Brasil. Mesmo que estruturas de coleta, tratamento de esgoto e distribuição de água sejam itens essenciais para proporcionar o mínimo de qualidade de vida à população, esses temas ainda recebem pouca atenção e, principalmente, investimentos.
De acordo com o Instituto Trata Brasil, que monitora a situação do saneamento básico no país, os números são desanimadores. O “Ranking do Saneamento nas 100 maiores cidades brasileiras” mostrou que os avanços são lentos e as novas estruturas não condizem com a arrecadação. O país ainda tem mais de 35 milhões de brasileiros sem acesso aos serviços de água tratada, metade da população sem coleta de esgotos e apenas 40% dos esgotos do país são tratados.
Na edição mais recente do documento, a organização mostra que, em 2014, as 20 melhores cidades brasileiras investiram juntas R$ 827 milhões em saneamento, quando arrecadaram R$ 3,8 bilhões com os serviços. No últimos cinco anos, a média de investimento dessas cidades foi de R$ 188, 24 milhões, sendo R$ 71,46 por habitante/ano.
Se a situação nas cidades com melhor desempenho já não é tão exemplar, nos municípios que figuram na outra ponta do ranking tudo é muito pior. De acordo com o Trata Brasil, os 20 piores municípios investiram juntos R$ 482 milhões em 2014, enquanto arrecadaram R$ 1,9 bilhão. Na média dos últimos cinco anos, o investimento anual por habitante foi de apenas R$ 28,20.
A consequência desta falta de investimento em infraestrutura é sentida diretamente pela população, que não tem acesso a sistemas de coleta e tratamento de esgoto, sem contar a conexão com redes de distribuição de água tratada.
O município de Porto Velho, capital de Rondônia, por exemplo, tem um dos piores resultados nacionais. Apenas 31% de seus moradores têm acesso à água tratada, a coleta de esgoto só atine 2% da população e a relação entre tratamento de esgoto e água consumida tem percentual zero.
A falta de estrutura não prejudica apenas a população, mas afeta diretamente a economia das cidades brasileiras. O Índice de Perdas de Faturamento Total mostra que apenas sete cidades entre todas as analisadas têm perda menor do que 15% da água faturada. A média nacional de perdas chegou a 41,9%. A capital do Amazonas, Manaus, tem o pior índice, perdendo 75% de seu faturamento.
“O fato da maioria das grandes cidades brasileiras não conseguirem cobrar por mais de 30% da água potável produzida é um desastre. É uma gigantesca perda de água, mas principalmente de recursos financeiros que seriam essenciais para a redução das próprias perdas de água, mas principalmente para que mais pessoas fossem atendidas com novas redes de água e esgotos”, explicou Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.
Situação na América Latina
Apesar de o Brasil ser um dos destaques na economia latino-americana, em termos de saneamento básico o país está perdendo feio para nações com menor representatividade.
No ranking dos países, a Venezuela tem o melhor desempenho, com 94% de sua população sendo atendida por sistemas de coleta e tratamento de esgoto. Na sequência vem o Chile e o México, enquanto o Brasil ocupa apenas a 10ª posição.
O país ainda tem mais de 35 milhões de brasileiros sem acesso aos serviços de água tratada.