12/10/2026
Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro. O número representa 21,08% do eleitorado apto e o maior índice de abstenção desde 1998.
Apesar do recorde, o cientista político e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), Jairo Nicolau, alerta que não é possível considerar todos os eleitores ausentes como pessoas desinteressadas pela política.
Segundo o pesquisador, a abstenção reúne diferentes perfis e motivos. Entre eles estão viagens, problemas de saúde, trabalho, dificuldades de deslocamento, questões de acessibilidade e situações relacionadas ao cadastro eleitoral. Pesquisa Datafolha apontou viagem (19%), problemas de saúde (18%), desinteresse (13%) e trabalho (9%) entre os principais motivos citados pelos eleitores.
Nicolau também chama atenção para a diferença entre as regiões. O Nordeste apresentou a menor taxa de abstenção no primeiro turno, com 18,4%, enquanto o Sudeste registrou 22,7%. No Nordeste, o índice caiu em relação a 2022, quando havia sido de 19,5%.
Para o pesquisador, ainda faltam pesquisas específ**as capazes de identif**ar com precisão as razões de todos os eleitores que deixam de votar. Por isso, o fenômeno não deve ser interpretado como uma rejeição uniforme à política ou aos candidatos.
“É um voto obrigatório no papel, mas está se tornando um voto facultativo na prática”, avaliou Nicolau, ao analisar os efeitos da atual regra de obrigatoriedade do voto no Brasil.
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