Era exaltada em festas, presente de batizado e casamento e, ainda, pagava o dote das moças. A cerveja era tão importante que o Rei Trigo resolveu fazer um concurso para encontrar a Cerveja Perfeita. Então o Rei deu uma grande festa, onde todos levaram suas receitas e a melhor seria coroada por ele e, quem a fizesse, ganharia a mão da Princesa cevada em casamento. Ela era a mais bela moça do reino:
com cabelos loiros como o trigo e olhos verdes feito o lúpulo. Todos queriam casar com ela. A ansiedade predominava no dia do baile, só se falava nisso na cidade. O Lord Malte tinha certeza de que ganharia, pois vinha de uma tradicional linhagem de Mestres Cervejeiros. Mas o Duque Ale era o mestre da levedura. A disputa estava acirrada, ninguém surpreendia o Rei. Até o Barão Bock tentou participar com sua deliciosa cerveja doce e forte, levemente caramelada. O Rei já estava desacreditado e desanimado. Ninguém do reino conseguiu fazer uma cerveja perfeita. Todas deliciosas, mas nenhuma atingia a perfeição. E agora, como ele iria casar a bela Princesa Cevada? Ele prometeu encontrar um noivo para ela neste baile. Mas nenhuma era boa o suficiente. Nem as graças do Bobo da Corte eram capazes de fazê-lo feliz naquele momento. Foi então que o Rei o mandou pegar a última cerveja do estoque, para que ele pudesse pensar melhor. Quando o Bobo da Corte estava voltando com a cerveja especial do Rei, tropeçou e a garrafa virou. Desesperado, ele procurou outra garrafa, mas aquela era a última. Acreditando que o Rei não iria reparar, ele colocou a própria cerveja, uma simples Pilsen, na garrafa. Após o primeiro gole, o rei estranhou. Aquela não era a cerveja dele. Mas era melhor. Muito melhor... Era... era PERFEITA! Ele logo perguntou ao Bobo da Corte de onde veio aquela cerveja. O Bobo acabou respondendo, cheio de receio, que era dele. Ele tinha feito. Era receita de família, respondeu certo de que o Rei mandaria lhe cortar a cabeça. Então o Rei se levantou e disse: “Meus súditos, é com muito prazer que apresento meu novo genro”. Ele puxou o Bobo da Corte e continuou: “Ele me apresentou a cerveja perfeita. Leve, suave e refrescante. ”
Foi assim que o Rei coroou a cerveja como “A Melhor do Reino” e a Princesa Cevada encontrou um noivo, quem diria, o Bobo da Corte. Esta receita passou de geração em geração e hoje está na Cervejaria da Corte. Cervejaria da Corte: aqui, a cerveja é coroada pelo rei.