09/08/2022
Uma saída além do aeroporto
O Brasil, infelizmente, é um país onde até o passado é incerto. A incerteza provém da instabilidade das normas jurídicas que, ou mudam frequentemente ou tem sua interpretação alterada via jurisprudência, o que torna, além de complexo, altamente custoso o planejamento de longo prazo. O nível de incerteza se eleva se incorporarmos o risco político – seja pela esquerda ou pela direita, o que nos falta é liberalismo – e o risco econômico, traduzido por uma economia limitada e, que mesmo no setor mais pujante, o agronegócio, depende de muitos insumos importados e tem seus preços dados pelo mercado internacional. Ou seja, nos falta produzir tecnologias de alto valor agregado, como satélites ou nanotecnologias.
Qual a saída, então? Como respondeu o brilhante economista Roberto Campos, elas são três: “o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo.” O liberalismo no Brasil é algo praticamente impensável de dar certo: nosso DNA é socialista-patrimonialista-populista. Seja à direita ou à esquerda. Quanto à saída via aeroporto, a grande maioria não pode deixar sua vida profissional e ir morar em outro país. Porém, nosso dinheiro pode (e precisa!) estar em outro país mais seguro: é disso que trata a internacionalização dos investimentos.
Internacionalizar um percentual dos recursos é uma importante estratégia para proteger o patrimônio do risco Brasil. Até mesmo para os que não pensam nunca em deixar o país, ter uma posição em dólares em países com leis robustas e respeitáveis é a garantia de uma vida tranquila no futuro. Além da segurança jurídica, manter os recursos em uma moeda forte, menos suscetível à desvalorização e aceita no mundo inteiro é outra garantia do poder de compra ao longo do tempo. Basta fazer o seguinte raciocínio para entender: em 1994, ano da implementação do Real, a paridade entre a moeda brasileira e o dólar asseguravam equivalência entre 1 milhão de Reais e 1 milhão de dólares. Hoje, quem está melhor? O proprietário do milhão de reais ou do milhão de dólares?
Complementando a respeitabilidade jurídica e a solidez da moeda, a internacionalização permite acesso aos mercados de todo o mundo com papéis de grandes companhias, sejam as tradicionais ou as de alta tecnologia. E dentro do planejamento patrimonial, a internacionalização permite lançar mão de estratégias de gestão e sucessão patrimonial bem menos onerosas que no Brasil. Como pode ser observado, a internacionalização deixa o aeroporto apenas para as viagens de férias!