11/07/2019
Novo curso no Espaço Ideias e Saberes. Participem! Divulguem!
Em diálogo com os saberes do seu tempo, Lacan forjou sua teoria da discursividade e nos ofereceu um valioso recurso de interpretação do campo político. Com a produção dos quatro/cinco discursos – o Discurso do Mestre, do Universitário, do Psicanalista, da Histérica e do Capitalista – Lacan se serve inteligentemente dos levantes de maio de 68 e traz uma fundamental contribuição da psicanálise à análise dos fenômenos sociais e políticos. Esta contribuição já está presente, em germe, em O Seminário, livro 16: de um Outro a outro, onde Lacan diz que a entrada em jogo do discurso da psicanálise não é sem consequências (Lacan, [1968-1969] 2008, p.11). Ao produzir os discursos Lacan ratifica a fórmula que postulou a partir de 1953 e que nunca abandonou – “O inconsciente é estruturado como uma linguagem” – ampliando-a, no que poderíamos formular como o liame social também é estruturado como uma linguagem. Logo, discurso é o que faz laço social entre os seres falantes, mas também a maneira como o ser falante acha-se “atado” ao significante, a maneira como “dirige” a sua relação com o objeto e o modo como é afetado por esta relação. Um dos pontos chaves da teoria da discursividade lacaniana é o desvelamento do que, da verdade de cada discurso revela o gozo buscado e, ao mesmo tempo, o impossível de obtê-lo. Sabemos que a modernidade alçou a felicidade a um fator de política, ao que Lacan, com sua inteligência irônica, pontuou que em se tratando de felicidade, outra não há senão a do falo (Lacan, [1969-1970] 1992). Ironia certeira esta de Lacan, posto que nos convida a parafraseá-lo com um chiste, ante a lembrança de que os programas políticos pautam-se em promessas de falicidade... Em O Seminário, livro 17: O avesso da psicanálise Lacan inaugura uma virada teórica fundamental em seu ensino, ao propor o conceito de gozo com base em um paradigma discursivo, nos levando a compreender que “a realidade é abordada com os aparelhos do gozo (...)” (Lacan, [1972] 2008, p. 61). E a qual realidade se refere Lacan? À realidade psíquica, decerto, mas também à realidade social e política, uma vez que o gozo que se obtém pela via do discurso situa o sujeito em relação ao saber e à verdade. Neste Curso de Extensão iremos percorrer os principais conceitos delineados por Lacan durante o seu ensino, bem como sua teoria da discursividade para pensarmos as incidências e os efeitos da política contemporânea, uma política cada vez mais gestada por fake news, onde a verdade sucumbe à pós-verdade, e os regimes totalitários, vestidos com o manto do neoliberalismo, retornam trazendo de forma virulenta a segregação do diferente. E, claro, Freud também estará conosco nessa caminhada.