Tainá Fonseca Psicoterapia Cognitivo-Comportamental

Tainá Fonseca Psicoterapia Cognitivo-Comportamental Psicoterapia Cognitivo-Comportamental de adolescentes, adultos e casais. Mestra em Psicologia UFRGS
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental

Psicóloga - CRP 07/25922
Mestra em Psicologia UFRGS (Núcleo de Estudos em Avaliação Psicológica e Psicopatologia)
Especialista em Terapias Cognitivo-Comportamentais (InTCC)

Havia algo mais silencioso a início, algo mais baixo. Que eu tentava não escutar. A voz mais alta dizia: olhe ao seu red...
21/01/2026

Havia algo mais silencioso a início, algo mais baixo. Que eu tentava não escutar. A voz mais alta dizia: olhe ao seu redor. Isso é o melhor que tu já teve. E parece ser o melhor que se pode conseguir.
Outra dizia: talvez isso seja uma forma de descentralizar relação amorosa na tua vida. Mais uma chance de fazer isso.
Na sequência, fui cooptada pela ideia de família. A ideia de dividir a vida com alguém. Voltei a acessar o romantismo vindo para essa casa. E também a expectativa que paira sobre as mulheres. Quando postei as fotos na mudança pensei: viram? Consegui. Formei uma família.
O incômodo do que faltava foi crescendo dentro de mim. Eram as mesmas coisas presentes no outro ensaio do fim. Pude contar mais e ver mais compromisso nas partes práticas. Dividir contas, afazeres. A parte profunda perdida.
Fui desistindo. Será que consigo f**ar aqui olhando para o que tem? Carinho, atos de serviço, cia? A própria cia era cada vez mais insípida. Eu mesma não queria mais acampar, fazer fogo, ter os momentos juntos que por tanto tempo reinvidiquei por que não iam ser nutritivos.
Falo muito sobre como "agora não estou ligando", "agora eu que não tô mais afim". O fato de falar muito revela que me importo sim e que esse estado é temporário.
Tento descobrir se consigo viver em um regime de fome. Não quero mais "beliscar salgadinhos". Preciso descobrir se consigo viver sem me alimentar dessa parte. Vou secando, definhando.
O corpo e a alma vão entrando em desespero. A alma selvagem precisa comer. Começa a me desnortear para me sacudir. Ela grita "não posso viver assim!". Isso vai aumentando conforme sigo na empreitada de tentar viver com fome. Ela começa a me ameaçar: "vou ter que te destruir!", "vou ter que te colocar uma raiva que não passa", "vou ter que te enviar pro fundo do poço pra tu nos tirar dessa escassez".
Se anestesiar com álcool ou outros substitutos não é mais uma opção. Estamos em outro momento. Sofro muito. Sofro sozinha. Tento dividir, mas minha voz não encontra eco do outro lado. Estou gritando para o nada. O que eu digo não toca.
(Continua nos comentários)

01/01/2026

Mais verdade e coragem pra gente em 2026!✨

Quando perguntamos aos pacientes o que mais faz diferença na terapia, a resposta quase nunca é sobre a intervenção que f...
27/10/2025

Quando perguntamos aos pacientes o que mais faz diferença na terapia, a resposta quase nunca é sobre a intervenção que fizemos, e sim sobre o simples fato de terem conseguido falar, se escutar, colocar pra fora.

Mesmo com toda técnica que estudamos, é curioso perceber que o que mais marca não é o que dizemos, mas como escutamos.

Aquela sensação de “super insight” às vezes nem vem de algo que o terapeuta sugeriu, mas do que o paciente conseguiu elaborar a partir do espaço que encontrou pra se ouvir.

E isso vale pra fora do consultório também.

Da próxima vez que alguém te procurar pra desabafar, tenta trocar a pergunta interna “o que eu posso dizer pra ajudar?” por “como eu posso escutar e me interessar profundamente pelo que ela está me trazendo?”

14/10/2025

Desabafo longo, e por que não? Polêmico.. tomara que sirva pra alguém!
Da forma como eu vejo: se tu está saindo exausta, esgotada, tem vontade de vomitar durante o treino, f**a tonta.. ele não está respeitando o teu corpo.
Especialmente para pessoas que experimentaram trauma (como eu), isso é recolocar o corpo no modo de sobrevivência e estresse constante. De formas adequadas a exposição ao estresse do treino pode até te ajudar a aumentar a tolerância a emoções difíceis, mas desse jeito só aumenta a estafa.
Se tu também precisa se esforçar para amar teu corpo em um mundo que faz de tudo para tu odiar ele, dá um salve aqui e divide como tu te sente pra gente se apoiar!

08/10/2025

Me conta nos comentários, o que mais tu quer saber sobre terapia e não-monogamia?

Nas últimas semanas meu monstrinho cobrador está especialmente ativo.Sinto ele fungando no meu cangote, me dizendo que e...
10/09/2025

Nas últimas semanas meu monstrinho cobrador está especialmente ativo.
Sinto ele fungando no meu cangote, me dizendo que eu preciso fazer mais — mesmo quando olho pras horas investidas nas minhas tarefas e vejo que fui produtiva.
Se eu caio na onda dele, não faço mais. Eu travo.

Na terapia tive a ideia de fazer uma imagem dele para me lembrar dessa dinâmica que está acontecendo. Resolvi colocar um laço de fita na cabeça dele. O laço é como dizer:
“eu te vejo, sei que tu me assombra, mas também sei que tu não é absoluto. Tu pode até ser meio ridículo.”

Colocar essa imagem em um lugar visível (como fundo da tela do celular) me ajuda a cultivar familiaridade: em vez de lutar contra ele ou obedecer cegamente, vou me acostumando com sua presença, reconhecendo que ele tá ali, mas não precisa guiar meus comportamentos.
Abrir espaço pra ele é importante, porque quanto mais eu me importo com algo, mais ele aparece. Quanto mais olho para as coisas que preciso fazer para tentar me organizar e planejar, mais alto ele fala.

É desconfortável, sim. Mas quem sabe, nesse processo de abertura e aceitação, eu até convide ele pra sentar e tomar um chá.
Quem consegue viver a vida que escolheu não eliminou seus monstros, apenas fez “amizade” com eles. Eles não desaparecem, apenas não te controlam mais.

Assim como a natureza, nós também temos nossos ciclos. No entanto, respeitar essa verdade é um desafio cada vez maior em...
01/09/2025

Assim como a natureza, nós também temos nossos ciclos. No entanto, respeitar essa verdade é um desafio cada vez maior em uma sociedade que pede por linearidade robótica.

A dificuldade para aceitar as nossas flutuações naturais como seres humanos têm sido uma das principais demandas que tenho trabalhado com os pacientes. Ao longo dos anos da prática clínica, ela foi f**ando cada vez mais presente.

Como tu tem te relacionado com os teus ciclos?

A combinação de TEA + TDAH (Transtorno do Espectro Autista + Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) forma um...
20/06/2025

A combinação de TEA + TDAH (Transtorno do Espectro Autista + Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) forma um perfil que muitas vezes parece paradoxal — como se uma parte do cérebro quisesse acelerar e a outra quisesse frear.

Sextou! Qual a contradição de hoje por aí?

#ᴀᴜᴛᴏᴄᴏɴʜᴇᴄɪᴍᴇɴᴛᴏ

💚
07/06/2025

💚

Integrar não é ceder ao impulso.É reconhecer que ele existe, que tem um motivo pra estar ali. Mesmo que tu não siga.Nem ...
06/06/2025

Integrar não é ceder ao impulso.
É reconhecer que ele existe, que tem um motivo pra estar ali. Mesmo que tu não siga.
Nem tudo o que sentimos precisa virar ação.
Mas tudo o que sentimos precisa, ao menos, ser olhado.
Negar ou reprimir um desejo não o elimina.
Só o olhar honesto tem poder de transformar alguma coisa.
Tem fantasias que nos assustam, porque tocam em partes nossas que a gente aprendeu a julgar: o selvagem, o ambíguo, o que escapa da moral.
Mas e se, em vez de fugir, a gente dissesse:
"Opa, olha isso. Que interessante."
Esse é o primeiro passo da integração.

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