08/02/2022
Parte III
Aqui, segundo ele, "a política fiscal e econômica norte-americana [que injetou trilhões de dólares na economia] fez o mercado reaquecer e buscar matérias que a gente exporta", disse. O movimento, cabe apontar, já vem sendo reduzido pelo Federal Reserve.
Completando a base de sustentação da recuperação observada no comércio bilateral Brasil-EUA em 2021, o analista pondera que "teve volume, mas teve também preço", ao falar sobre a dobradinha desvalorização cambial e commodities.
Segundo Gimenez, a baixa oferta causada por dificuldades de mão de obra no mundo, com demanda caminhando acima da oferta, puxou o preço das commodities, significativas para o comércio exterior brasileiro; em paralelo, o real desvalorizado ante o dólar incentivou exportações. "Um mercado interno com lenta retomada de crescimento e um mercado externo já mais agitado faz o empresário focar lá fora", afirma.
O que esperar de 2022 para o comércio entre Brasil e Estados Unidos
O cenário consolidado de 2021 mantém os Estados Unidos como segundo principal parceiro comercial do Brasil, com participação de 14,1% do total das nossas trocas externas. Perde para a China, que concentra 27,1% do comércio bilateral brasileiro.
Após a recuperação importante de 2020 para 2021, a expectativa da Amcham é de que a economia e o comércio internacional repitam desempenhos positivos neste ano, ainda que em ritmo menor. Para Abrão Neto, "o comércio bilateral manterá uma trajetória crescente, com aumento moderado das trocas”.
A análise se baseia nos indicadores já apontados por organismos como Banco Mundial, OCDE e FMI, que esperam crescimento mundial entre 4,1% e 4,9% em 2022; expansão de até 5,2% do PIB dos EUA e de 1,5% do Brasil.
De olho no que puxou os números em 2021, a Amcham frisa que os elementos mais relevantes a serem monitorados no espectro bilateral são os impactos econômicos decorrentes da pandemia, a manutenção da demanda brasileira por gás e vacinas, os preços internacionais dos principais produtos comercializados, além do patamar cambial e os reflexos comerciais de politicas públicas, como o plano de infraestrutura nos Estados Unidos.
Cabe ainda acompanhar importantes geradores de incerteza, entre os quais o risco de falhas nas cadeias de fornecimento e eventuais novas ondas do coronavírus.