Minha formação profissional começou na Faculdade de Arquitetura da UFPE (1986). Não concluí o curso mas fiquei contaminado pra sempre com uns tais de e -&-função (1990). Fotografia foi uma grande descoberta e me levou a São Paulo (1992). Ingressei em fotografia na Academy of Art University em San Francisco (1994) mas só até a primeira a aula com o Macintosh. Mudei pra design gráfic
o por culpa de Steve Jobs. Era o boom da internet e fui dos primeiros a graduar com mais experiência em telas do que em papel (1998). A demanda por especialistas era enorme e, ainda estudante, trabalhei na Electronic Arts. Com aquele job no portfólio, passei o ano seguinte como freelancer (1999). Era a hora e o lugar certo mas o visto expirou. Fui pra Londres trabalhar na Interactive Bureau, do tipógrafo Roger Black (1999). Dois anos de estabilidade e aprendizado até estourar a bolha ponto-com. Crise geral na indústria criativa e, como todo mundo que conhecia, virei freelancer outra vez (2001). Através da Ogilvy, RufusLeonard e BamberForsyth, trabalhei pra IBM, Prudential e BBC. Até que um trabalho pra Middlesex University me empurrou para o planejamento estratégico em comunicação (2003). Era um projeto de branding: minha tarefa era desenvolver uma nova estratégia online. Despertei para um design focado no conteúdo, que não distinguia entre tela e papel. Quis voltar e montar um escritório no Brasil. Me instalei em Recife (2004) e, já no ano seguinte, dois projetos pareciam confirmar o acerto na direção: Castro e Lidera (2005-07), ambos premiados em salão nacional. Era possível fazer design estratégico, mas exigia persuasão. O mercado via o design como atividade de produção, e não como ferramenta estratégica. Clientes receptivos como a Bureau de Projetos (2007-09) e o Via Pública (2008-11) faziam valer a pena. Mas quis diversificar; com dois sócios resolvi fundar o studioCoisa (2007-10), dedicado ao design de produto e à cenografia urbana. Aí sim, era 80% produção. Então surgiu a Escola Waldorf (2012-13), uma consultoria em planejamento estratégico profunda e produtiva. Nunca tinha conhecido um cliente tão bem. Durante este serviço, inventei um sabático. Li bastante e voltei a estudar: marketing, branding, design thinking... Deixei o design gráfico e encontrei meu foco de trabalho atual: o vácuo estratégico – comum e inexplicável – entre a gestão de uma empresa e a sua comunicação.