13/01/2025
Uma das ações mais emblemáticas que ajudou a consolidar o neuromarketing foi o teste cego da Pepsi, em que consumidores provavam refrigerantes de cola sem saber a marca e escolhiam o sabor preferido. Curiosamente, a Pepsi foi escolhida pela maioria, superando a Coca-Cola, líder de mercado.
Essa campanha levou a estudos mais profundos, como o realizado por Read Montague (2004), que utilizou ressonância magnética funcional (fMRI). O estudo revelou que, ao consumir Coca-Cola com a marca visível, áreas cerebrais associadas às emoções, como o córtex pré-frontal medial, eram ativadas. Já a Pepsi, sem o estímulo da marca, ativava áreas ligadas à avaliação racional, como o córtex pré-frontal dorsolateral. Isso evidencia como o branding da Coca-Cola construiu uma forte conexão emocional com os consumidores.
Citei essa introdução porque, ao assistir ao documentário sobre o caso "Leonard vs. PepsiCo", identifiquei um exemplo menor do impacto do neuromarketing. O documentário narra a controvérsia de uma campanha da Pepsi que prometia um jato Harrier em troca de pontos acumulados. Embora fosse evidente que a recompensa era irreal, a ideia de conquistar o impossível pode ter incentivado o consumo, explorando desejos inconscientes de status ou realização.
Trazendo essa discussão para os dias atuais, vejo "promessas impossíveis" em campanhas de marcas e influenciadores, usadas para capturar atenção. Isso levanta a questão: até onde o poder das promessas é ético?
Embora o engajamento seja essencial, é crucial considerar os impactos sociais das ações publicitárias. Promessas reais, alinhadas a benefícios para o consumidor, fortalecem a relação com a marca. Já promessas falsas ou inalcançáveis, mesmo com o pretexto de humor, podem minar a confiança e prejudicar a marca a longo prazo.
Gostaria de saber a opinião de vocês: como enxergam ações desse tipo? Quais os limites entre criatividade e responsabilidade no marketing?