20/11/2020
Aproximando-nos de 20 de novembro (Dia Nacional da Consciência Negra) e neste período destaca-se, nos mais diferentes espaços, algo que deveria ser regra, principalmente neste país, a presença negra.
Temos mais uma vez a oportunidade de refletir sobre a tão aguardada igualdade racial e, nesse contexto, sobre as medidas antirracistas concretas, imprescindíveis para fazer diminuir o vergonhoso abismo racial ainda persistente na nossa sociedade.
Nessa perspectiva, destacamos entre as ações afirmativas as cotas - instauradas nessa última edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), a partir de um acordo e entre o grupo militante Pretos Na Moda () e o indealizador do evento, Paulo Borges () e seus afiliados - que, além de reparar parcialmente a impagável dívida histórica da sociedade brasileira para com a população negra, servem como impulso à representatividade dos diversos profissionais negros em um dos espaços de prestigiados da moda brasileira.
Além disso, geram inclusão e ampliam a diversidade em instâncias ainda não proporcionalmente ocupadas por todos os grupos raciais.
De acordo com o IBGE, as mulheres negra representam 25,3 % da população brasileira, mas olhe em volta, olhe as propagandas, olhe os desfiles de moda e as capas das revistas, onde estão essas mulheres no restante dos meses do ano?
Se há representatividade nessas ocasiões - ainda que poucas e bastante aquém do ideal - é porque houve cobrança, houve luta de mulheres que passaram a vida inteira acreditando serem inferiores, menos bonitas e com menos possibilidades de consumirem coisas feitas por e para elas.
A beleza negra não deve ser lembrada apenas quando convém, mas sim cotidianamente.
A luta tem que ser diária!!!
Incentive, consuma e divulgue trabalhos que prezam pela diversidade. Questione, observe ao seu redor e busque alternativas para combater os padrões.
“A moda no Brasil é fundamentalmente negra” - Ana Paula Xongani
Texto por Tiago Monteiro ()