17/02/2022
A chuva extrema que atingiu a serra do Rio, especialmente Petrópolis, na terça-feira, 15, foi motivada pela formação de áreas de instabilidade a partir da passagem de uma frente fria pelo Estado e as características do relevo da região, segundo meteorologistas ouvidas pelo Estadão.
O elevado volume de chuva, concentrada em quatro horas e acima do esperado para todo o mês, causou dezenas de deslizamentos e ao menos 39 mortes até as 11 horas de quarta-feira, 16. Também influenciam neste cenário de impactos outros fatores, como o histórico recente de chuvas, as mudanças climáticas, a urbanização desordenada e a ocupação do solo, por exemplo.
Ao chegar na região de Petrópolis, a frente fria resultou na chamada “chuva orográfica” ou “chuva de relevo”, na qual as características de serra forçam uma elevação da massa de ar, a diminuição da temperatura e a consequente formação de nuvens e precipitação.
“O relevo obriga as a umidade subir na atmosfera e formar nuvens que devolvem a umidade na forma de chuva”, explica Estael Sias, meteorologista da MetSul.
Antes de se aproximar da serra, a passagem da frente fria já havia entrado em contato com o ar quente e úmido, o que resultou na formação de nuvens carregadas, de acordo com a MetSul.
Além disso, o fluxo de ar frio vindo do oceano pela tarde também influenciou na formação de áreas de instabilidade mais localizadas.
Ela destacou que o verão chuvoso deste ano na serra fluminense também influenciou nos deslizamentos. “O solo já estava encharcado ou tinha na ‘memória’ os outros eventos de chuva na região. Aí vem esse excessivo volume de precipitação, que por si só já causaria grandes transtornos”, afirma.
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