Renato Neves

Renato Neves Gestão de Restaurantes.

Não é uma data especial, comemorativa ou coisa do tipo. É só um pai assustado com a covardia do tempo em plena manhã de ...
26/03/2026

Não é uma data especial, comemorativa ou coisa do tipo. É só um pai assustado com a covardia do tempo em plena manhã de quinta-feira.

Ele não veio de surpresa. Foi planejado, desejado. E, desde as listrinhas roxas no teste de farmácia, eu sabia que seria um menino. Não houve hesitação sobre o nome, pois “parecido com Deus” era convincente demais. E então Miguel nasceu. Nasceu também o homem que eu precisava ser: protetor, provedor, sonhador.

Ele abriu um olhinho no caminho entre a sala de parto e o berçário, e eu tive a certeza de que só queria saber se eu estava ali. Eu falava sem parar para que ele reconhecesse minha voz. Afinal, foram nove meses de conversas intensas sobre ser flamenguista, açúcar nos dentes, respeitar as meninas, carros antigos e ter um sítio em Petrópolis. Ele sabia que era eu. Ele sabia quem eu era.

Eu não tive pai. Ou melhor, tive. Silvio está vivo por aí, mas decidiu cedo que eu não era importante e foi embora. Então, como exercer algo para o qual não tive exemplo?

Deu medo.

Eu tinha 22 anos quando ele chegou. Tomou minha esposa, torrou meu dinheiro e me deu dívidas homéricas (até me disseram uma vez que o parcelamento mínimo de um filho é de 18 anos).

Mas havia uma certeza: eu precisava amá-lo como pai. E como caralhos se faz isso?

Não tinha manual.

Virei autodidata em paternidade e descobri que, sem exemplo, não há limites. E isso pode ser bom. No meu caso, foi.

Aprendi a cantar, ninar, dar bronca e negociar mensalidades. Fazer carinhas na comida virou especialidade. Ensinei a jogar bola e criamos um time imaginário com Brechulin e Elionaldo na dupla de ataque, ovacionados por 4 bilhões de torcedores que cabiam em uma kombi azul.

Ainda não sei quem foi mais covarde, meu pai ou o tempo. Mas sei que ambos passaram. E eu aprendi com os dois.

É, Silvio… o filho do teu filho está chegando lá. Já, já termina o ensino médio e vai pra faculdade. E, mesmo sem você, eu sinto que fiz um bom trabalho.

Amei meu menino do jeito certo. Do único jeito que existe. E ele ocupou todo o vazio que ficou por anos.

Miguel me curou. Agora posso virar a página.

Filho, eu te amo mais do que tudo na vida.
Silvio, eu te perdoo.

Boa quinta-feira.

Hoje terei a honra de participar Forum Sommelier Brasil 2026 e integrar o painel “Eu Venci – Sommelieres Destaques da Pr...
02/03/2026

Hoje terei a honra de participar Forum Sommelier Brasil 2026 e integrar o painel “Eu Venci – Sommelieres Destaques da Profissão”, ao lado de dois grandes nomes do vinho e da gastronomia no Rio de Janeiro: Dionísio Chaves e Wallace Neves.

Será um encontro voltado à realidade do mercado: carreira, posicionamento profissional, gestão, protagonismo do sommelier nas operações gastronômicas e os desafios contemporâneos do setor.

O evento é promovido pelo , e pela , instituições que vêm fortalecendo o ecossistema do vinho e da gastronomia no estado.

Convido sommeliers, restaurateurs, gestores, compradores, estudantes e profissionais do trade a participarem. Será uma conversa franca, técnica e estratégica sobre o presente e o futuro da nossa profissão.

Nos vemos no painel.

04/02/2026

Não importa se o seu restaurante é sofisticado ou se os seus processos foram bem calculados e definidos, pois na cozinha (principalmente no fim da noite), a lei da gambiarra vai prevalecer.

A cozinha está lavada 😍

De todos os posts que escrevi na vida, este nasce atravessado, dolorido. O homem sentado na calçada é o Marcos. Auxiliar...
19/01/2026

De todos os posts que escrevi na vida, este nasce atravessado, dolorido.

O homem sentado na calçada é o Marcos. Auxiliar de serviços gerais da
Morador da favela do Vidigal, cinquenta e tantos anos, trabalhador.
Essa categoria curiosa de gente que sustenta tudo, mas raramente é vista.
Gente que limpa, organiza, carrega, resolve.

Dias antes das fotos, Marcos tinha descoberto minhas peripécias pelo mundo dos restaurantes. Soube que eu também já tinha sido faxineiro, cumim, vendedor ambulante.

Marcos comprou o meu livro.
Um livro. Um faxineiro leitor.
O tipo de combinação que ainda causa desconforto.
Depois disso, ele passou a dizer por aí que queria aprender a desafiar o mundo e mudar de vida.
Um desaforado.
Um favelado que sabe que sonhar é afrontar.

A rádio corredor entrou em ação. Só se falava do faxineiro leitor. Uma fofoca do bem, dessas que circulam baixinho, como se esperança ainda precisasse pedir licença.

Naquele dia, peguei o meliante em flagrante. Sentado na calçada, em plena Rua Jardim Botânico.
Sozinho, tramando a revanche.
Ele queria brigar com o mundo, mas agora estava se armando.

Marcos teve problemas e precisou sair da empresa, mas mantivemos contato. Eu já estava pronto para puxá-lo de volta para o time, colocá-lo na equipe do novo restaurante.
Já tínhamos data marcada.
Já tínhamos combinado tudo... mas não deu tempo.

Marcos estava cansado, e por isso Deus resolveu levá-lo.
Uma pneumonia, uma parada cardíaca e o guerreiro partiu.

Eu, fã incondicional meu amigo sonhador, certamente não conseguirei passar por aquela calçada da mesma forma, pois era ali que ele viajava na história do menino da favela que mergulhou no mundo do vinho. Era ali que ele ousava pensar em uma vida melhor.

Vai na fé, meu amigo.
Seguiremos daqui tramando as revanches.

Não sou um cara apressado.Mas confesso: gosto do ritmo frenético do nosso tempo.Sou grato pela pressão, pelos fardos e p...
01/01/2026

Não sou um cara apressado.
Mas confesso: gosto do ritmo frenético do nosso tempo.
Sou grato pela pressão, pelos fardos e pelo peso.
Gosto da luta.
Gosto do atrito.
Me sinto confortável no caos.
Não entro em pânico.
Não tremo.
Se bobear, tiro um cochilo no meio do tiroteio.

Quem está perto estranha.
Uns chamam de evolução.
Outros de estratégia.
Tem quem jure que é só um mecanismo de defesa bem treinado que me "apaga" para eu não surtar.
Pouco importa.
Gosto da guerra.

Se me estresso? Muito.
Mas um cigarro e uma cerveja costumam colocar as coisas no lugar.

Passei a vida inteira batalhando por dias tranquilos, até perceber, já quase na metade do caminho, que a batalha é a minha felicidade.
Não quero casa na praia para fugir do mundo.
Não quero sítio silencioso para me regenerar.
Quero propósito.
Quero causa.
Quero algo justo pelo que valha a pena sair no braço.
Faço mil coisas ao mesmo tempo e tenho uns 10 grandes sonhos no coração.
Esse é o meu mundo... sempre foi.
É assim que sei viver.

Respeito sua busca por paz. De verdade.
Mas o meu desejo para 2026 é simples e nada pacífico: saúde para os meus, tempo de qualidade com minha família, prosperidade… e muitas lutas.
Porque sem guerra não há vitória.
E sem vitória, eu me sinto oco.

Romantizei? Claro.
É o meu jeito.

Feliz Ano Novo.

#2026

Tão valioso quanto ser o melhor amigo do seu filho é ser amigo dos amigos do seu filho.Ontem, eles me visitaram no traba...
01/11/2025

Tão valioso quanto ser o melhor amigo do seu filho é ser amigo dos amigos do seu filho.
Ontem, eles me visitaram no trabalho, ficaram até tarde e decidiram ir para casa comigo, a pé, como sempre faço.
Era quase duas da manhã.
No caminho, conheceram meus irmãos de espírito, que vivem nas calçadas da Rua Jardim Botânico. Distribuíram comida, trocaram palavras, ouviram histórias e até deram conselhos.

Eu apenas observava, orgulhoso.

Na hora da despedida, quando seguimos em direção ao Bar Joia, onde encerro todas as madrugadas, um deles perguntou se voltaríamos no dia seguinte. Antes que eu tragasse o último sopro do cigarro e me virasse para responder, ouvi Miguel dizer que sim, que voltaríamos amanhã.
Vocês não imaginam a felicidade que essa resposta me causou.

Já no balcão do bar, entre os trabalhadores da noite, as risadas dominavam tudo. Eu não era um pai acompanhando os filhos, nem eles eram filhos conhecendo os cantos preferidos do pai. Éramos três amigos, rindo da vida, da rua e de nós mesmos.

Em casa, a mãe nos esperava na sala, brava, pois já passava das 3h.
E sem dizer uma única palavra, silenciou todos nós e apresentou aos meninos o mesmo medo que me ameaça todas as noites.

Minha felicidade custou quatro refeições para meus amigos da rua, sete chopes, alguns ci****os e uma bela bronca. Mas veio em forma de uma longa caminhada, de sorrisos e de uma noite que nunca vou esquecer.

Filhos, até mais tarde.

03/10/2025

Simplificando.

Por isso é que eu digo: não posso fazer terapia. 📸 Foto 1: eu, de intruso, no meio de um grupo de sommeliers incríveis e...
11/08/2025

Por isso é que eu digo: não posso fazer terapia.

📸 Foto 1: eu, de intruso, no meio de um grupo de sommeliers incríveis e sofisticados, circulando por vinícolas na Europa.

📸 Foto 2: eu, trocando ideia com meus amigos que vivem nas calçadas da Rua Jardim Botânico.

📸 Foto 3: eu, ainda nas calçadas da Jardim Botânico, com a rapaziada.

📸 Foto 4: eu, apresentando números do mercado de bares e restaurantes para meus colegas de trabalho.

📸 Foto 5: eu, tomando um chope na conta do meu amigo Chico, auxiliar de cozinha, depois de ajudá-lo a tirar o lixo do bar onde ele trabalha (sim, às vezes eu trabalho em troca de chope).

📸 Foto 6: eu, exibindo minhas tatuagens e o novo shape, orgulhoso por ter perdido quase 20 kg e começado uma vida saudável.

📸 Foto 7: eu, fumando e bebendo na mureta da Urca… logo após começar uma vida saudável.

📸 Foto 8: eu, no Vale dos Vinhedos, como jurado e comentarista do concurso de Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul.

📸 Foto 9: eu, falando sobre economia e produção agrícola para empreendedores cariocas.

Um mosaico em pessoa 🤷🏽‍♂️

Brincadeiras à parte: se um dia me perguntarem do que eu mais tenho medo na vida, responderei sem hesitar — tenho medo de mudar e ser apenas um só 😉

Boa semana, pessoal!

Estou bem.Estou vivendo.
09/08/2025

Estou bem.
Estou vivendo.

Uma das melhores coisas da minha vida profissional é aprender e poder contribuir - ainda que minimamente - com o aprendi...
19/07/2025

Uma das melhores coisas da minha vida profissional é aprender e poder contribuir - ainda que minimamente - com o aprendizado e o desenvolvimento dos meus colegas de profissão.
Para mim, isso está muito longe de ser trabalho.
É prazer puro e simples. É diversão.
Faço amigos, ouço histórias, conheço vidas.
As demandas do dia a dia me obrigaram a fazer uma pequena pausa, mas volto em breve... Eu preciso voltar em breve. 😉

A vitória mais importante da minha vida profissional aconteceu há alguns meses, e desde então eu tentava decidir se fala...
07/06/2025

A vitória mais importante da minha vida profissional aconteceu há alguns meses, e desde então eu tentava decidir se falaria sobre isso ou não, e hoje resolvi que sim.
Tentarei fazê-lo sem melodrama ou autoelogios, mas como quem assiste o filme da própria vida.

Quando recebi a proposta para assumir a operação da Casa Camolese, 14 dias após vencer o concurso de Melhor Sommelier do Brasil, o mundo ainda tentava superar a pandemia e o mercado de restaurantes estava em frangalhos.
Enquanto tudo apontava para um caminho próspero no mundo dos vinhos, decidi me juntar aos loucos.
Vinícolas, Importadoras, lojas, escolas.
Mas como um homem apaixonado pelo caos poderia viver sem as confusões de um restaurante lotado?
Decidi ficar.

Éramos 40 e hoje somos 97.
Crescemos de maneira absurda, ocupamos terrenos vizinhos, construímos, reformamos, embelezamos.
Dobramos o faturamento (hoje na casa dos 30 milhões ao ano), promovemos profissionais incríveis e formamos um time que mata e morre pelo propósito.
Valorizamos o trabalhador e nos orgulhamos muito disso.
Cheguei por aqui como gerente de operações, mas não demorou muito para assumir a gerência geral e, logo em seguida, a recém criada diretoria geral.
Chamei a responsa e convoquei o time: "essa p***a agora é nossa, disse eu, batendo no peito com a palma da mão direita".
Eles "compraram o meu barulho" e entenderam que cresceriamos juntos.
Meses após, diante dos resultados, fui convocado para uma reunião pelo e e na mesa tinha uma proposta:
-precisamos de você a longo prazo, disse um deles.
O outro foi mais direto: queremos você como nosso sócio.
Topei na hora.
Como poderia um homem apaixonado pelo caos viver sem a Casa Camolese?
No anúncio aos meus companheiros, foram minutos de aplausos incessantes.

Se você conhece um pouco da minha história e assistiu o clássico filme " A procura da felicidade" sabe qual foi a minha sensação naquele momento, e parafraseando um dos últimos textos da obra, lhes digo:
"Essa parte da minha vida, essa pequena parte, chama-se felicidade"

eu te amo muito.

Em maio de 2005 a gente já se olhava de um jeito diferente.Ela, uma tremenda gostosa na plenitude dos seus 24 anos, era ...
28/05/2025

Em maio de 2005 a gente já se olhava de um jeito diferente.
Ela, uma tremenda gostosa na plenitude dos seus 24 anos, era gerente do restaurante onde trabalhávamos e moradora da Zona Sul do Rio.
Eu, já muito bom de lábia no auge dos meus 19 anos de existência e composto de pura malemolencia, trabalhava como ajudante de garçom, morava em uma favela no subúrbio carioca e era um sonhador incorrigível.
Cheguei junto da chefe e chamei para tomar uma cerveja depois do expediente na loja de conveniência do postinho do da Rua Jardim Botânico (o que mais eu poderia fazer com o salário de ajudante de garçom?).
Ela topou.
Enquanto fechavamos o restaurante, altas horas da madrugada, Norah Jones entrou rasgando na playlist da casa e minha mente registrou aquele momento, que misturava ansiedade, medo, tesão e euforia.
Enquanto eu secava os talheres, levantava as cadeiras e guardava os pratos, imaginava os beijos que daria na Joana e me impressionava com o quão doce era a voz da Norah Jones, que naquele momento despontava como um dos grande nomes do Jazz.
Minha mente misturou tudo e criou uma memória afetiva tão gostosa que até hoje chamo a Joana para tomar uma cerveja na lojinha do posto de gasolina quando ouço 'New York City', 'Sunrise' ou 'I dont know why'.
A Norinha, como nós, os íntimos, a chamamos, criou a trilha perfeita para o maior amor que já senti.
Hoje, 27 de maio de 2025, completamos 20 anos juntos, e Deus, em uma de suas muitas peripécias, trouxe a mulher que embala minhas memórias com a Joana para fazer um show justamente no Rio de Janeiro.
Isso não pode ser coincidência.

Agora, no fim da noite, as únicas coisas que posso afirmar com a mais absoluta certeza, é que a Joana continua sendo uma tremenda gostosa, a Norah continua impecável, e eu continuo sendo um malandro incorrigível, apaixonado e bom de lábia.

Meu desejo é de que todos vocês, um dia, sejam preenchidos pelo mesmo amor que me move há duas décadas.

 

Endereço

Rio De Janeiro, RJ
22470050

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