23/09/2015
Ode ao fogo amigo
Praticamente impossível não se posicionar a respeito da volta dos “arrastões” às praias cariocas. Independente de classe sócio econômica, credo ou raça, é fundamental que cada cidadão reflita e opine. Em situações críticas, a sociedade deve assumir sua posição, e o debate é o único caminho confiável.
Diante da grave crise econômica e política, alguns números parecem estar maquiados e o desemprego se apresenta como um potente agente agressor para um organismo historicamente debilitado como o nosso país. O populismo e o paternalismo, travestidos de política de desenvolvimento, juntamente com os maiores escândalos de corrupção já vistos no planeta, colocaram o país no vermelho, e como consequência, criaram um cenário onde as desigualdades voltam a ser visíveis. Esse é um dos problemas do assistencialismo mal planejado, quando se oferece dinheiro na conta ao invés de crédito para futuros empreendedores.
Não se pode exigir educação, civismo e discernimento de quem sequer teve acesso a escola ou universidade. A carência de convivência em um ambiente acadêmico saudável está formando gerações condenadas a viver à margem. Eleitores que tendem a perpetuar a cultura do voto casual, desacreditado, desinteressado.
Entretanto, diante deste estado “semi caótico”, parte da sociedade adota uma postura ainda mais anti evolutiva, ao se voltar contra a própria sociedade. Quanto tempo e energia gastos com ações e reações que não acrescentarão nada ao quinhão de cada um! Os verdadeiros vilões, que remam contra o progresso geral, não estão nas classes desfavorecidas, marginalizadas, abandonadas, oprimidas, empurradas para as periferias das grandes cidades do país. E muito menos entre cidadãos que pagam um dos IPTU’s mais caros do país e que, não somente por isso, tem direito de usufruir de um bem de uso comum como a praia.
Portanto, não adianta marginalizar os desfavorecidos, nem recriminar os favorecidos que defendem seu direto de ir e vir sem ser assaltado na porta de casa. Algumas reações podem parecer desproporcionais, talvez um pouco mais do apenas uma “palmada que educa”, mas apenas refletem a inoperância do Estado. A sociedade não pode rivalizar contra si mesma, sob pena de tomar um atalho rumo ao caos.
Com todo esse antagonismo “Baixada/Zona Norte contra Zona Sul”, ou vice versa, muitos falam em “status” de guerra civil. Mas guerra civil deve ser motivada por algo fundamental, primordial e elementar: o progresso. A guerra civil norte americana, por exemplo, envolvia os conceitos liberalistas no norte e o conservadorismo sulista, além de contar com um mediador preparado como Abraham Lincoln.
Difícil estabelecer se necessitamos ou não de uma guerra civil, porém, na iminência de uma, deve se combater o verdadeiro inimigo, ocupar as devidas trincheiras, mirar nos alvos corretos. O governo instaurou a “cleptocracia” e precisa não só ser responsabilizado por seus atos, mas também pagar com o total isolamento da sociedade e a devolução de tudo que nos foi roubado. “Liberté, égalité, fraternité”, aliados da dignidade, são os conceitos que melhor podem motivar.