28/03/2016
Vamos falar de enchentes de forma geral ?
Porque elas ocorrem há anos e nada se resolve ou pelo menos melhora ?
Algum outro país no mundo sofre com o mesmo problema ?
A cada verão e ultimamente durante quase todo o ano, todo o Rio de Janeiro vem sofrendo cada vez mais com as enchentes que vem minando recursos dos cofres públicos e de populações quem moram em áreas de inundação.
Para se ter um entendimento mais aprofundado da problemática, vamos fazer um giro básico em Escoamento Superficial. Segundo Souza Pinto " ... escoamento superficial é o segmento do ciclo hidrológico que estuda o deslocamento das águas na superfície da Terra."
O escoamento superficial tem sua ocorrência ligada as precipitações (chuvas). A água é captada por mecanismos naturais como plantas e solos, onde , serão posteriormente será evaporada. Quando os componentes de captação de água estão saturados, formam-se torrentes que terão sua força de acordo com a intensidade da precipitação e detritos contidos.
Fatores que colaboram para a diminuição da absorção da água da chuvas é a má gestão ambiental e planejamento urbano. Com a concentração populacional nas metrópoles no sudeste o número de mortes decorrentes por enchentes e perdas econômicas só vem aumentando. Vamos fazer uma equação lógica:
- Mais pessoas produzem mais rejeitos e lixo.
- Consomem mais recursos naturais o que ocasiona menos absorção natural.
- Resultado : enchentes de maior intensidade, esgotamento de recursos e mais óbitos.
Agora vale se perguntar qual seria a melhor solução no momento ?
Vamos buscar como espelho o caso da França, mais especificamente Paris no inicio do século XX que sofria com enchentes frequentes do Rio Sena.
Em 1910, a cidade luz sofreu com uma grande enchente que durou cerca de 35 dias e curiosamente não causou nenhum óbito, mas deixou centenas de feridos e 200 mil pessoas ilhadas.
A primeira solução das autoridades Francesas foram medidas de prevenção as enchentes, ou seja, aumento da distância das margens das encostas e estudos meteorológicos constantes para alertar a população antecipadamente. Outra solução dessa vez ambientalmente correta, foi de afastar e proibir a construção de casas e estabelecimentos a uma distância de segurança dos rios, favorecendo a recuperação natural desses locais e evitando o acumulo de pessoas.
Essas séries de ações básicas diminuíram as ocorrências de enchentes em Paris, (que na época era charge mundial no assunto) gerando além de qualidade de vida uma diminuição de perdas econômicas.
No Brasil esse problema já não é recente, jornais da época (1910) já faziam inclusive comparações irônicas de nossa cidade com Paris, já que os governantes a tinham como inspiração.
A principal diferença entre aqui e lá é o fato que desde já foram adotadas medidas de controle e precaução, afinal já não se veem matérias do Le Mondé falando de enchentes catastróficas na França não é mesmo ?
Vale a pena se questionar quanto as ações tomadas por parte do serviços públicos para nos gerar qualidade de vida e retorno de nossos impostos, a questão das enchentes vai muito além de jogar lixo no chão, deve ser tratada como um problema de urbanização e gestão ambiental.
Fontes :
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/paris-ou-veneza
https://www.google.com.br/search?q=paris+inundacion+1910&biw=1366&bih=667&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ved=0ahUKEwju1dOh1OPLAhXJGJAKHUWxA2AQsAQIIw&dpr=1
http://www.observatoriodasmetropoles.net/download/Os_Estados_e_as_RMs_no_Censo_2010.pdf
Hidrologia básica [por] Nelson L. de Sousa Pinto [e outros] ; São Paulo : Editora Blucher, 1976.