12/02/2022
Nem todos sabem, mas para se tornar consultora de sono é preciso formação. E não é das mais simples. A minha, obtive junto ao IMPI - International Maternity and Parenting Institute (EUA) - após 1 ano de aulas, muito estudo e defesa de trabalho final. Devo muitíssimo a este curso. Além de me permitir uma visão muito aprofundada do assunto, se somou às outras certificações antes alcançadas (sou doula, consultora de amamentação, tenho formação em psicloogia do puerpério e teoria do apego) e deu contorno à profissional que sou hoje: uma consultora armada com toda sorte de recursos e munida de um olhar integral para a realidade da criança e sua família.
Mas, não foi isso que realmente me capacitou.
Também sou mãe. Ah... essa escola tão rica, intensa e contínua que é a maternidade. Vivenciei os diversos vieses que o sono do bebê apresenta na prática. Sentindo, construindo cada dia. E noite.
Mas, tampouco posso dizer que DAÍ veio minha capacitação. Alice, graças aos cuidados praticados desde a maternidade, sempre teve bom sono.
O que me autoriza a falar sobre este assunto e fazer dele a minha bandeira de cada dia é o que vivo na pele: a MINHA péssima qualidade de sono. E isso não veio de hoje. Pelo que me lembro, foi aos 7 anos que comecei a lidar com noites nada reparadoras. "É bruxismo! Vamos usar placa". Os dentes foram protegidos, mas isso não resolve sono. "É ansiedade", o que levou meu pai a comprar discos de música clássica e fazer audições comigo, antes da hora da cama. Aos 14 anos, receitaram o meu primeiro tarja preta. Desde então, aprendi que ser apagada e dormir são coisas bem diferentes. Tanto que preferi ficar acordada.
Vivi uma vida em privação de sono. Sei bem suas consequências. Dores físicas, alterações de humor, de peso, de libido, de disposição. Então a gente aprende que não pode parar a vida por causa disso e encontra caminhos para se manter ativa, produtiva, racional... custe o que custar. Quem está próximo até diz "ah, mas você já acostumou. não sente mais falta".
Primeiro recado: isso não existe. Sono FAZ falta. Para mim, para a mãe em pleno pós parto, ou para a criança que parece tão ativa mesmo tendo acordado 8X. E sono não se recupera, se trata!
Foi através da minha formação, da minha escolha profissional que pude finalmente olhar para o MEU sono. Saber o que poderia ser feito, como melhorar. Hoje, SEI o que causa uma noite mal dormida (nem sempre conseguimos fazer o que sabemos ser necessário, né?), deixei de ser refém.
E é ESSE sentimento que me motiva no dia-a-dia. Que me faz virar para você e dizer "não deixe de olhar para o sono, seja dos seus filhos ou o seu!". Busque ajuda, aceite ajuda, MUDE!! Não é fácil, mas é possível. E uma das maiores alegrias que carrego hoje é poder dizer com toda convicção: eu posso te ajudar!