05/02/2019
Risco Cibernético a Bordo de Navios
Incidente: Presença de worm no sistema de gerenciamento de energia de bordo
Um navio foi equipado com sistema de gerenciamento de energia que possuía a funcionalidade de ser conectado à internet para atualizações e correções de software, diagnósticos remotos, coleta de dados e operação remota. Ele foi construído recentemente, mas por projeto este sistema não estava conectado à internet. Todavia, a empresa tinha a intenção de conectá-lo. Fruto disso, o departamento de TI da empresa tomou a decisão de visitar o navio e realizar varreduras de vulnerabilidades para determinar se o sistema tinha evidências de infecção e verificar se era seguro se conectar.
Como decorrência dessa atividade, a equipe descobriu um worm adormecido que poderia ter sido ativado assim que o sistema estivesse conectado à Internet, e isso teria graves consequências para o navio. O incidente mostra que mesmo sistemas não conectados à internet, mas apenas à rede interna, podem ser comprometidos/infectados, e reforça o valor do gerenciamento proativo do risco cibernético.
O armador alertou o estaleiro construtor sobre a descoberta e solicitou procedimentos sobre como remover o worm. O armador participou que, antes da descoberta, havia um técnico de serviço a bordo do navio. Fruto disso acreditou-se inicialmente que a contaminação poderia ter sido causada pelo técnico. Observou-se que o worm se espalhou via dispositivos USB em um processo em execução, que executa um programa na memória. Este programa foi projetado para se comunicar com seu servidor de comando e controle para receber seu próximo conjunto de instruções. Poderia até criar arquivos e pastas. A empresa solicitou aos profissionais de segurança cibernética que conduzissem análises forenses. Foi descoberto que todos os servidores associados ao equipamento estavam infectados e que o worm já estava no sistema há 875 dias, sem ter sido descoberto. As ferramentas de varredura removeram o worm. Uma análise provou que o provedor de serviços (Terceiro) era realmente a fonte e que o worm havia introduzido o malware no sistema do navio por meio de uma unidade flash USB durante a instalação de um software. A análise também provou que esse worm operava na memória do sistema e ativamente chamava a Internet do servidor. Como o worm foi carregado na memória, isso poderia afetar o desempenho do servidor e dos sistemas conectados à Internet.
Por fim, o incidente mostra também a importância de se buscar o envolvimento e o comprometimento dos prestadores de serviço terceirizados na gestão do risco cibernético a bordo dos navios.
Fonte: THE GUIDELINES ON CYBER SECURITY ONBOARD SHIPS V3