04/02/2021
A BRA Advisory publicou hoje o ranking de Janeiro de 2021 com o risco médio das classificações de rating nacional pelas agências de classificação de risco internacionais e de alguns dos principais segmentos avaliados acompanhados pela consultoria.
O risco médio das classificações se mantém próximo ao grau de risco atribuído ao soberano, rating BB- na escala internacional de longo prazo como mostra a tabela, tendo reduzido a um grupo muito seleto, o total de instituições ainda classificadas com grau de investimento por mais de 2s agências.
O comportamento relativamente estável dos ratings nacionais após as revisões realizadas ao longo de 2020 refletem em parte a resiliência demonstrada por algumas empresas brasileiras, principalmente daquelas de maior porte.
Os balanços de diversas empresas brasileiras mostraram números mais favoráveis do que a expectativa do mercado, com a alavancagem líquida controlada e a preservação da liquidez mesmo que financiadas pelo aumento da captação de recursos. A performance destas também se beneficiou pelo fato de que a retração econômica brasileira foi atenuada pelos pacotes anticrise local e externo e pelas medidas de auxílio emergencial brasileira voltada para o enorme contingente de pessoas vulneráveis e desempregadas, que contribuiu favoravelmente para os comportamentos da inadimplência e consumo em 2020, a despeito do aumento do endividamento das pessoas físicas. Observa-se também que algumas empresas exportadoras, ligadas a produtos básicos e alimentares, tiveram seu desempenho beneficiado pelo impacto menor de redução das exportações brasileiras no período.
As classificações atuais incorporaram os impactos da deterioração das condições econômicas, financeiras e de negócios ocasionados pelo choque da pandemia da Covid 19 sobre a saúde financeira da maior parte emissores, além dos efeitos das mudanças na direção do balanço de riscos globais e da falta de controle da pandemia, que podem voltar a enfraquecer a demanda e retomada econômica nos próximos períodos.
Esses riscos ganham destaque no monitoramento de 2021 já que incertezas perduram principalmente com a desaceleração da economia global no início do ano e a perda de tração na retomada da economia brasileira. A piora recente dos números da pandemia voltaram a impor novas medidas de restrição a mobilidade a fim de evitar a sobrecarga do sistema de saúde, mesmo que em menor escala, e prejudicam o cenário de curto prazo. Este cenário é agravado pelas perspectivas de menor velocidade e amplitude adotada do programa de imunização da população além da oferta global limitada de vacinas prontas neste momento. A progressiva imunização global e a adoção de um protocolo de vacinação em massa no país tendem a reduzir as preocupações com a saúde pública dos indivíduos e elevam o sentimento de confiança e otimismo do mercado. Destacamos que enquanto a pandemia não for controlada, o coronovírus permanecerá como um risco ao sistema de saúde e as restrições de distanciamento social e a relutância dos consumidores prevalecerão, prejudicando uma recuperação com mais força do setor de serviços além de uma trajetória de retomada sustentável.
A vulnerabilidade fiscal brasileira também mantém importante pressão sobre o prêmio de risco local mesmo quando observamos que o cenário preliminar do mercado é favorável para o médio prazo, inclusive com o registro de algum crescimento econômico e a possibilidade de déficit menor em 2021.
O endividamento público elevado e o espaço limitado para estímulos fiscais e monetários em parte explicam esse comportamento. Assim como a falta de compromisso com o ajuste fiscal é precificada e prejudica a credibilidade, principalmente ao se manter medidas que induzem a um menor controle dos gastos públicos e execução de gastos de pior qualidade.
Estes desafios combinados ao atraso recorrente de mudanças estruturais seguirão pressionando o comportamento do Real, as curvas de juros e a confiança do mercado principalmente na primeira metade de 2021.