21/05/2024
Riscar nos livros é um ato controverso.
Para muitos, um sacrilégio. Sempre fiz.
Ficam uns fragmentos de presente, que a cada página viram passado, e, no futuro, os riscos transformam as páginas em espelhos.
Pensei assim, senti assado.
Hoje visitei Ruth Monserrat, e ela me deu mais um livro, uma herança em vida, sua e de José Monserrat, nosso neguinho no espaço, colecionadores de conteúdos, de livros, de bom humor, de visão larga numa vida curta.
Milton Santos é nosso tema. Já é o sétimo livro dele que sai das suas prateleiras e chegam para me ajudar a tentar compreender melhor como o humano lida com esse espaço todo aqui na esfera.
Já de volta, no ponto de ônibus, começo a folhear o presente, e me deparo com os riscos de José, espelhando seus tempos.
O presente não foi só o livro. Foi o próprio Zé. Apesar da distância, seus riscos o trouxeram, claro, sorridente e consistente como sempre o vi.
Com certeza, riscar nos livros é muito bom!