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13/10/2024

PORQUE EXPORTAMOS MAIS MATÉRIAS PRIMAS EM VEZ DE CONTEÚDOS TECNOLÓGICOS

A estrutura industrial brasileira tanto as grandes empresas como as pequenas e médias empresas enfrentam quase sempre os mesmos desafios, ou seja, uma baixa produtividade e competitividade no mercado nacional e internacional onde um dos grandes entraves é a qualif**ação de mão de obra e a incorporação de novas tecnologias.
Naturalmente uma situação pior se encontra no grande contingente das pequenas e médias empresas que ocupam uma posição importante na economia e que representam aproximadamente 80% das empresas no país e que são responsáveis por grande parte do contingente de mão de obra.
Existem vários fatores que limitam o aumento de produtividade nas empresas no Brasil, entre eles a falta de acesso aos financiamentos para investimentos em tecnologias avançadas e melhor capacitação de recursos humanos e competências técnicas e profissionais o que resulta na restrição da capacidade competitiva do segmento industrial no país.
Por outro lado, por mais que haja os denominados apoios institucionais para as pequenas e médias empresas no Brasil como o programa SEBRAE e as divulgações muitas vezes de caráter político de apoios a financiamentos pelos bancos oficiais como o BNDES, o Banco de Brasil e Caixa Econômica apoio esses são temporais e não conseguem alcançar de forma consistente, ampla e pragmática esse importante universo de empresas no Brasil.
Um dos grandes gargalos aos financiamentos a esse grande segmento de empresas é sem dúvida a rigidez burocrática dos processos de financiamento cuja simplif**ação é imprescindível para que essas empresas obtenham resultados positivos e possam ter um crescimento saudável e constante.
É imperativo que os órgãos de apoio e as políticas de financiamentos estejam conscientes que por traz do segmento das empresas nacionais tanto as grandes como as pequenas e médias existe um grande potencial humano que poderá contribuir de forma signif**ativa tanto para o crescimento econômico do país como sobretudo para uma contribuição na formação de uma importante classe empresarial nacional.
Deve-se ressaltar que muitas grandes empresas de hoje foram no passado pequenas empresas que conseguiram com muito esforço superarem as dificuldades e tronarem-se referencias em tecnologia e participação nos mercados nacional e internacional.
Apenas para citar algumas empresas que conseguiram superar os grandes obstáculos e tornarem-se importantes empresas tanto no mercado nacional e internacional são os casos da Randon, Marcopolo, Tupi, Tigre, J&F, Weg, BRF, Minerva, Baterias Moura e outras que foram pequenas empresas no passado e que em dado momento das suas trajetórias de crescimento tiveram um grande sucesso não só pelos apoios financeiros diferenciados que os alavancaram no mercado nacional e internacional, mas, sobretudo foram os grandes méritos de todos esses empresários que tiveram um espírito empreendedor quando iniciaram como pequenas empresas em um passado não muito remoto.
Entretanto se compararmos as dimensões geográf**as e a população ativa no Brasil, o universo de empresas que chegaram a esse patamar não é infelizmente tão grande quanto já poderia ter sido ao longo de tantas décadas desde o início do processo de industrialização no Brasil.
Melhorar a produtividade das empresas brasileiras tanto as grandes empresas como as pequenas e médias empresas incorporando novas tecnologias desenvolvendo parcerias com universidades e sobretudo centros de tecnologias, é imprescindível para que essas empresas nacionais possam ter acesso a novos conhecimentos e aumentarem a produtividade. Apesar da existência de algumas escolas técnicas no país patrocinadas pelas Federações das Indústrias e Comerciais elas não são suficientes para abrangerem grande parte das diversas regiões do país e atenderem a demanda potencial que existe. Seria portanto, imprescindível e de grande importância para o aumento da produtividade nos diversos segmentos industriais do país, a criação de uma grande rede nacional de escolas técnicas em diversas regiões para a consolidação e crescimento de um desenvolvimento industrial competitivo.
Um exemplo que chama a atenção para o desenvolvimento industrial competitivo é a China que tem uma grande dimensão geográf**a semelhante à do Brasil. Existe na China as escolas técnicas, as Edtechs que tem atuado para desenvolver o soft skills como a criatividade e o senso de empreendedorismo que cada vez ganha mais importância no mercado mundial.
Outro exemplo é a União Europeia onde a maioria dos países da OCDE adotam políticas de inovação tecnológica que beneficiam e promovem toda uma série de atividades inovadoras. Dentro dos serviços de apoio às empresas existe o sistema chamado KIBS (Knowledge Intensive Business Services) cujo papel é a difusão de inovações tecnológicas ajudando a difundir os conceitos e ideias inovadoras tornando-se uma fonte de capital intangível. Esses serviços contribuem para a maior produtividade e competitividade das empresas europeias no mercado internacional.
Um dos exemplos mais extraordinários é o caso do Japão que é um país que se tornou um dos mais competitivos no mercado mundial mesmo com sua pequena área geográf**a e sem dispor de grandes recursos naturais, tem um setor industrial com grandes conteúdos tecnológicos e exportadores de manufaturados para todos os mercados mundiais.
Um dos fatores que fez o Japão avançar nos desenvolvimentos tecnológicos e obter maiores índices de produtividade foi o sistema adotado há muitos anos que foi denominado o Kaizen. Esse método adotado no Japão há muitos anos e que é uma filosofia que afirma e acredita que tudo pode ser melhorado, ou seja é um método de melhorias contínua com pequenas inovações envolvendo todos os empregados e colaboradores das empresas de todos os segmentos industriais e de serviços.
Entretanto se formos medir riquezas de um país, ou seja, produção per capita, não é por outra razão que recentemente foi revelado que o país mais rico do mundo não é nem os USA e nem a China, mas a Alemanha pela sua grande estrutura industrial sobretudo de pequenas e médias empresas.
Enquanto o comércio mundial dominado por multinacionais representa cerca de 60% de toda a movimentação global, na Alemanha as Mittelstand que criaram as pequenas e médias empresas ao longo dos últimos quarenta anos são responsáveis por 68% das exportações. O setor automotivo, de maquinário, de eletrônicos e medicamentos estão entre seus segmentos mais fortes
Na Alemanha as cooperativas e os poderosos bancos públicos equivalentes ao BNDES, Banco do Brasil e ou Caixa Econômica aqui no Brasil se encarregam de fazer com que o crédito alcance a todos, não importa o tamanho da empresa ou quão geograf**amente distante ela f**a de um centro econômico.
Essa filosofia na Alemanha permitiu superar uma das limitações do sistema de apoio financeiro no qual as pequenas e média empresas sempre tiveram um grande apoio financeiro associado a um sistema diferenciado de garantias diferentemente do que se observa nas instituições financeiras no Brasil que limitam o acesso a melhores condições de financiamentos para as empresas, em especial, as pequenas e médias empresas.
Foi través dessa semente histórica que na Alemanha surgiu há muitos anos a Mitellsland que formavam as pequenas e médias empresa e que representam 95% da economia alemã.
Diferentemente do modelo adotado pelas grandes empresas na Alemanha objetivando sempre a maximização da rentabilidade dos acionistas especialmente a curto prazo, as pequenas e médias empresas são simples estruturas muitas vezes familiares com planos de longo prazo, forte investimento na capacitação dos recursos humanos, tecnologia e responsabilidade social.
Voltando agora ao Brasil, é fundamental que haja uma mudança de paradigma para proporcionar maior acesso e melhores recursos financeiros que poderiam assim constituir uma forma ef**az para o crescimento e inovação tecnológica do segmento industrial do país.
A interdependência e integração de interesses convergentes entre uma pequena empresa e uma grande empresa onde uma forneceria materiais e serviços fundamentais para a outra, é um modelo de negócio que poderia uma vez utilizado geraria mútuo benefícios tanto para a grande como a pequena empresa. Esse modelo de integração acontece quando a escala de produção de uma grande empresa não permite produzir certos componentes e ou serviços, por ser muitas vezes mais econômico para uma grande empresa ter um fornecedor cativo e eficiente produzindo para ela. É portanto um mecanismo que uma vez operando poderia gerar um mútuo fortalecimento entre as empresas e um aumento de produtividade.
Sem dúvidas esse modelo de integração de negócios permite uma pequena empresa sobreviver e ter um crescimento saudável. Mas se esse modelo não for possível, como pode uma pequena empresa sobreviver? As chances de sobrevivência das pequenas e médias empresas são muito pequenas porque o acesso aos financiamentos é muito limitado por vários fatores, mas sobretudo pela ausência de garantias suficientes que são exigidas pelas instituições financeiras para a concessão de financiamentos.
A questão é, até quando no Brasil podemos ter um sistema de financiamentos para as pequenas e médias empresas similar ao da Alemanha, do Japão com apoios tecnológicos e financeiros sem os entraves e as dificuldades burocráticas e as ingerências políticas nas instituições financeiras governamentais.
Sem demérito aos exportadores de matérias primas no Brasil com exceção daqueles que invadem de forma avassaladora e destroem de forma irresponsável o bioma gerando grandes danos ambientais na ambição de ampliarem a produção agrícola e pecuária. Da mesma forma tal como no setor industrial, no segmento agro é necessário investimentos tecnológicos e avanços em produtividade para que possam produzir mais em menor espaço de áreas e assim evitar as queimadas e a crise climática global.
A grande questão é até quando vamos passar a ser um país que além de exportador de matérias primas e produtos agrícolas possamos um dia ser também um país exportador de grandes conteúdos tecnológicos.
A resposta para essa questão é sempre a mesma: Investimentos prioritários e substanciais concentrados em educação e associado a instalação de uma grande rede de escolas técnicas industriais, comerciais e agrícolas ao longo das diversas regiões do país para a formação de mão de obra qualif**ada para melhorias de produtividade e inovações tecnológicas.

10/02/2023

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20040-006

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