05/04/2017
Gamificar
Acho que ninguém discorda que mesmo no mundo corporativo, vivenciamos muitos “modismos”. Particularmente acreditamos que há um lado bem interessante nisso, pois de certa forma demonstra a inquietude que nos move a buscar novas formas de fazer algo. A gamificação é uma dessas tendências, que ganhou nome próprio e conquistou muitas mentes curiosas. Nós respiramos a gamificação desde sempre, pois acreditamos que o lúdico acessa uma discreta abertura que nos permite entrar na mente corporativa fora dos domínios da intelectualidade.
Apesar do modismo há alguns equívocos na rotulação de gamificação como algo que está exclusiva e diretamente relacionado ao virtual. Isso não é verdade. Por outro lado, jogos são diferentes de dinâmicas de grupo e vivências experienciais, pois são construídos não só através da formação de grupo ou da oferta de experiência mas também através elementos de design, regras e dados, muitas vezes até de alta complexidade e que ao final, geram resultados mensuráveis.
O jogo, por sua forma divertida, pode equivocadamente remeter a algo descomprometido e desconexo com a realidade, no entanto, é exatamente aí que o jogo ganha poder e se transforma em uma poderosíssima ferramenta de aprendizagem. O jogo é um simulacro da vida real mas não é a vida real. O objetivo dessa estranha conjectura, é promover a legitimidade de comportamento através de uma realidade que por não ser conhecida, tira os participantes de seus universos de domínio, extraindo assim a autenticidade de comportamento. Quando jogamos algo em um contexto diferente da realidade, provocamos comportamentos genuínos, pois com a “vida real” distanciada, é possível gerar posicionamentos autênticos na medida em que iniciativas e tomadas de decisão serão imprescindíveis para enfrentar o desafio que se apresenta.
As reações individuais vão compondo a performance de cada time e ampliando a percepção. Um “espelho” é gradativamente construído, refletindo a natureza do grupo, seus comportamentos, suas habilidades relacionais, e consequentemente: performance e resultado. Ao final, a atividade passa por um “processamento” que chamamos de debriefing que levará ao grupo as reflexões relevantes para o momento corporativo. Através de reflexão participativa a respeito da experiência vivida pelo grupo, construímos a aprendizagem coletivamente, analisando pontos fortes e oportunidades de melhoria, gerando assim insumos duradouros e resíduos relevantes para o processo de aprendizagem e otimização de performance dos participantes no dia a dia da organização.
Experiência