24/03/2015
Informativo 05/15 - Gestão de Riscos
OBS: O modelo e conceitos apresentados a seguir, não tem o objetivo de ser uma única linha de pensamento de análise Riscos, mas um ponto de vista isolado que pode servir para uma reflexão breve de ideias e valores profissionais.
Às vezes quando iniciamos em uma empresa, ou nos deparamos com um novo processo de trabalho, sempre nos perguntamos de certa forma “onde iniciar a atividade” de SST, essa “dúvida” é comum em qualquer ramo de atividade profissional, pois nem sempre temos todas as respostas que gostaríamos, mas com algumas ferramentas teóricas, mas precisamente no estudo da gestão de riscos podemos ter uma ajuda à mais.
Muito se fala em APR, ART, Hazop, LPD e uma infinidade de siglas que as empresas adotam e acabam caindo no gosto dos colegas da área de SST, mas somente preencher planilhas para demonstrar ações de análise de risco, colocando estas dentro de uma gaveta posteriormente não ajuda muito. Ao executar uma análise risco (ou seja qual nome o profissional quer dar), esta deve ser levada à serio e compreender um estudo analítico de dados e observações da empresa como um negócio, considerando que a SST pode impactar os resultados da empresa, seja de forma positiva ou negativa, por isso mapear e gerir riscos deve ser algo importante e muito bem estruturado, até porque estes resultados espera-se que sejam apresentados aos altos níveis da empresa, por isso também a estruturação deve levar em consideração uma certa simplicidade e visual agradável, com respostas e soluções o mais simples e eficientes possíveis, respeitando e projetando custos associados.
Nesta questão do custo, as soluções da análise de risco deve ser equilibrada com a disponibilidade financeira da empresa, muitas das vezes o profissional determina por exemplo um EPI importado “X” pois achou “bonito”, “prático” ou tem curiosidade de conhecer, sendo que no mercado interno temos o “Y” que custa bem menos e tem o resultado idêntico, estas questões também devem ser analisadas e bem ponderadas, para que o impacto financeiro destas soluções contidas na análise não inviabilize toda a implementação das ações.
UM MODELO SIMPLES DE ANÁLISE DE RISCO
Passo (1): Diagnóstico de riscos
Toda e qualquer organização é única, pois possui cultura, valores, diretrizes de conduta, profissionais, processos, sistemas e modelo de gestão específicos. Portanto, é necessário que este ambiente seja entendido e mapeado, vulnerabilidades, fragilidades e controles analisados. As principais técnicas utilizadas para estes fins são entrevistas com gestores e executores, observações dos processos e atividades em campo, análise de dados operacionais, indicadores e incidentes.
Existem metodologias diversas pré-definidas para os diversos setores de atuação, porém, é importante definir o modelo aplicado para cada empresa. Além disso, é fundamental identificar os riscos potenciais em função do contexto atual da organização.
Uma maneira de conduzir a etapa de mapeamento de maneira eficiente consiste em definir os processos críticos, recebimento de matéria prima, armazenamento, produção e afins.
Uma vez identificadas às fragilidades e vulnerabilidades do ambiente, parte-se para a identificação dos riscos potenciais, que podem abranger acidentes e incidentes com funcionários, terceiros e publico externo no caso de acidentes maiores.
Passo (2): Priorização dos riscos
Diante de um cenário com diversos riscos potenciais identificados, como priorizá-los? Afinal a gestão de riscos tem que ter um “norte” e não necessariamente todo risco identificado vale a pena ser mitigado de imediato, para tanto a organização deve definir com suas equipe de SMS qual a definição de riscos não aceitáveis e quais são os aceitáveis ou seja que podem ser “convividos” sem o comprometimento de pessoas e instalações.
A priorização dos riscos identificados deve considerar a análise de probabilidade e de severidade (ou impacto e afins).
Para analisar a probabilidade, para cada risco, analise a chance de ocorrência de eventos ou conjunto de eventos, uma vez que eventos são riscos materializados. Analise também a chance das fragilidades e vulnerabilidades serem exploradas. Atribua uma pontuação de acordo com uma escala pré-determinada.
Para analisar a severidade, analise a dimensão das consequências caso um evento ou conjunto de eventos ocorra, ou mesmo de a vulnerabilidade e fragilidade serem exploradas. Também atribua uma pontuação de acordo com uma escala pré-determinada.
A combinação da probabilidade e do impacto analisados apontará a criticidade dos riscos identificados e permitirá sua priorização, partindo dos riscos de alta criticidade para os de baixa criticidade.
Passo (3): Mitigação dos riscos
Uma vez conhecidos e priorizados os riscos da organização, a etapa seguinte consiste em definir e desenvolver as soluções pragmáticas para mitigá-los, ou seja, reduzir as exposições.
As soluções para mitigação dos riscos devem ser específicas e factíveis, e podem contemplar desde revisão de processos e inclusão de controles em sistemas e fases de produção, criação de relatórios e indicadores de desempenho, confecção de políticas e procedimentos, implantação de mecanismos de monitoramento e controle, uso de EPI´s, EPC´s, monitoramentos de gases contínuos.
Um plano de implantação das soluções deve ser elaborado a fim de iniciar pelas ações de ganho rápido (baixo esforço e alto benefício). Para tanto, antes da elaboração do plano de implantação, as soluções devem ser classificadas em função da combinação do esforço necessário para sua implantação e benefício potencial.
A gestão de riscos é um processo dinâmico e contínuo e crucial para a boa gestão de SMS de qualquer empresa. Portanto, toda ela deve ter a capacidade e competência para diagnosticar, priorizar, monitorar e gerir os seus riscos, sempre atentas às mudanças do ambiente interno e externo para não serem surpreendidas por riscos desconhecidos ou não controla