22/07/2026
VAI VENDO: COSTUMO DIZER QUE SOMOS ATROPELADOS PELOS ACONTECIMENTOS E O QUE NOS RESTA FAZER É OLHAR PARA A FRENTE E DECIDIR O QUE VAMOS FAZER. A SUA ATITUDE MUDA TUDO.
ESTE FATO COMPROVA ISSO!
Quando o motor parou no meio do mar Egeu, Yusra Mardini percebeu que já não estava apenas fugindo de uma guerra. Aos 17 anos, ela precisaria lutar para impedir que vinte pessoas desaparecessem sob as águas.
Meses antes, em agosto de 2015, a guerra civil na Síria havia tornado a vida em Damasco insustentável. Yusra deixou o país com a família e seguiu ao lado da irmã mais velha, Sara, passando pelo Líbano até chegar à Turquia. De lá, as duas pagaram contrabandistas para atravessar o mar rumo à ilha grega de Le**os.
A embarcação inflável deveria transportar apenas sete passageiros, mas foi lançada ao mar com vinte pessoas. Cerca de meia hora depois da partida, o motor falhou. Sobrecarregado, o bote começou a afundar lentamente enquanto o vento aumentava e as ondas invadiam seu interior.
Desesperados, os passageiros jogaram malas, roupas e objetos pessoais no mar para reduzir o peso. Nada parecia suficiente. Entre todos os ocupantes, apenas Yusra, Sara e outro passageiro tinham força e experiência para nadar naquela situação.
Os três entraram na água fria e passaram aproximadamente três horas e meia puxando, empurrando e conduzindo o bote sem motor. Mesmo exaustos, continuaram nadando até conseguirem levar a embarcação à costa de Le**os.
Graças ao esforço deles, todas as vinte pessoas sobreviveram.
A jornada de Yusra, porém, ainda estava longe de terminar. Depois de atravessar diversos países europeus, ela conseguiu chegar à Alemanha e se estabeleceu em Berlim. Ali, retomou uma parte da vida que a guerra havia interrompido: os treinamentos como nadadora competitiva.
Menos de um ano depois daquela noite no mar, em junho de 2016, Yusra foi escolhida como uma das dez integrantes da primeira Equipe Olímpica de Refugiados da história. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, disputou as provas femininas dos 100 metros borboleta e dos 100 metros livre.
Em 2017, aos 19 anos, tornou-se a pessoa mais jovem a assumir o cargo de Embaixadora da Boa Vontade da Agência da ONU para Refugiados.
Yusra entrou no mar como uma adolescente tentando sobreviver. Saiu dele como uma jovem que havia ajudado a salvar dezenove vidas e que, pouco tempo depois, representaria milhões de refugiados diante do mundo.