08/12/2025
Encerramos 2025 com sinais positivos na economia brasileira: o PIB mostra resiliência, o emprego se recupera e há confiança moderada nos mercados. No entanto, 2026 — ano eleitoral — exigirá atenção redobrada dos empreendedores.
É provável que o governo intensifique gastos sociais e programas de estímulo, criando um ambiente favorável para vendas, especialmente nos setores de Comércio e Serviços. O primeiro semestre pode trazer um boom de consumo, mas é importante reconhecer que esse impulso será temporário e condicionado ao calendário político. Vejamos alguns pontos que destaco:
Endividamento das Famílias: Apesar da melhora no emprego, os níveis de inadimplência seguem elevados. Isso significa que parte do consumo será financiado por crédito frágil, aumentando o risco de calotes. Segundo a CNC, 80% das famílias estão com dívidas a vencer e 30% já estão vencidas... um recorde!
Incerteza Política: O acirramento eleitoral pode gerar propostas legislativas de impacto fiscal (“pautas-bomba”), mas não é inevitável, pois o governo é experiente e pode lidar bem com essas crises. O risco existe, mas dependerá da dinâmica entre governo e Congresso.
Cenário Internacional: Tensões geopolíticas entre grandes potências podem afetar preços de commodities e fluxos de capital. O Brasil, como exportador de alimentos e minérios, pode tanto se beneficiar quanto sofrer com a volatilidade.
E qual a estratégia para os pequenos e médios negócios?
Antecipar crédito com cautela: Contratar capital de giro antecipadamente pode ser vantajoso se os juros subirem, mas avalie se realmente há necessidade. Porém, evite endividamento desnecessário... se tiver dúvida, procure ajuda profissional.
Venda segura e recebimento no curto prazo: Aproveite o aquecimento inicial das vendas, mas reduza prazos e priorize meios de pagamento seguros (Pix, cartão).
Disciplina financeira: Mantenha as contas familiares em ordem para não comprometer o caixa da empresa.
Olhar para o exterior: Empresas ligadas a exportação devem acompanhar de perto o cenário internacional, que pode abrir oportunidades inesperadas.
Por fim, 2026 será um ano de contrastes: crescimento impulsionado por estímulos eleitorais, mas permeado por riscos fiscais, políticos e internacionais. O empreendedor que equilibrar aproveitamento das oportunidades com gestão prudente de riscos terá melhores condições de atravessar o ano com solidez.