30/05/2016
O ovinocultor deve fazer um bom planejamento antes de iniciar a criação. A nutrição é de extrema importância, porém muitos produtores, ao ingressarem na atividade, invertem a seqüência da realidade técnica, ou seja, primeiro compram os animais, em seguida preocupam-se com a alimentação.
Existem várias raças de ovinos criadas no Brasil, sendo as mais difundidas a Suffolk, Hampshire Down, Texel, Ile de France e Dorper (lanadas e específicas para carne). A Corriedale e Romney Marsh seriam as de dupla aptidão (carne e lã), além das nacionais deslanadas, como a Santa Inês e a Morada Nova (carne e couro).
Nos lanados há necessidade de se efetuar a tosquia uma vez por ano (outubro a janeiro). Como a lã é considerada um excelente isolante térmico, protegendo os ovinos tanto do frio quanto do calor, as raças lanadas podem ser criadas tanto em regiões frias como nas mais quentes (áridas e semi áridas).
Para criarmos qualquer raça, devemos levar em consideração a fertilidade do solo e o valor nutritivo do pasto, pois as exigências nutricionais das mesmas variam de acordo com a sua aptidão: as específicas para carne são mais exigentes, enquanto que as de duplo propósito têm média exigência nutricional.
Dentre as gramíneas mais indicadas para os ovinos destacam-se as seguintes: Estrela branca e/ou roxa, Tifton-85, Coast cross, Matogrosso, Aruana e Tanzânia. Deve-se evitar a Brachiaria decumbens, pois esta pode resultar em fotossensibilização nos animais. Além disso, sempre é importante lembrar da importância de sombra na pastagem, pois protege os animais da forte radiação solar nas horas mais quentes do dia, momento que aproveitam para ruminar.
A fertilidade do solo é um ponto imprescindível que deve ser levado em consideração, pois antes de implantar uma pastagem cultivada (gramínea e/ou leguminosa) devemos saber qual sua exigência em nutrientes e quanto o solo tem a oferecer (V% - saturação de bases).
Para isso antes de tudo deve-se fazer uma análise química do solo. Após essa prática, devemos então fazer o preparo do solo, calagem, adubação (química e/ou orgânica) e posteriormente a realização do plantio da forrageira.
O ideal é usar a técnica de pastejo rotacionado (divisão do pasto em piquetes), pois este promove a diminuição da verminose dos ovinos, uma vez que aproximadamente 80 a 90% dos vermes estão no pasto e somente 10 a 20% nos animais. Além disso, o pastejo rotacionado respeita o hábito de crescimento das gramíneas, deixando um período sem animais na área (período de descanso), conseqüentemente aumentando a produtividade da mesma e permitindo maior lotação animal.
Para controle da verminose, devemos coletar as fezes de 5 a 10% de cada categoria animal (carneiros, ovelhas, borregos e cordeiros) a cada 28 dias, que deverá ser encaminhada para contagem de ovos por grama de fezes (exame de OPG), proporcionando um melhor monitoramento da endoparasitose,. Além disso, um profissional da área deverá instruir qual princípio ativo deverá ser usado, pois este deve ser alterado nas vermifugações para evitar ao máximo os casos de resistência dos vermes aos anti-helmínticos
As cercas para os ovinos devem possuir aproximadamente 1,2 a 1,4 m de altura, podendo ser de tela, arame liso (paraguaia) ou até mesmo elétrica. Lembrando que a melhor cerca é um bom pasto, para evitar que os animais ultrapassem a cerca. Entretanto, quando se pretende fazer a integração de ovinos com bovinos devemos usar a mesma para bovinos, acrescentando mais dois fios na parte inferior.
Os ovinos são bastante dóceis, comumente sendo manejados por mulheres. No período noturno a maioria dos criadores recolhem os animais em local protegido para evitar ataque de predadores (cães bandoleiros, lobos, etc.) Existem, porém, raças de cães ovelheiros, que auxiliam no manejo com os ovinos.
O casqueamento deve ser realizado quando necessário, geralmente duas vezes ao ano. A vacina mais recomendada é a contra as Clostridioses (carbúnculo e tétano), porém dependendo do local da criação pode haver a necessidade de outras vacinas. Para maiores informações, o criador deve procurar orientação técnica na casa da agricultura do município ou em consultoria veterinária. Lembrando do velho e conhecido ditado: "é melhor prevenir do que remediar".
O rebanho médio nacional é de 40 ovelhas por criador, mas nos últimos anos tem aumentado o número de criadores ingressando na atividade, inclusive com rebanhos mais numerosos. Atualmente já é comum encontrarmos criatórios com 1000 ovelhas ou mais.
O número de reprodutores necessário deve basear-se na média de um para cada 40 ovelhas. A idade média do desmame dos cordeiros é de 60 a 80 dias, dependendo da raça e sistema de produção.
Para ter sucesso na criação devemos ter sempre um bom manejo nutricional, reprodutivo e profilático, além de uma boa genética, para iniciar e permanecer na atividade ovinícola.