Fazer segurança - Treinamento e consultoria

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Nossos profissionais contam com mais de 20 anos de experiencia e são oriundos de empresas que atuam no Sistema Elétrico de Potencia.

26/11/2024

Um passarinho pode ser usado como detetor de gás?

Até as primeiras décadas do século XX, era comum entre trabalhadores das minas de carvão na Europa, a prática de monitorar a presença de gases tóxicos ou asfixiantes usando pássaros. A suposição era que os pássaros seriam os primeiros a morrer na presença desses gases, antes que os mineiros sofressem ameaça às suas vidas.

Um dos gases mais letais, é o monóxido de carbono (CO), que é um gás à temperatura ambiente, tem aparência incolor, e não possui cheiro e nem sabor. É caracterizado como um asfixiante químico, pois impede a utilização biológica do oxigênio e, por isso, é extremamente tóxico. Por conta de suas características físicas, é de difícil detecção pelos sentidos humanos, o que o torna ainda mais perigoso. Seu LT (1) é de 39ppm e é IPVS (2) a partir de 1200 ppm (3).

Hoje em dia, podemos considerar a utilização de pássaros como algo cruel, mas as condições da época não forneciam muitas opções para salvar a vida dos mineiros.

Mas será que os mineiros estavam realmente “protegidos” pela presença desses pássaros? A resposta infelizmente é não.

A maioria dos pássaros possuem um sistema respiratório, que trabalha sempre tentando obter o máximo de oxigênio do ar. Essa propriedade é importante porque, além do alto gasto energético durante o voo, em grandes altitudes, o ar se torna rarefeito, exigindo uma maior eficiência na absorção do oxigênio.

Vejamos algumas comparações do efeito do CO sobre pássaros e sobre seres humanos.

Até uma concentração de 1.500 ppm de CO, com uma exposição de 20 minutos, o pássaro nada irá sofrer, mas o homem sentira palpitações, dor de cabeça e ainda poderá desfalecer.

Nessa mesma concentração de CO, com uma exposição de 40 minutos o homem poderá morrer, enquanto o pássaro não irá enfrentar maiores consequências.

O mesmo efeito irá ocorrer para concentrações de CO de 1.000 ppm durante 80 minutos e 500 ppm por 160 minutos, ou seja, o homem perece e o pássaro sobrevive, falhando dessa forma na sua função de alertar contra a presença do monóxido de carbono.

A chegada dos detectores de gás na indústria da mineração de carvão pôs fim a uma tradição de mais de um século da Grã-Bretanha, na qual passarinhos eram utilizados como detectores de gases nas atividades dos trabalhadores das minas.

Hoje em dia, essa antiga prática é totalmente impensável, tanto pela crueldade com os pobres animais, como pela inadequação dos pássaros perante os modernos detectores, tanto no que se refere a acuidade da detecção, quanto nos alertas de abandono através de sinais óticos e acústicos que os detectores possuem.

(1) De acordo com a NR-15: limite de tolerância, é a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará danos à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral.

(2) IPVS - imediatamente perigoso à vida ou a saúde.
Um local é considerado IPVS quando ocorrer qualquer uma das seguintes situações:

a) a concentração do contaminante é maior que a concentração IPVS, ou houver suspeita que esteja acima do limite de exposição IPVS;

b) tratar-se de um espaço confinado com teor de oxigênio menor que o normal (ou seja cerca de 21% em volume), a menos que a causa da redução do teor de oxigênio seja conhecida e controlada; ou

c) o teor de oxigênio seja menor que 12,5%, ao nível do mar; ou

d) a pressão atmosférica do local seja menor que 450 mmHg (equivalente a 4.240 m de altitude) ou qualquer combinação de redução na porcentagem de oxigênio ou redução na pressão que leve a uma pressão parcial de oxigênio menor que 95 mmHg.

(3) ppm = partes por milhão

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11/11/2024

Um choque de 110 V pode matar?

Quem nunca sofreu um choque elétrico em casa tentando consertar um aparelho elétrico ou trocando uma tomada ou um interruptor?

Apesar da sensação do choque elétrico não ser muito agradável, a maioria dos que já passaram por essa experiência, não sofreu maiores consequências. Mas nem sempre é assim.

Com até 3 mA de corrente elétrica, a sensação de choque é pequena, e não há maiores efeitos em função do choque elétrico.

Em 9 mA, atingimos o limite da zona de segurança, o choque passa a ser desagradável, e são sentidas contrações musculares nos dedos.

Acima de 9 e até 20 mA, é a faixa onde as contrações são mais violentas, irradiando-se para a zona do tórax e a vítima, em função das contrações musculares, pode não conseguir se livrar dos cabos. Há dificuldade em respirar.

Acima de 20 mA, entramos na região considerada perigosa. Não há obviamente dados experimentais para o ser humano. Correntes acima de 20 mA, dificilmente permitirão aos indivíduos se desvencilhar das partes elétricas. A vítima sofre parada cardiorrespiratória e se não for socorrida a tempo, pode morrer em poucos minutos.

E então, um choque de 110 V pode matar ou não?

Vamos calcular a quantidade de corrente que pode transitar pelo corpo humano usando a lei de Ohm: I = V/R (corrente = voltagem/resistência).

Vamos considerar a resistência interna do corpo humano = 500 Ω e a resistência de contato com a pele seca = 2.000 Ω.

E, portanto, para a tensão de 110 V teremos no caso de choque elétrico, uma corrente de:
I = 110 / (2000+500) = 44 mA.

Mas então com um choque de 44 mA estou frito (literalmente)? A resposta é sim, porém em condições normais os níveis da resistência de contato formada pelos calçados, piso de madeira, tapetes etc., tornam essa resistência suficientemente elevada para reduzir a corrente a níveis seguros.

Por outro lado, sabemos que a umidade facilita o percurso da corrente elétrica pelo corpo humano, reduzindo a resistência de contato a valores próximos a zero, aumentando consideravelmente a corrente que irá circular no organismo.

Ou seja, com a pele úmida, onde a resistência de contato é próxima a zero, a corrente circulante no caso de choque elétrico será de:

I = 110 / (0+ 500) = 220 mA. ou seja, a intensidade da corrente é multiplicada por 5.

É por esse motivo, que o uso de equipamentos elétricos em áreas como: banheiros, áreas externas, cozinhas, copas, lavanderias, áreas de serviço, garagens e demais dependências internas normalmente molhadas ou sujeitas a lavagens, requerem cuidados especiais. Desde 1997 a norma NBR 5410 tornou a utilização do dispositivo DR obrigatória nesses casos.

O dispositivo diferencial residual (DR), é um equipamento de proteção utilizado em instalações elétricas, permitindo desligar um circuito sempre que seja detectada uma corrente de fuga para terra superior ao valor nominal do DR.

Mesmo assim centenas de mortes que ocorrem anualmente, comprovam que a baixa tensão mata, e que devemos manter as instalações elétricas em boas condições e nunca tocar em partes condutoras não isoladas, principalmente quando estivermos com o corpo molhado.

Decio Wertzner – novembro 2024

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A Fazer Segurança irá lançar uma série de cursos gratuitos, e o primeiro deles é Elaboração do Mapa de Riscos.O mapa de ...
05/02/2024

A Fazer Segurança irá lançar uma série de cursos gratuitos, e o primeiro deles é Elaboração do Mapa de Riscos.

O mapa de riscos é um levantamento dos pontos de risco nos diferentes setores das empresas, identificando situações e locais potencialmente perigosos.

A NR-5 estabelece no seu item 5.3.1 que a C**A tem por atribuição: registrar a percepção dos riscos dos trabalhadores, em conformidade com o subitem 1.5.3.3 da NR-01, por meio do mapa de risco ou outra técnica ou ferramenta apropriada à sua escolha.
Para iniciar o curso, faça o seu cadastro em https://ead.fazerseguranca.com/produto/elaboracao-do-mapa-de-riscos-2/

em seguida envie um e-mail para contato@fazerseguranca , o curso é inteiramente grátis.

O mapa de riscos é um levantamento dos pontos de risco nos diferentes setores das empresas, identificando situações e locais potencialmente perigosos. A NR-5 estabelece no seu item 5.3.1 que a C**A tem por atribuição: registrar a percepção dos riscos dos trabalhadores, em conformidade com o s...

23/05/2023

Já identifiquei os riscos, e agora?

Felizmente temos a nossa disposição várias técnicas para a identificação dos riscos presentes nas atividade de trabalho, por exemplo: Análise Preliminar De Risco – APR, Análise de Árvore de Falhas – AAF, Árvore de Causas – ADC, Análise de Modos de Falhas e Efeitos – FMEA, Estudo de Perigos e Operabilidade – HAZOP, Técnica de Incidentes Críticos – TIC, Análise de Riscos: WHAT-IF (WI), Método dos Eventos Adversos e outros.

Vejam que o arsenal para determinar os riscos nos ambientes de trabalho é bastante considerável. Mas e quanto as medidas de controle, existe algum método que pode ser utilizado?

Na verdade não há um método específico, o que existe é uma hierarquia para o controle dos riscos, que parte das seguintes premissas:

- As medidas de eliminação e controle de risco aplicáveis aos processos e ambientes de trabalho são sempre mais eficientes se abrangerem o coletivo de trabalhadores expostos ao risco.

- As condições em que um trabalho é executado podem ter sido consideradas adequadas quando de sua concepção, mas podem ser hoje inaceitáveis.

Ao determinar os controles ou considerar as mudanças nos controles existentes, deve-se considerar a redução dos riscos de acordo com a seguinte hierarquia:

1. Eliminação: Eliminar o processo ou a causa da condição perigosa: Por exemplo veículos que não tem a porta traseira do lado esquerdo de forma a evitar atropelamentos no desembarque dos passageiros, ou serras elétricas que desligam imediatamente ao ocorrer uma mudança na densidade do material que está sendo cortado.

2. Substituição:

2.1 Substituir por um processo alternativo: Por exemplo podemos evitar o contato da pele com o óleo de corte se adotarmos o processo de produção “à seco” com a aplicação de técnicas de forja, fundição em moldes etc., ao invés da usinagem tradicional.

2.2. Substituição dos materiais utilizados: Por exemplo a troca do gás freon (diclorodifluorometano - nocivo à camada de ozônio) pelo gás propano como propelente das latas de aerossol.

3. Sinalização, alertas, controles administrativos - A sinalização consiste num procedimento padronizado destinado a orientar, alertar, avisar e advertir as pessoas quanto aos riscos ou condições de perigo existentes.
É de fundamental importância a existência de padronização da sinalização, documentada e de conhecimento de todos.
Os materiais de sinalização consistem de cones, grades, placas, bandeirolas, fitas, etc.

4. Instalação de dispositivos e controles de engenharia: por exemplo, os sistemas de exaustão e ventilação, o redesenho de máquinas e equipamentos, enclausuramento de máquinas;

5. Redesenho da tarefa ou do trabalho, mudanças na organização do trabalho e práticas alternativas de trabalho: Como exemplo podem ser citados: o enriquecimento do conteúdo das tarefas, nos trabalhos monótonos e repetitivos, a mecanização de tarefas de modo a tornar o trabalho físico mais leve e confortável;

6. Uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias:
 Sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho
 Enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas
 Para atender a situações de emergência

As medidas de proteção individual, aplicáveis a trabalhadores, apesar de necessárias, geralmente são menos efetivas; pois, potencialmente reduzem o dano que pode resultar da exposição a um fator de risco, mas não removem a causa ou fonte do problema.

Decio Wertzner – Fazer Segurança T&C – maio/2023

A “guerra das correntes” entre Thomas Edison e Nikola Tesla, e a invenção da cadeira elétricaDe um lado, a Companhia Edi...
22/02/2023

A “guerra das correntes” entre Thomas Edison e Nikola Tesla, e a invenção da cadeira elétrica

De um lado, a Companhia Edison do grande inventor norte-americano Thomas Alva Edison (1847-1931), partidária da corrente contínua (CC), e do outro lado, a Companhia Westinghouse do engenheiro norte americano George Westinghouse (1846-1914), que contava com a colaboração de Nikola Tesla (1856 -1943), inventor, físico e engenheiro, que concebeu a transmissão de energia elétrica por corrente alternada (CA).

Defensor da corrente contínua, Edison acusava a corrente alternada de ser perigosa demais. Seu principal adversário científico era Tesla que trabalhava para Westinghouse, cuja empresa vinha ganhando concorrências para fornecer energia e produtos mais baratos que Edison.

Edison afirmava que “tão certo como a morte, é que Westinghouse irá matar um consumidor no período de seis meses após colocar em funcionamento seu sistema de corrente alternada”.

Edison jogava pesado. ele fazia demonstrações públicas da diferença entre as correntes. Primeiro, aplicava sucessivos choques de 300, 400, 500 e 700 volts de corrente contínua em um cão vira-lata. O animal sofria, mas sobrevivia. Logo depois, ao primeiro choque de 500 volts de corrente alternada, o pobre animal se contorcia e caia, morto.

Para Westinghouse, esses experimentos não eram científicos e apenas mostravam o desespero de Edison, por estar perdendo o mercado de eletricidade para ele, que vendia produtos melhores e mais baratos.
Isso era em parte, verdade.

Mas afinal de contas por que a corrente alternada é mais perigosa que a corrente contínua?

Três fatores contribuem decisivamente para que isso ocorra:

1. Os efeitos da CA no corpo dependem amplamente da frequência, correntes de baixa frequência (50 a 60 Hz), são mais perigosas que correntes de alta frequência e três a cinco vezes mais perigosas que CC da mesma voltagem.

2. A CC tende a causar uma contração convulsiva, forçando a vítima a se afastar do ponto energizado, já a CA de baixa frequência produz contração muscular prolongada (tetania), que pode “congelar” a mão na fonte da corrente, prolongando a exposição.

3. De um modo geral, a impedância do corpo humano é maior para CC do que para a CA, fazendo com que o valor da corrente para uma dada tensão em CC, seja menor do que para a mesma tensão em CA.

Porém a corrente alternada tinha uma vantagem insuperável sobre a contínua, ela podia ser transformada, o que possibilitava sua transmissão a vários quilômetros de distância, enquanto a contínua podia apenas atender a blocos limitados de carga, situados a curta distância da fonte geradora.

Transmiti-la a longa distância geraria um custo enorme. Com seu sistema, Westinghouse conseguia levar energia a um custo razoável para casas e escritórios fora do alcance de Edison, mas também era mais perigosa para o homem do que a corrente contínua.

Em 1881 Edison, incentivou Harold P. Brown e Arthur Kennelly, dois de seus auxiliares diretos, criar com base na ideia do Dr. Albert Southwick, um dentista, a cadeira elétrica tendo como inspiração os próprios “te**es” que Edson vinha fazendo com cachorro, bois, cavalos e até um elefante.

Em 6 de agosto de 1890, William Kemmler, por ter assassinado sua mulher a golpes de machado, foi condenado a morte inaugurando o uso da cadeira elétrica em execuções de condenados à morte.

Mas em 1892 a batalha das correntes terminou com a criação da “General Electric”, a fusão da empresa de Edison com a “Thomson-Houston”.

Esse fato marcou a derrota total da empresa de Edison na “guerra das correntes”, pois ela perdeu sua identidade como empresa comprometida com a corrente contínua.

Em 1917, mais de 95% da eletricidade gerada e transmitida nos Estados Unidos já era em corrente alternada.

As execuções na cadeira elétrica persistem até hoje nos Estados Unidos, embora sejam raras. O método mais difundido é a injeção letal.

Até abril de 2003, 4432 homens e mulheres haviam sido executados na cadeira elétrica.

Saiba mais sobre esse assunto acessando: http://historia.abril.com.br/ciencia/cadeira-eletrica-maquina-mortifera-433800.shtml

Decio Wertzner - fevereiro/23

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13/01/2023

A prévia realização da análise de risco é condição necessária para evitar acidentes do trabalho

A NR-10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade no item 10.2.1 estabelece que “em todas as intervenções em instalações elétricas devem ser adotadas medidas preventivas de controle do risco elétrico e de outros riscos adicionais, mediante técnicas de análise de risco, de forma a garantir a segurança e a saúde no trabalho”.

A definição de risco que é apresentada no anexo I da NR-1, define risco ocupacional como a “combinação da probabilidade de ocorrer lesão ou agravo à saúde causados por um evento perigoso, exposição a agente nocivo ou exigência da atividade de trabalho e da severidade dessa lesão ou agravo à saúde”.

Podemos encontrar a definição de análise de risco no glossário da NR-35: “Análise de Risco – AR, como sendo a avaliação dos riscos potenciais, suas causas, consequências e medidas de controle”.
Análise de risco é na definição do “Manual de Auxílio na Interpretação e Aplicação da NR-10” do Ministério do Trabalho, um método sistemático de exame e avaliação de todas as etapas e elementos de um determinado trabalho; identificar os riscos potenciais de acidentes físicos e materiais; identificar e corrigir problemas operacionais e implementar a maneira correta para execução de cada etapa do trabalho com segurança. É, portanto, uma ferramenta de exame crítico da atividade ou situação, com grande utilidade para a identificação e antecipação dos eventos indesejáveis e acidentes possíveis de ocorrência, possibilitando a adoção de medidas preventivas de segurança e de saúde do trabalhador, do usuário e de terceiros, do meio ambiente e até mesmo evitar danos aos equipamentos e interrupção dos processos produtivos.

As principais metodologias técnicas utilizadas no desenvolvimento de análise de risco são: Análise Preliminar de Risco – APR; análise de modos de falha e efeitos – FMEA (AMFE); Hazard and Operability Studies – HAZOP; Análise Risco de Tarefa – ART, Análise Preliminar de Perigo – APP, dentre outras.

Após identificados os riscos potenciais e ao se determinar os controles ou considerar as mudanças nos controles existentes, deve-se considerar a redução dos riscos de acordo com a seguinte hierarquia:

1.Eliminação: Eliminar o processo ou a causa da condição perigosa, por exemplo o veículo Veloster da Hyundai não tem a porta traseira esquerda para evitar o atropelamento do passageiro no embarque ou desembarque.

2. Substituição: Substituir por um processo alternativo Por exemplo podemos evitar o contato da pele com o óleo de corte se adotarmos o processo de produção “à seco” com a aplicação de técnicas de forja, fundição em moldes etc., ao invés da usinagem tradicional.

Um outro tipo é a substituição dos materiais utilizados Por exemplo a troca do gás fréon (nocivo à camada de ozônio) pelo gás propano como propelente das latas de aerossol.

3. Sinalização, alertas, controles administrativos, a sinalização consiste num procedimento padronizado destinado a orientar, alertar, avisar e advertir as pessoas quanto aos riscos ou condições de perigo existentes.

4. Instalação de dispositivos e controles de engenharia, por exemplo, os sistemas de exaustão e ventilação, o redesenho de máquinas e equipamentos, enclausuramento de máquinas;

5. Redesenho da tarefa ou do trabalho, mudanças na organização do trabalho e práticas alternativas de trabalho, como exemplo podem ser citados: o enriquecimento do conteúdo das tarefas, nos trabalhos monótonos e repetitivos; a mecanização de tarefas de modo a tornar o trabalho físico mais leve e confortável.

6. E por último, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias:

- Sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho;

- Enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas;

- Para atender a emergências;

As medidas de proteção individual, como o uso de EPI, apesar de necessárias, geralmente são menos efetivas; pois, potencialmente reduzem o dano que pode resultar da exposição a um fator de risco, mas não removem a causa ou fonte do problema.

Decio Wertzner - janeiro/2023

12/12/2022

A exposição a campos eletromagnéticos provoca câncer?

Embora a Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos (LINACH), semestralmente publicada com base em estudos da Agência Internacional para a Investigação do Câncer (IARC), e da Organização Mundial da Saúde (OMS), incluam os campos eletromagnéticos de radiofrequência e os campos magnéticos de frequência extremamente baixa (conjunto de frequências do espectro eletromagnético compreendidos no intervalo de 3 Hz a 30 Hz), como agentes possivelmente carcinogênicos para humanos, o tema ainda é bastante polêmico e merece maiores estudos.
É quase impossível para os moradores das grandes cidades evitarem a exposição a campos elétricos e magnéticos. Estamos literalmente imersos em campos eletromagnéticos oriundos de aparelhos elétricos, redes de transmissão e distribuição de energia elétrica, subestações, antenas de rádio, de televisão, e de estações de telefonia móvel.

Ao contrário das radiações ionizantes, que podem interagir com o DNA das células provocando mutações e morte celular, os possíveis efeitos das radiações não ionizantes como aquelas acima citadas, irradiadas por antenas de comunicação e equipamentos elétricos, ainda causam muita controvérsia.

Os estudos realizados mundialmente não demonstraram, até hoje, a ocorrência de câncer ou outro efeito adverso à saúde como resultado da exposição a limites abaixo daqueles estabelecidos no padrão internacional e regulamentados no Brasil, pela Anatel, inicialmente por meio da Resolução Normativa 398 de 23/03/2010 que foi revisada pela Resolução Normativa ANEEL Nº 616 DE 01/07/2014.

Esses estudos estabeleceram o Nível de Referência, que são os níveis de campo elétrico e magnético para avaliação da exposição humana recomendados pela OMS.

Níveis de Referência para campos elétricos e magnéticos variantes no tempo nas frequências de 50 e 60 Hz.

Instalações em 50 Hz
Público Em Geral
Campo Elétrico (kV/m) 5,00
Campo Magnético (μT) 200,00

Público Ocupacional
Campo Elétrico (kV/m) 10,00
Campo Magnético (μT) 1000,00

Instalações em 60 Hz
Público Em Geral
Campo Elétrico (kV/m) 4,17
Campo Magnético (μT) 200,00

Público Ocupacional
Campo Elétrico (kV/m) 8,33
Campo Magnético (μT) 1000,00

Nos sistemas de transmissão em corrente contínua devem ser respeitados os limites estabelecidos pela norma IEEE Standard for Safety Levels With Respect to Human Exposure to Electromagnetic Fields, 0-3 kHz 2002 do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos - IEEE, conforme Quadro 2, devendo essas instalações ter o mesmo tratamento dado nesta resolução a sistemas em 60 Hz.

Níveis de Referência para campos elétricos e magnéticos variantes no tempo na frequência de 0 (zero) Hz (corrente continua).

Instalações em Zero Hz -
Público Em Geral
Campo Elétrico (kV/m) 5,00

Campo Magnético (μT)
Cabeça e tronco 353.000,00
Braços e pernas 118.000,00

Público Ocupacional
Campo Elétrico (kV/m) 20,00

Campo Magnético (μT)
Cabeça e tronco 353.000,00
Braços e pernas 353.000,00

O campo magnético gerado por correntes contínuas, é um campo estacionário o não dependendo do tempo.

Decio Wertzner – dezembro/2022

14/10/2022

Sistema de Barreiras para Controle de Riscos

O sistema de barreiras para o gerenciamento e controle dos riscos consiste na adoção de proteções físicas e medidas administrativas de controle que possibilitem eliminar ou prevenir a liberação de um fluxo de energia indesejado, que possa causar danos à integridade física do trabalhador.

O Sistema de Barreira deve ser concebido e implantado de acordo com o nível de exposição do executante de uma determinada tarefa a uma determinada fonte de energia. Estas barreiras são utilizadas da seguinte forma:

1. Barreira de Controle – aplicada na fonte da energia, para prevenir que a energia indesejada seja liberada, exemplo: aterramento de rede elétrica, utilização de proteção isolante nessa mesma rede, instalação de calços nas rodas de veículos etc.

2. Barreira de Segurança - entre a fonte de energia e o trabalhador, para prevenir o contato com a energia indesejada caso venha a ser liberada ou interromper o seu fluxo quando liberada, exemplo utilização de EPIs pelos trabalhadores.

3. Barreira de Suporte - Medidas de caráter administrativo adotadas para aumentar a eficácia de barreiras de controle e de segurança. Exemplo: capacitação e/ou supervisão do trabalhador.

Na impossibilidade de aplicação de uma barreira de controle eficaz, deverá existir um sistema de múltiplas barreiras no local para reduzir o risco a níveis aceitáveis.

Eficácia das barreiras

Barreira de Controle – Eliminar o fator de risco, reduzir a energia a níveis seguros, instalar barreiras físicas. Controla a energia independentemente do trabalhador (Eficácia ****).

Barreira de Segurança – Utilizar equipamentos de proteção, instalar dispositivos de advertência, minimizar as chances de erro. Interage entre a energia e o trabalhador (Eficácia ***).

Barreira de Suporte – Usar procedimentos escritos, prover capacitação, prover supervisão. Dependem inteiramente do trabalhador (Eficácia **).

Barreira Humana – Apenas identifica o fator de risco. Por exemplo, orientações para “ser cuidadoso” (Eficácia *).

Decio Wertzner - outubro/2022

21/09/2022

Indicadores de continuidade do fornecimento de energia elétrica

As distribuidoras de energia elétrica, são avaliadas pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, em vários aspectos referentes ao fornecimento de energia, destacando-se aqueles relativos à continuidade no fornecimento.

Uma interrupção de alguns minutos no suprimento de eletricidade, causa inúmeras consequências desagradáveis ao bem-estar, segurança pública, transporte, produção industrial, funcionamento de hospitais etc.

É, portanto, de extrema importância garantir o controle da frequência e duração das interrupções, o que se dá através dos indicadores de continuidade coletivos, DEC e FEC, e dos indicadores de continuidade individuais DIC, FIC, DMIC e DICRI.

Os indicadores são apurados pelas distribuidoras e enviados periodicamente para a ANEEL para verificação da continuidade do serviço prestado, representando, respectivamente, o tempo (DEC, DIC, DMIC e DICRI) e o número de vezes (FEC, FIC) que uma unidade consumidora (ou conjunto de consumidores) ficou sem energia elétrica para o período considerado, o que permite que a agência avalie a continuidade da energia oferecida à população atendida.

Indicadores Coletivos de Continuidade (DEC e FEC)
Duração equivalente de interrupção por unidade consumidora (DEC): Intervalo de tempo que, em média, no período de apuração, em cada unidade consumidora do conjunto considerado, ocorreu descontinuidade da distribuição de energia elétrica.

O DEC é calculado pela soma da duração de Interrupção Individual por unidade consumidora no período de apuração, dividida pelo número de consumidores do conjunto elétrico respectivo.

DEC = ∑ DIC / Cc.

Cc = número total de unidades consumidoras faturadas do conjunto no período de apuração,

Frequência equivalente de interrupção por unidade consumidora
(FEC): Número de interrupções ocorridas, em média, no período de apuração, em cada unidade consumidora do conjunto considerado.

Enquanto o DEC refere-se à duração da Interrupção, o FEC avalia a sua frequência em um determinado período.

FEC = ∑ FIC / Cc.

A continuidade do fornecimento é avaliada pela ANEEL através de subdivisões das distribuidoras, denominadas Conjuntos Elétricos.

Existem limites para indicadores associados a cada conjunto, que podem ser consultados no site da ANEEL. Cada conjunto elétrico pode ter abrangência variada. Conjuntos grandes podem abranger mais de um município, ao mesmo tempo que alguns municípios podem possuir mais de um conjunto.

Os indicadores coletivos de continuidade são importantes instrumentos gerenciais, que servem para indicar, tanto a necessidade de investimentos na melhoria e modernização das redes de distribuição, como na implantação de novas tecnologias para agilizar o atendimento.

Indicadores Individuais de Continuidade (DIC, FIC, DMIC e DICRI)

Duração de interrupção individual por unidade consumidora (DIC): Intervalo de tempo que, no período de apuração, em cada unidade consumidora ou ponto de conexão, ocorreu descontinuidade da distribuição de energia elétrica

Frequência de interrupção individual por unidade consumidora (FIC): Número de interrupções ocorridas, no período de apuração, em cada unidade consumidora ou ponto de conexão.

Duração máxima de interrupção contínua por unidade consumidora ou ponto de conexão (DMIC): Tempo máximo de interrupção contínua de energia elétrica, em uma unidade consumidora ou ponto de conexão.

Duração da interrupção individual ocorrida em dia crítico por unidade consumidora ou ponto de conexão (DICRI): Corresponde à duração de cada interrupção ocorrida em dia crítico*, para cada unidade consumidora ou ponto de conexão.

*Dia Crítico: Dia em que a quantidade de ocorrências emergenciais, em um determinado conjunto de unidades consumidoras, superar a média acrescida de três desvios padrões dos valores diários. A média e o desvio padrão a serem usados serão os relativos aos 24 (vinte e quatro) meses anteriores ao ano em curso, incluindo os dias críticos já identificados.

Os limites dos indicadores DIC e FIC são definidos para períodos mensais, trimestrais e anuais. O limite do indicador DMIC é definido para períodos mensais.

A transgressão aos indicadores de continuidade, podem acarretar o pagamento de multas pelas concessionárias à ANEEL (indicadores coletivos) ou aos consumidores afetados (indicadores individuais).
As informações referentes aos indicadores de continuidade estão disponíveis na fatura de energia elétrica. Informações adicionais podem ser obtidas com a distribuidora.

Decio Wertzner - Setembro/2022

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Rua Teodoro Sampaio
São Paulo, SP
19280000

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