19/12/2017
FÁBULAS DO TURISMO NACIONAL
Nos dias de hoje, em que fatos como a realidade virtual e a globalização nos surpreendem frequentemente, acabamos nos adaptando rápidamente até nas coisas mais simples, sem irmos a fundo nas discussões, sempre em nome da flexibilidade e da aceitação às mudanças.
Ao contarmos uma história aos nossos filhos, não podemos simplesmente narrá-las na mesma versão que ouvimos de nossos pais.
Fábulas como “Os 3 porquinhos, Chapeuzinho Vermelho e Branca de Neve” ao chegarem aos ouvidos de nossos pequenos “selvagens mirins”, obrigatoriamente precisam de um tom de aventura com toques e efeitos especiais.
Um engenheiro, provavelmente iniciaria uma história para seu filho da seguinte forma : “ Estabeleceremos o conceito de 3 porcos: P1, P2 e P3 com a intersecção de um lobo L ”.
Já um psicólogo: “ Branca de neve apresenta uma forte esquizofrenia e síndrome de rejeição, baseada em conceitos freudianos , já os 7 anões certamente possuem um destacado complexo de Electra , associado a comportamentos maníaco-depressivos”.
O advogado: “ O processo contra o réu (Sr. Lobo) se encontra totalmente fora do contexto jurídico e requeremos o devido habeas corpus, baseados no conceito de legítima defesa da fome. Já a litigante Chapeuzinho representa uma séria ameaça a sociedade civil.
E nós atuantes do segmento de turismo ? Como contaríamos a nossa história através dos tempos?
Imagino que há uns 13 anos atrás, diríamos que, no Turismo Nacional o Lobo mau era representado
pela figura do Agente de viagens, cercado por vários porquinhos, sendo que o porquinho mais fraco era com certeza o “cliente” e o mais forte ficava concentrado na figura da Cia. Aérea.
Com o passar dos anos, os quadros foram se alternando, tanto na força dos porquinhos (clientes e
fornecedores) como por parte do Agente de viagens que também acabou migrando para uma
“suínização gradativa”.
Quem é o nosso lobo mau de hoje ? Seriam os GDS? O cliente, que aprendeu a reagir de uma forma mais profissional por seus direitos?
Todos nós fomos vilões e mocinhos nesta história do turismo nacional.
Nosso comportamento, nem sempre muito ético, fez parte de um aprendizado evolutivo e hoje
podemos afirmar que estamos em um mercado mais transparente e digno.
Com certeza, todos os segmentos da cadeia produtiva do turismo cansaram de esperar por seus
“Príncipes Encantados” , viraram ou estão virando profissionais de verdade e vão contribuir para
o crescimento do nosso mercado.