25/05/2026
Acredito que há maneiras de deixarmos de sermos colônia de nós mesmos.
Tem um tempo entendi algo que mudou minha forma de pensar o trabalho com madeira.
Levar matéria-prima amazônica para ser beneficiada a milhares de quilômetros perpetua uma lógica antiga e bem brasileira. A floresta sai bruta, o valor f**a longe.
Passa o tempo, mudam os produtos, mas a lógica parece a mesma.
Minha segunda vez na resex do Ituxi, no Amazonas, já arco do desmatamento. Aqui, a disputa pela terra atravessa tudo.
Alguns líderes comunitários, para ir até a cidade mais próxima, precisam solicitar proteção armada. São jurados de morte por grileiros.
Tenta se colocar nesse lugar.
Gente ameaçada por tentar permanecer no território onde já vive, trabalha e produz.
É justamente por isso que iniciativas de subsistência com a floresta em pé se tornem ainda mais urgentes. Assim como apoiar essas pessoas.
Com o , eu e o participamos da implantação de projetos de marcenaria em diferentes comunidades. Da escolha das máquinas ao desenho dos barracões, passando pela capacitação dos comunitários para transformar madeira de manejo sustentável, retirada por eles mesmos, em objetos e mobiliário.
Por enquanto desenhados por nós. Em breve, espero, também por eles.
Beneficiar a madeira perto de sua origem não é apenas uma questão ambiental. É também uma questão de soberania, distribuição de valor e permanência.
Fazer com que a floresta gere conhecimento, renda e trabalho onde ela existe.
E não apenas matéria-prima para enriquecer outros lugares.
Meu ofício me levou para tantos lugares que às vezes f**a difícil dizer exatamente o que faço da vida.