21/08/2024
"A velhice é uma m***a"
Uma frase de impacto na boca de uma atriz de TV acima dos cinquenta anos, repetida por outras da mesma geração. No entanto, em oposição, vemos a imagem do Parque Ibirapuera lotado para ouvir uma senhora de 92 anos nos convidar a refletir, lendo para nós Simone de Beauvoir. De um lado, tratamos nossa vida com um sentimento de perda, irados, impotentes e desencantados com nós mesmos pela figura odiosa de um ser em caminho à decrepitude, tornando-nos inaceitáveis para participar da festa da beleza, juventude e vigor que imaginamos ser inesgotável e permanente.
Do outro lado, estamos diante de alguém que acumulou riquezas, manteve suas fontes de alegria, sentido de vida, sabedoria, amorosidade e uma constante permissão para ser ela mesma em todos os momentos. Ela valoriza seu corpo, seus cabelos brancos, suas rugas e, principalmente, estar no seu tempo, presente, consciente e desejosa de dias melhores a serem construídos.
Chegando no final de agosto aos meus 84 anos de vida, me sinto leve, movida pelo desejo de conhecer, experimentar e construir relações e obras úteis para quem está ao meu redor. Inspiro-me naquelas mulheres que vivem seu tempo em plenitude, sem pedir para que ele pare em algum ponto.
Meu corpo, energizado, porém com as marcas do tempo, contém um ser jovem, preocupado em manter a sedução, o encantamento e a atratividade tanto para as novas quanto para as velhas gerações. Isso constitui um desafio de ser diferente a cada dia, descobrir o que há de melhor em mim e viver intensamente enquanto há vida.