10/04/2016
Controle bem sua empresa e evite surpresas
Ao longo de 2015 ministrei uma palestra intitulada Gestão Financeira em Tempos de Crise.
O foco era nos controles financeiros necessários para ter a empresa nas mãos.
Em momentos de crise, um bom gerenciamento das receitas, despesas e custos, garante que o seu negócio passará por estes momentos de turbulência na economia.
E é exatamente sobre os controles financeiros que quero discorrer neste artigo.
Vou contar a vocês o ocorrido em duas empresas que não se preocuparam com os seus controles e agora estão sofrendo as consequências de uma má gestão.
Por motivos óbvios não irei citar nomes, muito menos segmento em que elas atuam, até porque isso pode acontecer a qualquer empresa, de todos os tamanhos e segmentos de atuação.
A grande maioria dos pequenos e médios empresários não possuem profundos conhecimentos financeiros e muitas vezes a contabilidade da empresa é realizada por escritório contábil terceirizado. Sendo assim, qualquer equívoco cometido pelo contador, dificilmente será percebido pelo empresário.
Certa empresa iniciou suas atividades em 20XX. Em sua abertura, optou-se pelo regime tributário do Simples Nacional. Este regime pode ser utilizado por empresas com faturamento de até R$ 3,6 milhões no período de 12 meses.
O que muitos desconhecem é que a alíquota do imposto aumenta à medida que o faturamento da empresa também cresce, seguindo uma tabela progressiva.
No quarto mês de operação dessa empresa, ela já atingiu o limite permitido para o Simples Nacional e foi desenquadrada automaticamente, passando para o regime de Lucro Presumido.
Este foi o primeiro erro cometido pelo empresário junto com o seu contador. Não se levou em conta as projeções futuras de faturamento para a escolha do regime tributário. Como ele foi informado, possivelmente por seu contador, que a empresa poderia ser enquadrada no simples, pagando apenas 6% de impostos, de bate pronto houve esta concordância.
3 meses após o início das atividades, a empresa já recolhia mais de 15% de impostos pelo Simples Nacional. Mas este não foi o único erro do contador. Não bastasse o desenquadramento, o contador continuou a emitir as guias de recolhimento pelo Simples nos meses e anos seguintes.
O correto seria emitir as guias de recolhimento dos impostos pelo Lucro Presumido (P*s / Cofins / IRPJ / CSLL) e não mais o DAS. Mais uma vez, por falta de conhecimento do empresário, o erro se perpetuou por mais de 4 anos e só foi descoberto quando a empresa sofreu fiscalização por parte da Receita Federal.
O custo total entre multa e juros para regularizar este passivo tributário decretou a falência da empresa que, a princípio, era rentável.
Outro exemplo de que a falta de conhecimento do empresário e a total confiança no contador pode trazer problemas para empresa estão nas informações apresentadas no Balanço e no Demonstrativo de Resultado.
Estes dois relatórios são fundamentais para o bom controle da empresa. O Balanço Patrimonial demonstra a evolução do patrimônio da empresa ao longo dos anos. Nele temos a relação de todos os ativos da empresa (caixa / bancos / estoques / bens materiais), todos passivos (tributos a recolher / folha e encargos / empréstimos e financiamentos), além do Patrimônio Líquido da empresa (Capital Social / Lucros ou Prejuízos acumulados).
Já o Demonstrativo de Resultados reflete se a empresa é ou não lucrativa em um período específico. Ambos os relatórios precisam apresentar os mesmos resultados.
Em determinado ano, o contador cometeu um erro e lançou na conta de ativo clientes, um valor muito superior ao que realmente a empresa tinha a receber. Este erro pode até favorecer a empresa em caso de solicitação de empréstimos bancários, mas trata-se de fraude.
Outro erro cometido no mesmo balanço e também no DRE, foi em relação ao lucro apontado em ambos relatórios. Este valor deve ser igual nos dois documentos, o que não foi respeitado.
A empresa teve negado uma linha de crédito junto a uma instituição financeira, por conta dos documentos com informações divergentes. A falta desta linha de crédito prejudicou muito o fluxo de caixa da empresa e fez com que os seus diretores optassem pela demissão de funcionários para equilibrar o caixa, sem o pagamento das verbas rescisórias.
Se houvesse uma revisão prévia por parte da empresa, esse problema poderia ter sido evitado.
Por isso friso que o empresário deve sempre desconfiar dos seus números. Deve procurar de todos os meios encontrar uma forma de se certificar que os mesmos estão corretos.
Caso o empresário não saiba como fazer, recomendo que procure auxílio externo.
Se você tem alguma dúvida ou quer saber mais sobre esse assunto, entre em contato conosco.
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