23/07/2026
O Brasil registrou em maio o maior índice de inadimplência do crédito desde o início da série histórica do Banco Central, em 2011.
4,7% de inadimplência total. 5,6% entre as famílias. 3,24% entre as empresas.
Não são números isolados. São o resultado acumulado de um ciclo prolongado de juros elevados sobre a capacidade de pagamento de consumidores e empresas.
O crédito livre dá o sinal mais claro.
A inadimplência nesse segmento chegou a 6,2% em maio. No cartão de crédito rotativo, a taxa atingiu 439,9% ao ano. O crédito rural também preocupa — a inadimplência acima de 90 dias avançou para 7,6%, mais que o dobro do registrado um ano antes.
Ao mesmo tempo, o estoque total de crédito do sistema financeiro chegou a R$ 7,3 trilhões, com expansão de 9,5% em 12 meses. O mercado segue crescendo — mas a qualidade da carteira se deteriora na mesma direção.
E o horizonte não alivia.
Projeção do IBEVAR em parceria com a FIA Business School estima que a inadimplência das pessoas físicas no crédito livre pode superar 8% em agosto e setembro nos cenários mais pessimistas. O endividamento das famílias permanece em 49,8% da renda acumulada em 12 meses.
O que esse cenário revela sobre o cooperativismo.
Em momentos de pressão sobre a capacidade de pagamento, o modelo cooperativista é colocado à prova de uma forma particular.
O cooperado não é um cliente gerenciado à distância. É o dono do sistema. Quando enfrenta dificuldade financeira, a cooperativa sente junto — porque o resultado do inadimplente impacta diretamente o patrimônio coletivo de todos.
Essa proximidade tem valor econômico real: a cooperativa conhece a realidade do negócio, acompanha o fluxo de caixa de perto e consegue agir antes que a dívida se torne irrecuperável. Historicamente, as cooperativas também mantêm crédito ativo em períodos de maior cautela — preservando o acesso ao financiamento justamente quando ele mais faz falta.