20/04/2019
Publiquei este texto há alguns dias e, agora, relendo, me dou conta da força e beleza desta palavra que usamos como semente do nosso negócio. Sarau é muito mais que uma "consultoria", é algo que faz-se necessário no mundo. Esta semana eu fiz parte de um livro, da Rede Héstia, que serviu como um gole do que está por vir no meu livro-solo. Pequenos legados que me mostram como a vida é grande e generosa em possibilidades. F**a o texto como mensagem de Páscoa, de deixar morrer o que não serve para brotar lindas possibilidades em nós. Andréa Fortes.
"Faz pouco mais de 12 anos que a palavra Sarau consolidou um pedaço de mim. Tínhamos, eu e o meu sócio, o desafio de rascunhar num "papel de pão" o que viria a ser uma "nova" empresa, nascida e criada na Terra da Garoa, um desafio e tanto para gaúchos empreendedores já cheios de histórias, mas também cheios de medo diante do tamanho da possibilidade. A Sarau nos tomou. Como palavra e como estilo de vida. Era o que sempre sonhamos e, ainda assim, demorou alguns bons anos para tomar sua forma e desabrochar pelas próprias pernas, sem o arremedo da "irmã mais velha", a Mais Comunicação.
De lá para cá, a Sarau cresceu. Não do tamanho que as pessoas costumam medir, mas em pessoas, parceiros e protótipos que nos ampliam como seres humanos. Nas últimas semanas eu, como "costureira de relações" andei costurando um potencial "novo produto" para amigos próximos. Chamei de "costura de biografias" e acabei desenhando, com eles, uma espécie de "currículo do novo mundo". Como parte do exercício, me coloquei como a que "rascunhou a própria história" (parte dela eu "passei a limpo" aqui no Linkedin, falando de mim) e pedi para 10 pessoas bem diferentes que me contassem / relembrassem histórias marcantes vividas com a Andréa Fortes. Chamei gente diversa, de vários momentos da minha vida, do colega de primário, aos 7 anos, ao amigo recente de quem sou "mentora" numa formação. De "recheio", pessoas que trabalharam comigo em diferentes momentos de Mais/Sarau e ex-clientes que, inevitavelmente, tornaram-se amigos.
Há quatro anos tivemos a missão de apresentar o significado da palavra Sarau para parceiros de diferentes países, num encontro do E3, grupo mundial de comunicadores B2B que tivemos a honra de participar. Resgatamos a origem da palavra: "Sarau" ("seranus", from Latin) is a cultural or musical event usually held in a private house where people meet to express or manifest themselves artistically". Das falas dos 10 coautores que trouxeram coisas de mim no exercício de feedback, que citei logo acima, veio muito desta origem de "sarau", de encontros em rodas de conversa, de escuta atenta, aprender junto, experenciar coisas que ampliam pessoas. Não importa muito se foram em empresas ou organismos (não sei mais onde atuamos, mas sei que tem a ver com grupos de pessoas que querem descobrirem-se como possibilidades), mas há sempre um quê de toch nos encontros que a Sarau propõe. Falamos em valor compartilhado (no sentido de "fazer com") ou em filosofia empresarial, explicando, como faria para minha filha de 6 anos que ajudamos as pessoas, que por acaso estão nas empresas, a entenderem por "causa de que" elas existem.
Eu terminei meu livro faz uma semana. Agora ele decanta suavemente nas mãos do meu editor querido, que cuidará do final da gestação deste filho que, como a Sarau, pode me surpreender como pessoa. No último capítulo, coloquei algumas perguntas bem biográficas para que o leitor que tenha fôlego de chegar até lá (ou para aquele, ousado, que prefere "começar pelo fim"), possa rascunhar de si para si, relembrando momentos marcantes e divisores de água na sua vida. No fim, e falando, enfim, do que importa, eu me dei conta nestas andanças todas que, por mais que o mundo esteja largo, globalizado e cheio de possibilidades, por mais que barbaridades estejam acontecendo e tirando o nosso sono, o que precisamos mesmo, como seres humanos, é de encontros simples e cuidadosos onde possamos nos ouvir e reconhecer como únicos. Se isto ainda tiver cara de trabalho, um tanto melhor. Que dentro ou fora das empresas, que nas escolas, nos encontros pela vida, possamos seguir nutridos com arte, encontros, pausas e conexões."