27/05/2026
Quantos tokens valem uma pessoa?
A pergunta pode parecer absurda, mas é o que muitas decisões de negócio têm insinuado quando colocam a promessa de eficiência da IA acima de tudo.
Nos últimos meses, empresas ao redor do mundo começaram a rever as demissões em massa feitas em nome da “transformação tecnológica”.
O motivo? O custo dos tokens (unidade de processamento de dados que define custos de tecnologia), somado à perda de conhecimento, diversidade de pensamento e confiança das equipes, não está fechando a conta.
Em vários casos, ficou claro que:
– Substituir pessoas por sistemas sem reestruturar processos gera mais ruído do que ganho;
– Padronizar o pensamento enfraquece a capacidade de inovar e responder a contextos complexos;
– Quando só um tipo de experiência permanece à mesa, a empresa perde leitura de mercado e competitividade.
Ao mesmo tempo, quando olhamos para quem está sendo mais atingido por essas demissões, são geralmente pessoas de grupos minorizados, justamente quem já ocupava posições mais precárias, mais operacionais, mais vulneráveis à ideia de “substituível”.
Aqui entra um paralelo importante com o conceito de token em DEI, quando a inclusão é simbólica ou superficial.
Em muitas organizações, pessoas de grupos minorizados são tratadas como “tokens”: servem para ilustrar campanhas, cumprir metas numéricas ou mostrar “diversidade” em apresentações, mas não têm poder real de decisão.
Quando chegam os cortes, essas mesmas pessoas são algumas das primeiras a sair. Na prática, é como se valessem menos do que uma aposta em tecnologia ou em manter estruturas de poder como estão.
Colocar o ser humano no centro da discussão sobre IA não é só falar de ética abstrata. É perguntar:
– Quem ganha e quem perde com essas escolhas?
– Quem é protegido e quem é considerado substituível?
– Como garantir que a adoção de IA não aprofunde desigualdades estruturais?
Na ImpulsoBeta, partimos de um princípio simples: trabalho bom é bom para todas as pessoas.
Isso inclui pensar tecnologia, eficiência e IA sem esquecer que, no fim, são pessoas diversas que mantêm organizações vivas, inovadoras e capazes de responder ao mundo real.