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Hoje 20 de novembro no Brasil comemoramos o Dia da Consciência Negra, em uma justa homenagem a Zumbi dos Palmares, morto...
20/11/2025

Hoje 20 de novembro no Brasil comemoramos o Dia da Consciência Negra, em uma justa homenagem a Zumbi dos Palmares, morto em 1695. A data foi instituída em 2011, pela Lei Federal 12.519 e, em 2023, tornou-se feriado nacional
"Vamos dar um Salve Hoje nesse feriado ao Mestre Milton Santos e a Sua Outra Geografia"
Nascido em 1926, em Brotas de Macaúbas, no sertão da Bahia e filho de professores, Milton Santos cresceu cercado por livros e ideias. Aprendeu desde cedo que o conhecimento é uma forma de libertação.

Milton se formou em Direito, mas foi na Geografia que encontrou sua vocação. Nos anos 1950, lecionou na Universidade Federal da Bahia e se destacou por suas ideias inovadoras sobre urbanização e desigualdade social.

Milton Santos recebeu, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, considerado o “Nobel da Geografia”. Mesmo no exterior, nunca deixou de se reconhecer como baiano e negro, identidade que marcou seu pensamento humanista e social.

Em fevereiro 2022, a Avenida Adhemar de Barros, localizada no bairro de Ondina, em Salvador, foi renomeada para Avenida Milton Santos, que simboliza um reconhecimento da sua importância para a Bahia, para o Brasil e para o mundo.

MAS SERÁ O BENEDITO?

Benedito Meia-Légua — o nome que ecoava como assombração entre os senhores de escravos — foi um dos maiores símbolos de resistência negra antes da abolição. Nascido Benedito Caravelas, viveu até 1885 e era conhecido por sua liderança natural e sabedoria adquirida em longas andanças pelo Nordeste.

Essas viagens lhe renderam o apelido de “Meia-Légua”. Sempre carregava consigo uma pequena imagem de São Benedito, que mais tarde ganharia um significado quase místico.

Com coragem e astúcia, Benedito reunia grupos de negros insurgentes para atacar fazendas, libertar escravizados e causar grandes prejuízos aos senhores. Sua mente estratégica era admirável: organizava pequenas células de combate, cada uma liderada por alguém vestido exatamente como ele. Assim, quando um dos líderes era capturado, Benedito reaparecia em outra rebelião — e os fazendeiros começaram a acreditar que ele era imortal. Sempre que surgia uma nova revolta, ecoava a pergunta: “Mas será o Benedito?”

A lenda cresceu após um episódio marcante. Benedito foi capturado em São Mateus (ES), amarrado pelo pescoço e arrastado por um capitão do mato. Declarado morto, foi sepultado no cemitério dos escravos da igreja de São Benedito. No dia seguinte, seu corpo havia desaparecido. No chão, apenas pegadas ensanguentadas levavam para o mato. A história dizia que o próprio São Benedito o havia protegido.

Durante mais de quarenta anos, ele e seu quilombo resistiram bravamente, golpeando o sistema escravocrata. Já velho, manco e doente, Meia-Légua foi encontrado dormindo dentro de um tronco oco de árvore — seu último refúgio. Um caçador o denunciou, e seus perseguidores atearam fogo ao esconderijo.

Quando as chamas se apagaram, restava apenas a pequena imagem de São Benedito.

O legado de Meia-Légua permanece como símbolo de coragem, fé e luta pela liberdade. Todos os anos, no dia 1º de janeiro, o cortejo do Ticumbi busca a imagem de São Benedito no Córrego das Piabas e a leva até a igreja, em uma encenação emocionante que mantém viva a memória do herói que fez os poderosos temerem e o povo perguntar: “Mas será o Benedito?”

Hoje 20 de novembro no Brasil comemoramos o Dia da Consciência Negra, em uma justa homenagem a Zumbi dos Palmares, morto...
20/11/2025

Hoje 20 de novembro no Brasil comemoramos o Dia da Consciência Negra, em uma justa homenagem a Zumbi dos Palmares, morto em 1695. A data foi instituída em 2011, pela Lei Federal 12.519 e, em 2023, tornou-se feriado nacional
"Vamos dar um Salve Hoje nesse feriado ao Mestre Milton Santos e a Sua Outra Geografia"
Nascido em 1926, em Brotas de Macaúbas, no sertão da Bahia e filho de professores, Milton Santos cresceu cercado por livros e ideias. Aprendeu desde cedo que o conhecimento é uma forma de libertação.

Milton se formou em Direito, mas foi na Geografia que encontrou sua vocação. Nos anos 1950, lecionou na Universidade Federal da Bahia e se destacou por suas ideias inovadoras sobre urbanização e desigualdade social.

Milton Santos recebeu, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, considerado o “Nobel da Geografia”. Mesmo no exterior, nunca deixou de se reconhecer como baiano e negro, identidade que marcou seu pensamento humanista e social.

Em fevereiro 2022, a Avenida Adhemar de Barros, localizada no bairro de Ondina, em Salvador, foi renomeada para Avenida Milton Santos, que simboliza um reconhecimento da sua importância para a Bahia, para o Brasil e para o mundo.

Uma das raras fotografias de um navio negreiro.
Registrada por Marc Ferrez, em 1882, quando o tráfico atlântico já estava oficialmente proibido, mas suas sombras ainda respiravam nos portos e enseadas escondidas do Brasil.

É uma imagem que não deveria existir — e, exatamente por isso, carrega um peso que atravessa séculos.

Ferrez, reconhecido por suas paisagens, retratos de cidades e documentação da modernização do Brasil, captou aqui algo completamente diferente:
o fantasma vivo de um crime que marcou o país e o mundo.

O navio já não transportava pessoas naquele momento. A fotografia mostra o casco silencioso, o convés vazio, as cordas soltas ao vento. Mas, para quem sabe ver, cada tábua guarda uma memória que não pode ser apagada. Ali, décadas antes, corpos foram acorrentados, nomes foram destruídos, línguas silenciadas — e vidas, arrancadas de suas próprias raízes.

A imagem não mostra o horror diretamente.
Mostra a ausência.
E essa ausência ecoa mais alto que qualquer grito.

Ferrez registrou aquele navio num Brasil que ainda tentava fingir que o que ocorrera ali não passava de passado distante — quando, na verdade, tudo ainda estava vivo nos corpos, nos sobrenomes, na arquitetura, nas senzalas, nos hábitos sociais, nas desigualdades profundas que sobreviveram ao século.

O navio, porém, não mente.
Ele está ali, parado, mudo, mas cheio de história.
Um objeto que foi máquina de sofrimento, agora observado pela lente de um homem que compreendia o poder da imagem.

Alguns historiadores dizem que fotografias como essa valem pela força documental.
Mas talvez valham ainda mais pela força moral.

Porque elas obrigam a olhar.
Obrigam a lembrar.
Obrigam a reconhecer que o passado não está morto — apenas dorme nos cantos esquecidos das nossas narrativas.

Marc Ferrez, consciente ou não, capturou o último sopro de uma era brutal que ainda não havia sido enterrada. Uma fotografia que não deveria existir… mas precisava existir.

E cada vez que alguém a vê, algo silencioso acontece:
um país inteiro é convocado a encarar a verdade que insiste em atravessar o tempo.

Endereço

Largo Do Paysandu, 62/sala 903, Centro Histórico De São Paulo/SP
São Paulo, SP
01034-010

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