Cervesia CERVESIA ®
Consultoria em Tecnologia Cervejeira e Gestão de Processos

> Empresa de consultoria e assessoria do ramo cervejeiro;
(https://www.cervesia.com.br/cervesia/sobre-nos-cervesia.html)

> Suporte para microcervejarias e Desenvolvimento de projetos que englobam todas as fases de um novo empreendimento, desde o estudo de viabilidade, dimensionamento dos equipamentos, instalações fabris e periféricos, desenvolvimento de cervejas, definição e implantação do proces

so produtivo, treinamento in loco ao acompanhamento de start-up do setor produtivo, com o objetivo de auxiliar o corpo técnico, identif**ando possíveis problemas, diminuindo perdas e acelerando a otimização do processo;
(https://www.cervesia.com.br/cervesia/entao-por-que-nos.html)

> Treinamentos técnicos - Cursos e Workshop (https://www.cervesia.com.br/servicos-cervesia/treinamentos.html)

11/12/2025

O mercado brasileiro de microcervejarias em 2025

A trajetória das microcervejarias no Brasil segue o movimento iniciado nos Estados Unidos, na década de 1970, quando os consumidores se mostraram cansados das cervejas tradicionais, produzidas em grandes quantidades, e ansiavam por produtos diferenciados, que atendessem as suas necessidades.

A primeira microcervejaria brasileira pode ser considerada a Bavarium Bierpark, fundada em Curitiba – Paraná, em 1986. Funcionava como um brewpub, onde a cerveja estava associada à gastronomia.

A evolução do mercado

No ano de 2000, o Brasil possuía cerca de 40 estabelecimentos registrados. Em 2024, já tínhamos cerca de 1.949 estabelecimentos, o que representa um crescimento de 4.772%.

O segmento de cervejas especiais (“premium”) é o que mais cresce no Brasil e a maior parte deste crescimento foi promovido pelas microcervejarias. Os grandes grupos cervejeiros se aproveitaram desta abertura de mercado e logo começaram a trazer as suas marcas internacionais, primeiro como cervejas importadas, depois com produção local.

As cervejas especiais (também chamadas de “premium) estão se tornando componente obrigatório dos cardápios dos estabelecimentos ligados à gastronomia. O que antes era espaço ocupado quase que exclusivamente pelo vinho, agora é compartilhado com dezenas de estilos de cervejas diferenciadas, de baixa e alta fermentação, claras e escuras, mais encorpadas ou mais leves.

Tal aumento de interesse e visibilidade se deve ao aumento da demanda dos consumidores brasileiros por estas cervejas diferenciadas, que cada vez mais tem ocupado espaço na mídia, nas prateleiras dos supermercados e nas mesas de bares e restaurantes.

Brasil – O terceiro maior produtor mundial de cerveja

O Brasil ocupa hoje a terceira posição mundial na produção de cerveja, com produção de 14,74 bilhões de litros, atrás apenas da China (34,1 bilhões de litros) e Estados Unidos (18,45 bilhões de litros), superando o México (14,49 bilhões de litros) e a Rússia (9,0 bilhões de litros). O consumo per capita/ano no Brasil encontra-se em torno dos 67 litros.

Os 10 maiores países produtores mundiais de cerveja (2024)
Posição País Volume (milhões de hl) % produção mundial
1 China 341 18,2
2 Estados Unidos 184,5 9,8
3 Brasil 147,4 7,9
4 México 144,9 7,7
5 Rússia 90,8 4,8
6 Alemanha 83,9 4,5
7 Japão 44,8 2,4
8 Espanha 41,3 2,2
9 África do Sul 37,0 2,0
10 Reino Unido 36,1 1,9

Fonte: Barth Hass Report 2025

A distribuição das cervejarias no Brasil

A região Sudeste segue liderando com o maior número de cervejarias no país, com um total de 889 cervejarias (45,6% do total), seguido do Sul - com 774 cervejarias (39,7%), Nordeste - com 148 cervejarias (7,3%), Centro Oeste - com 99 cervejarias (5,1%) e o Norte - com 45 cervejarias (2,3%).

O estado de São Paulo segue liderando como a unidade da federação com maior número de cervejarias registradas, com 427 estabelecimentos. Santa Catarina é a unidade da federação com maior crescimento absoluto no número de estabelecimentos em relação a 2023, apresentando um aumento de 25 cervejarias, o que representa um crescimento de 11,1% para o estado.

O mercado brasileiro de cervejas especiais

Em 2000, ou seja, há 25 anos atrás, o Brasil já contava com cerca de 40 microcervejarias. Muitas destas microcervejarias produziam as suas cervejas dentro de estabelecimentos voltados para o entretenimento ou associadas à gastronomia. Na época, o consumidor brasileiro ainda não cultivava o gosto por cervejas diferenciadas, preferindo cervejas com características próximas das industrializadas.

O portifólio de produtos não era tão amplo com o atual, porém já havia cervejas Stout, Red, Light, Lambic, Bock, Amber, Weizen e cervejas claras, de baixa fermentação, mais encorpadas e com teor de amargor variado.

Também se criou o hábito de não filtrar algumas cervejas, o que inicialmente causou estranheza nos consumidores, acostumados a beberem apenas cervejas filtradas.
Esta mudança de hábitos de consumo exigiu muito esforço por parte das microcervejarias e brewpubs, uma vez que não havia o hábito e cultura de se apreciar outros estilos de cerveja que fossem diferentes das Lagers industriais.

Atualmente, os estilos de cerveja de fermentação Lager (Lager Leve Clara, Pilsener e outras Lagers), representam 99,63% do volume de produção de cerveja declarado.
Os estilos Malzbier e IPA, representam, respectivamente, 0,3% e 0,2% da produção brasileira.
Outro dado interessante é o crescimento das cervejas sem álcool (ou desalcoolizadas) e com baixo teor alcoólico.

O volume de produção declarado para a cerveja sem álcool observou o incrível aumento de 536,9%, partindo de 118.924.317,44 litros em 2023, quando representava apenas 0,8% do volume total de cerveja, para 757.444.322,53 litros em 2024, representando 4,9% do volume de cerveja brasileiro.
Isso pode indicar uma mudança no perfil de consumo.

Perspectivas futuras

Como quase todos os setores hoje, as cervejarias estão passando por um período de mudanças radicais, promovidas por crises globais, mercados voláteis, guerras comerciais e mudanças no comportamento do consumidor. Esse cenário apresenta grandes desafios para os produtores de matérias primas, comerciantes e cervejeiros em igual medida.

Os eventos climáticos extremos estão afetando cada vez mais as safras de matérias primas (malte, lúpulo). Os custos de produção estão aumentando e as vendas de cerveja estão abaixo das expectativas em muitos mercados. Isso afeta diretamente todos os elos da cadeia de produção – da plantação até a cervejaria.

A produção mundial de cerveja apresentou um declínio mínimo de aproximadamente 6 milhões de hl (-0,3%) em 2024, levando a produção total a 1.875 milhões de hl. Além disso, as taxas de lupulagem estavam em declínio, o que resultou em uma demanda por lúpulo 1% menor.

A tendência de aumento das cervejas comuns e das variantes sem álcool e com baixo teor alcoólico continuou em 2024. Isso explica em parte a queda na taxa média de lupulagem por hectolitro.

Uma diminuição na dosagem média de lúpulo pode ser observada até mesmo no segmento de cervejas artesanais (devido ao uso crescente de produtos de lúpulo mais eficientes e a uma mudança nos estilos), com a adoção de estilos tradicionais de cerveja de baixa fermentação (cervejas Lager), que exigem apenas o uso moderado de lúpulo.

Esse desenvolvimento não é apenas evidente nos Estados Unidos, mas está surgindo como uma tendência internacional.
Além da tendência por cervejas mais leves, outros fatores estão contribuindo para a queda na demanda por lúpulo, especialmente nos países ocidentais (produtores tradicionais de cervejas).

Dentre esses fatores, podemos citar o envelhecimento das populações, as novas tendências de consumo combinadas com uma variedade signif**ativamente maior de bebidas e, não menos importante, uma queda do poder aquisitivo em um ambiente inflacionário.

Também existe o risco de que o aumento das tensões geopolíticas e das disputas comerciais iniciadas pelos Estados Unidos pressione ainda mais o comportamento do consumidor e complique cada vez mais o comércio internacional.

O cenário permanece extremamente desafiador, com uma indústria cervejeira tendo que lidar com um aumento dos custos de produção devido à energia, materiais e mão de obra. E em alguns casos, com uma queda na demanda, com consumidores cada vez mais conscientes com relação aos custos e ávidos por preços baixos no mercado.

Devido a esse cenário, tanto as cervejarias quanto os comerciantes e os consumidores finais estão sob enorme pressão econômica. E baseado nisso, podemos esperar uma queda perceptível no número de cervejarias em operação.

Fontes:
- Anuário da Cerveja 2025 - MAPA
- Bath Haas Report 2024-2025

Matthias Rembert Reinold - Mestre Cervejeiro Diplomado (Diplom-Braumeister – V.L.B – T.U. Berlin)

Como ocorrem as perdas de cerveja/chope no ponto de venda?Estas perdas ocorrem geralmente através de erros de registro n...
21/08/2025

Como ocorrem as perdas de cerveja/chope no ponto de venda?

Estas perdas ocorrem geralmente através de erros de registro no caixa, quebra de garrafas, engate incorreto no barril e furto de bebidas por parte do pessoal.

Devemos calcular a perda das bebidas, pois as maiores perdas ocorrem na extração do chope. Volumes de perda aceitáveis oscilam entre 3% e 5%, mas em instalações de maior porte, podem chegar a 10%.

Abaixo estão relacionadas as perdas de extração de chope que podem ocorrer. Elas dependem, é claro, da tecnologia do sistema de chope e da construção do balcão.

O cálculo abaixo foi efetuado com um sistema de resfriamento de barris no balcão em uma casa de chope normal, ou seja, portanto com mangueiras (tubulações) de chope relativamente curtas.

Principalmente, é servida cerveja Lager (Pilsen) em copos de 300 ml (0,3 litro):
- Drenagem diária antes da venda da primeira cerveja, 1 copo de 300 ml (0,3 litro) por to****ra e dia de trabalho. 2 copos de 300 ml (0,3 litro) no novo barril.
- Consumo pela equipe, consumo próprio, público habitual: em um pequeno bar, diariamente 2 - 3 x 300 ml (0,3 litro) de cerveja.
- Cerveja grátis: 1 × 50 litros para ações de marketing.
- Derramamento de copos: Perdas de bebida devido ao derramamento de copos ocorreram por causa de ajudantes, 3 copos de 300 ml (0,3 litro) por semana.
- Transbordamento dos copos pelo pessoal no final do barril com os últimos 5 litros: 1 copo de 300 ml (0,3 litro) por barril
- Perda de limpeza em sistemas de chope a cada 14 dias: Aproximadamente 26 limpezas por ano devem ser contabilizadas como perdas de bebida. Por limpeza e linha de chope, 300 ml (0,3 litro).
- Por ano, em média, um barril de cerveja é perdido devido ao engate errado.

Principais causas das perdas de chope

Excesso ao servir:
O copo é preenchido além da linha de enchimento ou a cerveja é servida muito rapidamente, o que leva a um excesso.

Formação de espuma:
Muita ou pouca espuma ao servir pode levar a perdas. Cerveja muito quente ou muito fria, assim como problemas com o equipamento de extração de chope, podem favorecer isso.

Derramar:
A desatenção ou a ação apressada podem levar a que a cerveja seja derramada.

Consumo pessoal/Cerveja gratuita:
Funcionários bebem cerveja, ou ela é servida como bebida gratuita sem controle.

Perdas de limpeza:
Durante a limpeza do sistema de to****ra e das tubulações, ocorrem perdas inevitáveis.

Perdas por engate:
Erros ao engatar um novo barril também podem levar a perdas.

Sistema de extração de chope com defeito:
Um sistema de extração de chope que não funciona corretamente ou está instalado de forma inadequada pode levar a perdas evitáveis.

Matthias R. Reinold – Mestre Cervejeiro Diplomado (V.L.B. – T.U.B Berlin)

Perspectivas para o mercado cervejeiro O mercado cervejeiro mundial passa por mudanças em termos de volumes produzidos e...
13/06/2025

Perspectivas para o mercado cervejeiro

O mercado cervejeiro mundial passa por mudanças em termos de volumes produzidos e estilos de cerveja que estão ganhando a preferência dos consumidores.

O mercado brasileiro tem crescido a taxas menores, demonstrando que já passamos do “boom” das microcervejarias, onde o pico do aumento anual de estabelecimentos registrados ocorreu em 2016, com 48,5% de aumento sobre o ano anterior. Em 2023 houve um aumento de 6,8% sobre o período anterior.

O mercado brasileiro tem apresentado aumento no número de estabelecimentos registrados. Segundo o MAPA, em 2023 tínhamos 1.847 estabelecimentos registrados, porém a curva de crescimento tem se achatado ano a ano. Aos poucos o mercado vai se mostrando mais saturado, reduzindo as oportunidades de negócios, principalmente nas regiões Sudeste e Sul do país.

O Estado de São Paulo lidera, com 410 microcervejarias, seguido do Rio Grande do Sul (335), Minas Gerais (235), Santa Catarina (225) e Paraná (171). Existe pelo menos uma cervejaria registrada em 13,8% dos municípios brasileiros.

Estilos de cerveja produzidos no Brasil

Em 2023, houve um aumento de 6,6 % em relação ao total de produtos registrados em 2022, o que representa 2.817 registros a mais. Com isso, verif**a-se considerável variedade de cervejas para o mercado de consumo, visto que o total de produtos registrados alcançou em 2023 a marca de 45.648.

São Paulo é o estado com maior número de cervejas registradas, com 13.654 e além de possuir o maior número de cervejas registradas, São Paulo também detém a média mais elevada, com 33,3 produtos registrados por estabelecimento.

Por outro lado, o Amapá segue sendo a unidade da Federação com o menor número de cervejas registradas, contando com apenas 5 produtos, sendo, também, o estado com a menor média de produtos por estabelecimento, com a marca de 2,5.

A exemplo do que ocorre para estabelecimentos registrados, percebe-se uma concentração de registros de produtos nas regiões Sul e Sudeste, com a marca de 91,9% de todos os produtos registrados em cervejarias do país.
Em termos de estilos de cerveja, em 2023, 29,2% do volume de produção de cerveja declarado são referentes à Cerveja Puro Malte (ou 100% Malte).

O estilo de cerveja com maior volume de produção declarado é o Lager Leve Clara, com 7,9 Bilhões de litros, o que corresponde a 51,48% da produção nacional. Na segunda e terceira posições, estão os estilos “outras Lagers” e “Pilsener”, respectivamente com 3,7 bilhões e 3,5 bilhões de litros, ou 24,42% e 23,17% da produção brasileira. Juntos, esses três estilos de cerveja correspondem a 99,08% da produção nacional de cerveja.

Outros estilos representativos são a Malzbier e a IPA, respectivamente com 41,3 milhões e 33,0 milhões de litros, ou 0,27% e 0,22% da produção brasileira. O estilo com menor volume de produção declarado é o Scottish Ale, com 15,02 mil litros.

Apenas 0,8% do volume de produção de cerveja declarado em 2023 é referente à Cerveja sem Álcool ou Cerveja Desalcoolizada (teor alcoólico inferior ou igual a 0,5 %), e 0,3% referente à Cerveja com Teor Alcoólico Reduzido ou Cerveja de Baixo Teor Alcoólico (teor alcoólico superior a 0,5% e inferior ou igual a 2%).

Principais tendências do mercado cervejeiro mundial para 2025

Em 2025, a indústria cervejeira será moldada por várias tendências que afetam tanto os consumidores quanto as cervejarias. Aqui estão algumas das principais tendências:

Sustentabilidade: os consumidores estão cada vez mais conscientes do impacto de suas decisões no meio ambiente, o que leva a uma maior demanda por cervejas locais e artesanais.
Uma das tendências que tem tomado forma nos últimos anos é a mudança para métodos de produção mais sustentáveis e otimizados. Os consumidores estão cada vez mais conscientes do impacto das suas escolhas no meio ambiente, o que levou a uma maior procura por cervejas locais e artesanais. Isso levou as cervejarias a focarem não apenas no sabor, mas também na origem dos seus ingredientes e nos métodos de produção.

Variedades de lúpulo inovadoras: o desenvolvimento de novas variedades de lúpulo irá desempenhar um papel importante no mercado de cerveja. Como exemplo podemos citar os lúpulos Strata, que são uma variedade de lúpulo única desenvolvida pela Indie Hops em colaboração com a Oregon State University.
Sua origem data de 2009 e foi oficialmente lançada em 2018, tornando-se uma adição relativamente nova ao mercado de lúpulos. Oferece uma mistura complexa de sabores, incluindo morango, maracujá, grapefruit, notas terrosas, com um toque de pinho. Trata-se de um lúpulo versátil e pode ser usado em vários estilos de cerveja, particularmente IPA´s e New England IPA´s, devido ao seu alto conteúdo de ácidos alfa, que contribuem tanto para o aroma quanto para a amargor.

Cervejas sem álcool ou com teor alcoólico reduzido: cada vez mais consumidores optam por este estilo de cerveja, especialmente durante eventos sociais. Isso se deve ao fato de que oferecem a possibilidade de desfrutar do sabor da cerveja sem os efeitos colaterais de altos teores alcoólicos.

A ascensão das cervejas de baixo teor alcoólico não é apenas uma tendência, mas uma mudança na forma como as pessoas consomem cerveja. A resposta das cervejarias é o desenvolvimento de cervejas inovadoras e saborosas com um teor alcoólico mais baixo.
Os perfis destas cervejas são variados, desde IPA´s lupuladas até cervejas frutadas, onde a disponibilidade de opções de baixo teor alcoólico está crescendo. Os consumidores estão buscando uma bebida refrescante sem os efeitos do álcool.
Os processos de produção atuais permitem obter cervejas sem álcool com as mesmas características sensoriais das cervejas alcoólicas.

As cervejarias artesanais

As cervejarias artesanais desempenham um papel importante nas inovações e na introdução de novos produtos. Apesar dos desafios que enfrentam, como o fechamento de cervejarias e a eliminação de marcas, algumas microcervejarias de maior porte conseguiram se reposicionar e entrar com sucesso em novos mercados.

Este desenvolvimento levou a uma dinâmica interessante dentro do setor. Cervejarias de grande porte tem adquirido microcervejarias, que já possuem um portifólio de estilos interessantes, que já conquistaram um nicho de mercado. Outras microcervejarias tem formado conglomerados, com fábricas em vários estados, de modo a reduzir custos e otimizar a logística de distribuição.

Há uma crescente colaboração entre as cervejarias artesanais e a terceirização da produção de cervejas para quem não possui uma cervejaria (cerveja “cigana”) e deseja entrar neste mercado. Com isso surgem novas oportunidades de negócio.

É importante que as cervejarias ouçam os seus consumidores, que desempenham um papel crucial nesta dinâmica através das suas preferências e feedback, que influenciam as cervejarias na sua tomada de decisão.

O uso de plataformas digitais

Os consumidores estão utilizando cada vez mais as plataformas digitais para comprar e descobrir novas cervejas. Houve uma aceleração deste processo durante a última pandemia, onde houve um aumento substancial de compras pela internet, uma vez que a compra física estava sendo restringida. Isto facilitou o acesso dos consumidores a uma gama mais ampla de cervejas, incluindo edições únicas e limitadas

É uma tendência que mostra que a indústria cervejeira precisa se desenvolver e se adaptar às mudanças dos consumidores e às condições de mercado. Sendo assim, as cervejarias devem desenvolver soluções e produtos inovadores para atender às novas expectativas dos consumidores e garantir sua participação em um mercado cada vez mais competitivo e saturado.

O estilo Lager

Nos próximos anos deve haver um crescimento dos estilos de Lager. O consumidor procura por cervejas refrescantes e fáceis de beber, e as cervejarias continuarão a experimentar novas variedades de lúpulo e novas técnicas de produção, para desenvolver Lagers com características únicas.

As cervejarias deverão manter o foco na qualidade e na produção artesanal, para que se mantenha o retorno à origem da produção artesanal de cerveja. Deverá haver uma valorização dos estilos tradicionais de cerveja como Pilsen e Helles.

Uma nova tendência são as Hop Lagers (Lagers mais lupuladas), que combinam o sabor refrescante das Lagers (Pilsens) tradicionais com os complexos aromas de lúpulo que normalmente associamos às IPA´s.

As Lagers leves são ideais para quem aprecia o amargor das IPA´s, mas não deseja o sabor encorpado de uma IPA tradicional.

Normalização da cerveja artesanal

A normalização da cerveja artesanal é regulamentada pela IN (Instrução Normativa) e estabelece classif**ações, denominações, ingredientes permitidos e proibidos, e padrões de rotulagem para a cerveja.
A cerveja artesanal é definida como aquela produzida por cervejarias independentes, registradas no MAPA, com produção máxima de 416 mil litros por mês. Essa definição está alinhada com a BA - Brewers Association, associação norte-americana de cervejeiros artesanais, que também considera a produção em menor escala e o foco na qualidade dos insumos tradicionais e no sabor do produto final.

O que antes era visto como um mercado de nicho, agora é uma parte integral da cultura da cerveja. Os consumidores já passaram a considerar as cervejas artesanais como uma opção normal de consumo.

A exposição crescente destas cervejas nas prateleiras dos supermercados já demonstra que a cerveja artesanal já não é apenas para os “conhecedores de cerveja”, mas também para todos aqueles que desejam desfrutar de outros estilos de cerveja que não apenas os das grandes cervejarias.

Uma questão de sobrevivência

O empreendedor não deve apenas focar apenas no número de estilos de cerveja que irá produzir ou em embalagens diferenciadas, mas seu foco deve ser principalmente na gestão de seu negócio.

Este é um componente vital que na maioria das vezes, é totalmente negligenciado pelo gestor. Investimentos malfeitos em instalações, equipamentos ou mesmo na contratação da mão de obra levam a custos e desperdícios desnecessários, além de comprometer decisivamente a qualidade do produto cerveja.

No segmento cerveja não há espaço para amadorismo, falta de embasamento técnico e experiência prática comprovada para que um projeto seja bem-sucedido desde a sua concepção até a partida da cervejaria.

Fontes:
- Dados do MAPA
- Dados do mercado internacional

Matthias Rembert Reinold – Mestre Cervejeiro Diplomado (V.L.B – T.U. Berlin)

Como se preparar para uma crise?Os tempos atuais nos trazem mais desafios do que os que enfrentamos nas últimas décadas....
29/11/2024

Como se preparar para uma crise?

Os tempos atuais nos trazem mais desafios do que os que enfrentamos nas últimas décadas. Não temos mais uma situação de estabilidade política ou econômica. Também há uma preocupação crescente com os eventos climáticos extremos, provocados pelo homem ou não.

Em momentos de crise, como as atuais incertezas políticas, econômicas, desastres naturais etc, enfrentadas pelo Brasil e diversos outros países, uma gestão empresarial inadequada pode levar a prejuízos irreparáveis, levando muitas vezes à sérios problemas financeiros ou mesmo à falência da empresa.

Eventos desafiadores podem surgir a qualquer momento, principalmente quando são imprevisíveis. Eles podem ter diversas origens, como guerras, catástrofes climáticas, insegurança de toda natureza, e amanhã poderá ser uma crise mais longa, como uma crise hídrica ou mesmo energética. Ou até mesmo um outro evento pandêmico ou convulsões sociais com os seus resultados imprevisíveis.

Com o advento da última pandemia mundial, as maiores economias mundiais foram afetadas, e houve aceleração de uma série de processos de mudança. Hoje ainda temos uma parcela da população trabalhando em regime de home office, a logística de entrega de mercadorias foi aperfeiçoada - encomendas são entregues no mesmo dia ou no dia seguinte à compra, a telemedicina se tornou realidade.

A rapidez com que essas mudanças tiveram que ser implementadas representou a sobrevivência de muitas empresas.

Como enfrentar todos esses desafios, mantendo o controle do negócio e assegurando a sobrevivência da empresa? Algumas ações podem ser empreendidas para se efetuar a gestão de crise. É necessária a elaboração de um plano de ação com o objetivo de reduzir os impactos provocados por uma situação adversa e também procurar evitar que o problema ocorra novamente no futuro.

Uma empresa estará sempre sujeita a passar por momentos de crise (originada por fatores internos ou externos), não importando o seu porte ou o mercado em que atua, seja ela uma crise de origem administrativa, financeira, fiscal, tecnológica ou mesmo crimes cibernéticos.

Além dos fatores internos anteriormente mencionados, um plano de gerenciamento de crises ou plano de contingência, deve abordar questões relativas aos aspectos técnicos do processo de produção, como as que envolvem a segurança patrimonial e pessoal - invasões, acidentes de trabalho, tempestades, enchentes, deslizamentos, incêndios, riscos elétricos etc.

É muito importante desenvolver procedimentos e planos de ação para os riscos relacionados com o processo de produção e envasamento da cerveja:
- Tanques e equipamentos que trabalham sob pressão (compressores, geradores de v***r etc)
- Transbordamento de mosto do cozedor de mosto
- Cilindros de gases (CO2, O2 etc) – transporte e armazenamento
- Armazenamento de líquidos inflamáveis (combustíveis)
- Armazenamento, transporte e utilização de produtos químicos
- Sistemas de mangueiras (cervejeiras, CIP, ar comprimido etc)
- Utilização de escadas portáteis
- Utilização de paleteiras/empilhadeiras
- Explosão de garrafas de vidro
- Segurança do trabalho e EPI´s
- Presença de gases em ambientes confinados (CO2)
- Trabalho em altura
- Pisos e canaletas
- Eliminação do pó de malte na sala de moagem
- Segurança dos acessórios (válvulas, conexões, visores de vidro etc)
- Segurança das instalações elétricas
- Etc

Para que se efetue um gerenciamento ef**az de crise, devemos observar alguns pontos importantes:

- Efetuar um diagnóstico realista da situação atual (“fotografia da situação atual);
- Investigar a causa principal dos problemas a serem enfrentados;
- Identif**ar os aspectos de negócio mais afetados pela crise;
- Elaborar um plano de ação consistente (definir metas e métodos);
- Medir e acompanhar os resultados da execução do plano de ação;
- Promover uma comunicação eficiente a todos os envolvidos no esforço;
- Revisar o planejamento periodicamente - no mínimo anualmente (efetuar o ciclo PDCA).

O gestor possui um papel de extrema importância na gestão empresarial da empresa, uma vez que é o responsável por liderar a sua equipe de trabalho, e adota as melhores estratégias para que a empresa alcance os resultados necessários à sua continuidade.

Ele deve utilizar seus conhecimentos teóricos e práticos, além de inteligência emocional, e estar preparado para adotar todas as medidas necessárias, rever o planejamento e propor mudanças que garantam a sobrevivência da organização (giro do PDCA = Planejar, Executar, Verif**ar e Agir corretivamente).

Desse modo, os esforços empreendidos de modo sistemático visam reduzir os impactos provocados por qualquer tipo de crise e permitem que a empresa possa se recuperar mais rapidamente, garantindo a manutenção dos seus negócios e a sua sobrevivência.

A prioridade sempre será a equipe de trabalho, que deve ser preservada a qualquer custo. E devemos nos lembrar de que de nada adianta um excelente plano de ação, se ele permanecer na gaveta, sem ser executado e revisto periodicamente.

Não podemos nos esquecer de que na equipe de trabalho devemos possuir integrantes que reúnam as características do chamado CHA = Capacidade, Habilidade e Atitude.

Como já dizia Benjamin Franklin: " Ao não se preparar, você está se preparando para falhar".

Matthias R. Reinold
Mestre cervejeiro diplomado (Diplom-Braumeister – V.L.B – T.U. Berlin)
www.cervesia.com.br

Métodos mais utilizados para efetuar o dry hopping da cervejaMatthias R. ReinoldO dry hopping é uma técnica de adição de...
22/09/2023

Métodos mais utilizados para efetuar o dry hopping da cerveja

Matthias R. Reinold

O dry hopping é uma técnica de adição de lúpulo à cerveja que traz diferentes aromas e sabores. O dry hopping surgiu inicialmente na Inglaterra, entre os séculos XVIII e XIX e consistia basicamente em adicionar lúpulo nos barris de madeira onde a cerveja era armazenada e transportada.

Há vários métodos disponíveis para efetuar o dry hopping na cerveja. O mais simples, que ainda é muito utilizado, é a colocação de um s**o em tecido perfurado (“hop bag”) para uso com pellets (ou flores) de lúpulo, dentro da cerveja. Existe também a opção de um “hop bag” em aço inox, que permite fácil limpeza.

Outro método é o uso de “bazuca”, que consiste em um tubo de inox (com conexões em ambas as extremidades, válvula de bloqueio e bico de injeção de gás carbônico) onde o lúpulo é inserido. Esse tubo é conectado na parte superior do tanque fermentador / maturador (TFM) e o lúpulo é injetado para dentro do tanque.
A transferência entre tanques também é um método que pode ser utilizado, porém apresenta uma série de desvantagens (consumo elevado de gás carbônico, utilização de mais um tanque no processo, perdas elevadas de cerveja por causa das drenagens – purgas etc.) e faz com que o seu uso não seja recomendado.

Os sistemas dinâmicos, como um tanque externo para dissolução e dosagem do lúpulo através de bomba centrífuga também são utilizados, porém necessitam de bomba adequada para evitar a formação de camadas no tanque e/ou incorporação de oxigênio durante o processo de circulação. Também apresentam perdas de cerveja mais elevadas devido às purgas.

Outro modelo de sistema dinâmico é aquele onde o lúpulo f**a retido em um cesto perfurado (revestido de tela) dentro de um reservatório (pressurizado) e a cerveja circula através dele, o que permite um melhor aproveitamento do lúpulo, permitindo utilizar quantidades bem menores. Também o tempo de contato é reduzido de dias para poucas horas.

Dry hopping dinâmico (DHD)

Ultimamente um novo sistema de dosagem tem sido utilizado, onde o lúpulo é dosado em um recipiente cilíndrico em aço inox, com um elemento filtrante no centro (“vela”) e entradas tangenciais. O lúpulo f**a retido no elemento filtrante, fazendo com que a cerveja circule entre o tanque de cerveja (TFM) e o sistema de dry hopping.

O sistema de dry hopping dinâmico (DHD) serve para dissolver pellets de lúpulo em cerveja e seu uso leva a uma maior consistência nos resultados e garante um contato intenso da cerveja com o lúpulo.

Isso resulta em um dry hopping mais econômico, o que também implica em redução de custos. Além disso, sua cerveja atinge um corpo de lúpulo mais agradável e suave.

Benefícios:

- O tempo de circulação necessário depende da intensidade do aroma desejado e do tipo de lúpulo e pode variar entre 4 horas e 12 horas. Solubilização rápida e eficiente do aroma e óleos etéreos do lúpulo em comparação com o método convencional: no máximo 12 horas contra 4 a 5 dias;
- Otimização da dissolução do aroma através da entrada tangencial da tubulação e controle de fluxo;
- Menor extração de amargor e polifenóis em relação aos aromas extraídos
- Praticamente zero perda de cerveja;
- Um elemento filtrante integrado retém as partículas de lúpulo e simplif**a a limpeza dos tanques de fermentação/maturação.
- Sistema totalmente construído em aço inoxidável 304, equipado com bomba centrífuga sanitária com variação de frequência, controle de pressão por manômetro, válvula de segurança e entrada de CO2. A limpeza do sistema é por CIP (spray ball).
- A operação é simples e fácil - o sistema DHD pode ser integrado de forma flexível a uma adega existente.
- Outros aditivos como especiarias e frutas também podem ser dosados. Não há oxidação do produto, os tanques são mantidos sob pressão de CO2. O equipamento pode ser utilizado tanto para dry hopping como para hop back.
- Economia de lúpulo: dosagens padrão entre 200 g/hl e 400 g/hl.

Matthias R. Reinold – Mestre cervejeiro Diplomado (V.L.B – T.U.B Berlin)

cervejeira cervejeiro diplomado hopping dinamico pela qualidade

Endereço

São Paulo, SP

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 08:00 - 17:00
Terça-feira 08:00 - 17:00
Quarta-feira 08:00 - 17:00
Quinta-feira 08:00 - 17:00
Sexta-feira 08:00 - 17:00

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Cervesia posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Negócio

Envie uma mensagem para Cervesia:

Compartilhar