Nessa perspectiva, é possível que homens e mulheres que se posicionam heteroeroticamente passem a incorporar (ou já estejam incorporando) o conceito de barebacking ou a criar novas categorias para focalizar o s**o sem ca*****ha em seu cotidiano, produzindo-se, também, uma multiplicidade de sentidos. Nessa direção, a própria internet tem possibilitado a troca de experiência entre pessoas com trajet
órias culturais e biografias diversas, mobilizando a capacidade criativa de seus atores. Assim, é preciso reconhecer a existência do s**o sem ca*****ha, discuti-lo abertamente, considerá-lo como uma dimensão possível (e legítima) das experiências eróticas, bem como compreender os distintos interesses e sensações, as estratégias para não usar o pr********vo e os significados produzidos em torno das práticas se***is desprotegidas. Para além de uma perspectiva moralizante, no sentido de atribuir e fixar valores como certo ou errado, bom ou mal, é preciso dialogar com essas práticas e discursos que fazem parte de cotidianos diversos, inclusive para entender (e admitir) os limites, dificuldades e outros prazeres vividos por atores concretos no momento em que surge a (não) necessidade do s**o seguro, bem como desenvolver ações ou programas que sejam pertinentes ao mundo da vida. Por outro lado, é importante reconhecer que as relações eróticas na contemporaneidade adquirem características de consumo (Bauman, 1998b), quando as pessoas buscam colecionar sensações novas, considerando a infinidade de estímulos disponíveis através de meios e canais diversos. Nesse cenário, o prazer deve ser usado e substituído sempre que perder sua novidade (Bauman, 2004). Vivemos um tempo promissor em vários sentidos, inclusive por imaginar realidades psicológicas menos rígidas, sufocantes, no sentido de serem mais permissivas e transicionais (Costa, 2004). Entretanto, a tão almejada felicidade sensorial também não é (definitivamente) alcançada, já que precisa ser sempre renovada, podendo gerar mais ansiedade e frustração. Ao mesmo tempo em que é importante reconhecer a liberdade criativa das pessoas, inclusive para que possam mobilizar formas e espaços alternativos de produção de novos prazeres (e desejos), no sentido de recriar o gosto pela vida, devemos, também, problematizar a fragilidade do tempo atual em relação aos modelos e referências importantes para a construção de projetos comuns ou mais coletivos.