26/02/2021
O que vc quer ser quando crescer no mundo das StartUps? Unicórnio, Camelo, Dragão, Zebra, Coelho, Barata?
Em 2013, o termo ‘unicórnio’ foi introduzido no vocabulário empresarial pela autora Aileen Lee para se referir a startups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais. Segundo ela, os primeiros unicórnios surgiram na década de 1990, com o Google. Já nos anos 2000, nasceram muitos outros, sendo o Facebook o maior de todos eles. Ambas as bigtechs, porém, não fazem mais parte dessa categoria, pois já se lançaram no mercado de ações através de IPOs. Algumas das características dos unicórnios são: 1. alto grau de inovação; 2. forte presença nas redes sociais; 3. investimento pesado em tecnologia; 4. aquisição de outras empresas; 5. total atenção ao cliente antes e depois da venda do produto/serviço.
Acontece que, ao contrário do que imaginávamos, o status de unicórnio nem sempre é o grande objetivo de uma startup. É o caso da Neon Pagamentos, fintech fundada em 2014 e hoje uma das principais candidatas ao título no Brasil. Para o fundador e atual CEO da Neon, Pedro Conrade, o propósito da empresa é levar inclusão e serviços financeiros para um público mal atendido e frequentemente esquecido pelos grandes bancos. Assim, Conrade dá muito mais valor à trajetória da startup e sua capacidade de engajar clientes do que o próprio valuation bilionário em si. Ele ainda ressalta que continuará trabalhando para que as pessoas possam conquistar poder sobre suas vidas financeiras, independentemente do valor de mercado do negócio.
De fato, nem só de unicórnios vive a terminologia das startups bilionárias mundo afora. Outro animal que resolveu dar as caras no universo corporativo é o camelo, palavra usada para definir empresas que têm a sustentabilidade e a sobrevivência como principal enfoque. Diferentemente das empresas unicórnios, que atravessam fases de crescimento exponencial, mas muitas vezes insustentável no longo prazo, as camelos encaram uma jornada de desenvolvimento mais segura, mantendo-se estáveis mesmo em momentos de crise no mercado. Outro aspecto desse tipo de empreendimento é que o investimento só é adotado em caso de necessidade, para evitar correr grandes riscos e ter controle maior sobre o negócio. Quem gosta de ressaltar que prefere se enquadrar nesta categoria do que na de unicórnios (ainda que seja um) é a VTEX, gigante de softwares que, depois de 21 anos de mercado, recebeu o famigerado valuation de US$1 bilhão.
Já o C6 Bank, por exemplo, seguiu um caminho um tanto divergente para captar financiamento: uma operação de renda fixa vendida a aproximadamente 40 clientes privados, que terão retorno de acordo com o valuation estipulado no IPO da fintech (que deve sair ainda este ano). Quando o banco anunciou, em dezembro de 2020, que havia levantado R$ 1,3 bilhão em uma rodada estruturada pelo Credit Suisse e que seu valor de mercado alcançava a marca dos R$ 11,3 bilhões, muitos se perguntaram se a fintech poderia ou não ser considerada um unicórnio, nos mesmos moldes de Nubank ou Creditas. Na nossa avaliação, esse status é aberto à interpretação, uma vez que a empresa vendeu ações ordinárias. Se, no futuro, o valor de mercado indicado em seu IPO se confirmar, a fintech se tornaria um IPOgrifo, categoria criada pelo Distrito para indicar empresas de capital aberto com valor de mercado bilionário.
"Por fim, os dragões e as zebras. Ainda mais raros e agressivos do que os unicórnios, os negócios do primeiro tipo são os que arrecadaram mais de um bilhão de dólares de uma vez só. Enquanto isso, o termo zebra nasceu da crítica de alguns especialistas à atual estrutura de tecnologia e capital de risco, que, segundo eles, priorizam o lucro em detrimento da sociedade. As zebras seriam um ‘contraponto’ aos unicórnios, produzindo ganhos de forma gradual e em conjunto com outras startups, através de uma forte produção coletiva. Nesse mundo de inovações sem-fim, vão aparecendo cada vez mais expressões para dar conta de tantas transformações e mudanças: existem até startups ‘coelho’ e ‘barata’, por sinal, mas essa tendência a gente deixa pra outra hora." -- DISTRITO / FINTECHS