19/10/2022
De que me adianta ter muita imaginação, grandes pretensões, ter grandes e longos desejos se meus braços e pernas são muito estreitos e acanhadamente pequenos na proporção do tamanho dessas minhas aspirações?
De que me adianta ter muitos sonhos, ideais, me matar de trabalhar vez que quanto mais eu quero, mais corro parece que as coisas ficam cada vez mais distantes?
O que está acontecendo comigo, porque as coisas estão se passando dessa forma para mim, porque a sorte não bate alguma vez na minha porta?
Quantos questionamentos, quantos porquês, quanto desanimo, quanta desesperança!
Porque será que esses substantivos me atomentam, me desequilibram e me desnorteiam com insistência?
Espera aí, em meio a tantas indagações, comecei a perceber que apenas estou regurgitando afirmações infelizes e negativas, sem me atinar dos porquês, reclamo sem a percepção do nexo causal, caramba agora estou me dando conta e percebendo que estou transitando numa estrada de mão dupla, pensando e tendo a sensação que essa estrada é de mão única.
É melhor eu dar uma parada no acostamento para respirar, pensar, reorientar e retomar a viagem com segurança, consciencioso e equilibradamente para evitar acidentes.
Esse pertinente time (taime) começou a aguçar minha curuosidade de buscar respostas!
Então, de repente, comecei a perceber que existe uma lacuna entre as causas e os efeitos das minhas ilações, e que, sem preencher essa lacuna com lógica, razão e concretude, não vou encontrar minhas respostas.
Muito se foca, se repete e oraliza com certa assiduidade popular, as palavras substantivas, causa e efeito, todavia, incomumente não nos atemos em analisar o que há entre elas e os porquês desse miolo.
Contudo, é nele que se encontram as respostas para nossas dúvidas, nossos questionamentos, ignorância sobre nossa existência com suas consequências.
Não é o caso de sorte ou azar, não é caso de milagres nem de privilégios, apenas fé raciocinada com foco em agirmos de acordo com a moral Cristã, não do Cristo pintado e multifacetado por diversos credos ou religiões onde cada qual pinta e borda com sua imaginação de suposição, mas o verdadeiro Cristo interior, àquele que nos coloca desnudos para encararmos a razão frente a frente, àquela razão onde ninguém em sã consciência é capaz de contestá-la ou encontrar argumentos para debates, àquela que é insofismável.
E nesse diapasão compassado, começam a aflorar as raizes de nossas atitudes, algumas com sensação de alegria, liberdade, entusiasmo, prazer e sublime bem estar onde não existe o medo e o remorso, já outras, confusas causando incômodo, desconforto e um mal estar meio nebuloso e ofegante de insegurança e temor, uma inquietação surreal difusa.
Porquê? Onde está então o norte do fiel da balança?
Entre apenas duas palavrinhas: Bem e mau, mau com "u" mesmo, de perversidade, moralmente condenável,
e a percepção dos conceitos entre bem e mau, embora podendo ser variáveis de acordo com culturas e etnias diferentes, todavia, na raiz, na essência são invariáveis, pois em qualquer cultura ou etnia sempre existirá o bem, o mau, ou mal, o certo e o errado, de acordo e conforme os conceitos padrões adotados por cada grupo social, seja de que espécie for.
E, o que dá vida e diferencia esses sentimentos, o que é enfim esse fiel da balança?
Podemos chamar de Deus, de Jeová, Alá, Javé, Arquiteto do universo, vez que o nome pode ser variável ante nossa limitação cognitiva sobre ele, mas o fiel da balança continuará a ser apenas um.
Notamos essa energia cósmica universal, no gosto, no cheiro, nas cores, nas formas, no tato, na audição, no paladar, na visão, enfim, em toda natureza até onde nossos sentidos conseguem alcançar e perceber.
Ainda que não consigamos identifica-la e reconhecê-la com segurança e certeza quanto à sua forma, o que seria um contra senso insano de se admitir, podemos senti-la através de nossa constituição energética, e como energia, traz em si as emanações das centelhas, da descarga elétrica, fluido vital para a nossa constituição interior e exterior, a qual, em contato com este ambiente terrestre, se ramifica, transforma e se torna o nosso libelo comportamental, convertendo-se em um regramento natural do sermos, existirmos e agirmos, tendo por convergência avaliatória de resultados, o nosso proceder.
Tal conjuntura vai balizar nossa conduta ética e moral, que tem por elementos constitutivos ciência, religião e filosofia.
Esse tripé por sua vez, se tornará nossa seara, nossa esplêndida horta, pomar, na qual lançaremos nossas sementes e colheremos nossos frutos.
A ética e a moral serão as sementes que darão nossos frutos viçosos, os desvirtuamentos, serão as sementes bizarras e mal formadas, o joio descartável, antipático e imprestável.
Reportando-nos ao tripé ciência, religião e filosofia, dele se extrai um componente transcendente chamado livre arbítrio, livre escolha, azo para o plantio deliberado da boa ou má semente, e, por dedução lógica, a semeadura é livre, mas a colheita, indiscutivelmente será obrigatória.
Se assim é, se faz por oportuno e pertinente, agora com um basilar conteúdo, se trazer a comento interpretativo, os questionamentos iniciais, as dúvidas, e os porquês dos reveses, dos atrasos, das desilusões, dos medos e de nossas aflições na vida.
Portanto, a solução não é se lastimar, reclamar e cruzar os braços, pois àquele que vai a luta e colabora com o tempo, sempre estará muito longe e muito próspero que jamais será alcançado pelo indolente, invejoso, ciumento e covarde.
Shakespeare, de forma poética e filosofando dentro de suas ilações, disse "que há mais mistérios entre o céu e a terra do que jamais poderá pressupor nossas vãs filosofias", entretanto, data máxima vênia, com apoio no meu discernimento, ouso discordar em parte desse entender e pensamento, por conta deste meu humilde ensaio de exercício de reflexão que me convence em buscar o conhecimento de "O QUE É DEUS" e não " Quem é Deus".
A sabedoria está na construção da harmonia, amor, verdade e justiça.