26/04/2026
Antes de existirem modelos formais, a fraude era tratada como um problema de caráter individual — alguém simplesmente era "desonesto". Pesquisadores passaram a perceber, no entanto, que o comportamento fraudulento segue padrões identificáveis, e que compreender esses padrões é fundamental para preveni-los.
Três modelos se destacam como os mais influentes nesse campo:
1. Triângulo da Fraude — Donald R. Cressey (anos 1940)
Pressão (ou motivação): existe uma necessidade percebida que a pessoa não consegue ou não quer compartilhar publicamente. Pode ser uma dívida, vício, ambição desmedida ou medo de fracasso.
Oportunidade: existe uma brecha no sistema — controles ausentes, excesso de confiança, ausência de supervisão — que torna o ato possível e, na percepção do fraudador, de baixo risco.
Racionalização: a pessoa encontra uma justificativa moral para si mesma. "Eu mereço esse dinheiro", "vou devolver depois", "a empresa nunca vai sentir falta". Sem essa autojustificativa, o ato conflita demais com a autoimagem do indivíduo.
2. Diamante da Fraude — Wolfe & Hermanson (2004)
Eles propuseram um quarto elemento: Capacidade. Não basta querer e ter a chance; a pessoa precisa ter a habilidade técnica, o acesso, a posição hierárquica e a inteligência situacional para executar o esquema e mantê-lo encoberto.
Isso explica por que fraudes sofisticadas tendem a ser cometidas por pessoas em posições de autoridade, com conhecimento interno profundo dos sistemas de controle. O Diamante passou a ter importância prática para o recrutamento e avaliação de riscos em posições sensíveis.
3. Pentágono da Fraude — Renato Almeida dos Santos (2016)
O modelo mais recente parte de uma crítica às abordagens anteriores: elas tratam o fraudador como um ser racional que calcula riscos e benefícios, mas ignoram dimensões psicológicas mais profundas.
Disposição ao Risco — a propensão individual a aceitar riscos elevados em troca de ganhos, muitas vezes ligada a traços de personalidade como impulsividade, agressividade e baixa aversão a consequências.
— CICEM | Centro de Investigação do Comportamento das Emoções
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Uma nova forma de sentir.