18/03/2024
No contexto de minha pesquisa de doutorado na ECA-USP sobre a colaboração entre coletivos e ocupação Prestes Maia, realizei uma entrevista com Gavin Adams, publicada na em dezembro de 2023, 20 anos depois da primeira exposição ACMSTC (Arte e cultura no Movimento Sem Teto do Centro) que marcou o início dessa colaboração. A entrevista a Adams – um dos participantes ativos e crítico de aspectos da colaboração, sobre a qual escreveu diversos textos à época – traz reflexões atualizadas sobre arte, cultura, trabalho, precarização, organização política, gentrificação e cidade, tendo como foco a colaboração entre artistas, coletivos, participantes em geral, moradores da ocupação e MSTC (2003-2007).
Também gostaria de agradecer Mariana Cavalcante pela ajuda que me deu na revisão, checagem e inclusão de uma série de informações e detalhes que estavam imprecisos, errados, ou faltando mesmo no texto introdutório da entrevista. foi uma das participantes mais envolvidas com o Integração Sem Posse, a ocupação Prestes Maia, e o próprio MSTC (Movimento Sem Teto do Centro) entre 2003 e 2007. O blogue do Integração Sem Posse ficava hospedado no UOL e foi mantido, escrito e atualizado principalmente por ela naquela época, e hoje está fora do ar.
Penso que a memória de uma longa experiência de luta e experimentação intensa – pela qual também fui atravessada frequentando a ocupação Prestes Maia aos sábados nos anos 2000 – e que transformou uma série de pessoas, suas práticas e entendimentos do mundo, precisa ser mantida, renovada e atualizada.
Acho importante repensarmos as questões, os problemas, entender o que foi potente e o que não foi, mas principalmente manter esse aprendizado vivo, pois sabemos que nas próximas décadas vai ser muito importante reunir lutas, grupos, rearticular diferentes movimentos, criar cada vez mais proximidade entre muita gente que pensa diferente em vários aspectos mas que concorda nas coisas mais importantes, na necessidade da luta e ação conjunta para a construção e manutenção de outras formas de vida, de trabalho, de convívio, de moradia, de relação com a terra, de relações entre as pessoas – para muito além dessas que estão dadas.
Nesse sentido, o Prestes Maia foi um grande aprendizado e uma reunião de uma quantidade enorme de pessoas que pensavam de maneiras muito diferentes e que conseguiram conviver num processo longo, tenso, mas também muito frutífero e vivo, com momentos de intensa tristeza e intensa alegria, do qual não se pode extrair uma síntese única, na minha perspectiva.
Venho entrevistando uma série de pessoas, não só para que essas memórias não se percam – e muita coisa está se perdendo, muitas pessoas já não estão mais conosco, muitas já não se lembram de processos importantes –, mas também porque percebo que esses aprendizados e reflexões são úteis para o momento presente e para as lutas que precisaremos encampar de agora em diante, no Brasil e no mundo.