17/08/2024
Silvio Santos, um arrebatador de sonhos
Um grande brasileiro. Apesar da origem humilde e da trajetória construída com muito trabalho – de camelô a empresário – Silvio Santos, filho de imigrantes, é daquelas pessoas que estreiam na vida e que tiveram a determinação, a força e a coragem de seguir seu desejo. Queria ser comunicador e o fez com maestria e sensibilidade. Uma mistura de inteligência, talento, carisma e sensibilidade explicam criações, programas e expressões que são parte do entendimento do que é a televisão brasileira e o do que é ser brasileiro.
O programa Silvio Santos nasceu em 1961, na TV Paulista que posteriormente passou a ser da Globo. Com 8h de programação, marcou a televisão brasileira, pela singularidade das abordagens, descontração e improviso. Um espelho da nossa realidade. Em 1976 ganhou a primeira concessão de TV e em 1981 abriu o SBT – Sistema Brasileiro de Televisão, concretizando mais um sonho, ser dono de um canal de televisão. Muitos foram os programas criados, talvez um dos mais expressivos da nossa condição precária tenha sido “Portas da Esperança”, um caminho possível de concretização dos nossos quereres, pela simples possibilidade de ter um eletrodoméstico, um brinquedo ou a tão sonhada casa própria. Outro na mesma linha, mas ainda mais potente, “Quem quer dinheiro?”, a expressão simbólica de condição social privilegiada e de poder, transformava dinheiro em veículo – aviãozinho – da potencial autonomia e liberdade desejada pelos excluídos, mas esperançosos. Sabia como ninguém os valores, as importâncias e os quereres do brasileiro “É namoro ou amizade? ”. Brilhou por décadas quando o politicamente correto não existia, dando espaço para diversidade de corpos e comportamentos, como na composição do time de jurados do seu programa “Show de Calouros” realizado por décadas: Rogéria, Elke Maravilha, Sergio Malandro, Aracy de Almeida, Sonia Lima, Flôr, Nelson Rubens, Décio Piccinini, Wagner Montes, Mara Maravilha, Leão Lobo, Pedro de Lara (que comandara nos anos 70 um programa na rádio de Silvio Santos, onde interpretava os sonhos dos ouvintes). Inesquecíveis são também Pablo, intérprete e dublador psicodélico do programa “Qual é a música?”, Lombardi, locutor emblemático e Russo, seu eterno assistente de palco. Ousado e visionário, trouxe uma criança de 5 anos para ser apresentadora de um programa ao vivo, a talentosa Maysa que hoje atesta “O Silvio deu asas pro meu sonho”.
Desdenhava dos parâmetros estéticos elitistas, ao mesmo tempo que exaltava a autenticidade barroca presente nas expressões de seu amado auditório e de seus fãs. Era reflexo e refletor de cada um de nós. Literalmente era parte da nossa família ao entrar em nossas casas aos domingos pelas telas da TV e tomar parte desse tempo-espaço de imenso afeto e partilha, daí sua imensa proximidade.
Agora é hora de alegria, de tributo e do reavivar a memória, porque Silvio Santos permanece em nós, símbolo vivo de que o sonho e sua realização compensam.