06/10/2026
A inadimplência do consumidor pessoa física em operações de crédito bancário, tema que dominou a campanha eleitoral neste ano, bateu novo recorde em agosto, segundo o Banco Central (BC).
A taxa que representa o atraso nos pagamentos superior a 90 dias subiu para 8% em agosto no crédito com recursos livres, modalidade que tem taxas livremente pactuadas pelo mercado, ante 7,8% em julho, até então o maior patamar.
Como um todo, a inadimplência do consumidor saltou de 5,8% para 6% de julho para agosto, também recorde.
Os números mostram que, mesmo com o recente ciclo de cortes na Selic, a taxa média de juros da economia interrompeu uma sequência de três meses de queda e subiu 0,2 ponto percentual em agosto, para 32,3% ao ano — um reflexo do crescimento de linhas mais arriscadas, como rotativo dos cartões de crédito e parcelamentos do cartão.
O crescimento da inadimplência e dos juros cobrados acontece em um momento em que o governo federal, às vésperas da eleição presidencial, lança uma terceira edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas dos consumidores. O Desenrola Brasil 3.0 prevê a aquisição e a reestruturação de dívidas com atraso entre dois e quatro anos e meio.
Duas outras edições já tinham sido lançadas desde 2023. O foco agora será nas dívidas de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha de até R$ 10 mil.
A estimativa é que até 15 milhões de pessoas poderão ser beneficiadas, renegociando até R$ 150 bilhões em dívidas.
A composição dos dados revela que os brasileiros têm recorrido a modalidades mais caras e emergenciais de empréstimos.
O caso mais alarmante é do rotativo do cartão, quando a pessoa não faz o pagamento integral da fatura.
Entre as operações com recursos livres para pessoa física, o estoque de crédito do rotativo do cartão foi o que mais subiu em agosto contra julho, com alta de 4,8%.
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