02/12/2014
PERSPECTIVAS
O volume de crédito oferecido pelo governo e a recente queda nos preços das commodities devem colocar um teto para o número de novos pedidos de silos e armazéns, que a partir de 2016 deverão ficar dentro do patamar de 2015.
Pela primeira vez em vários anos, produtores rurais brasileiros enfrentam na atual safra 2014/15 margens de lucro mais apertadas, devido à queda nos preços da soja e do milho em meio a safras recordes no Brasil e nos Estados Unidos.
"O preço das commodities caiu drasticamente e isso afeta a decisão de investimento do produtor. Isso eleva o nível de alavancagem... Pode afetar a capacidade dele de tomar novos empréstimos", disse o diretor vice-presidente e de Relações com Investidores da Kepler Weber, Olivier Colas, da maior fabricante de silos do Brasil.
Entre a decisão de investimento, assinatura de contrato, obtenção de financiamento, obras civis, instalação e entrada dos equipamentos em operação, o prazo pode chegar a um ano e meio, segundo estimativas do mercado. Uma retração no ânimo dos agricultores ao fim de 2014, portanto, pode impactar o número de armazéns entregues em 2016.
Os armazéns entregues em 2016, segundo Carlos Cogo, devem ficar perto de uma capacidade de 13 milhões de toneladas, com o total instalado no país subindo para 173 milhões de toneladas.
"O ano que o produtor vai escolher para não tomar uma decisão é 2015. Ele passou cinco anos de 'vacas gordas' e vê as margens caindo bastante", disse Cogo. "Embora seja um investimento que dura 30 anos e que se paga em até 15... é uma barreira psicológica."
Os especialistas destacam que os investimentos em armazenagem nos próximos anos serão equivalentes aos recursos oferecidos pelo governo, que deverão se manter estáveis na casa de 5 bilhões de reais anuais. Serão raros os casos em que um produtor ou uma empresa contratará nova armazenagem a juros de mercado, fora das linhas de crédito subsidiado.
"Na melhor das hipóteses, os pedidos vão ficar estáveis", disse Colas. "Vai continuar patamar alto de negócios, mas não vejo crescimento."