28/06/2024
Amor que não se pede e a dor que não se mede.
Como que vou explicar pro meu filho as dores da alma?
Como vou fazer ele entender que existem dores tão profundas e singulares que nos levam para outro planeta, outra dimensão, onde nada faz sentido a não ser aquela dor. Onde aquela dor é a única realidade que se conhece e nada mais faz sentido. Se é difícil pra gente entender imagina pra ele.
Dá medo perceber que ele só vai entender quando doer e que não existe nada que eu possa fazer. Nem todo o amor do mundo é capaz de desfazer o quebrado que tem dentro de cada um. O vazio da existência quando nos damos conta que nossa realidade é o estar sozinho.
Eu arriscaria dizer que somente a empatia é capaz de amenizar ou fazer com que se esqueça, pelo menos por um tempo, uma dor com ou sem medida. A empatia que nos faz olhar para o outro e pensar que se eu pudesse tomaria um pouco pra mim dessa dor. A empatia que é uma forma pequena de amor que pode ser demonstrada até por um desconhecido, imagina então a força de direcioná-la a quem gostamos.
Só que a empatia tem que ser gratuita. Não pode ser pedida, não pode ser comprada nem emprestada. A empatia depende de uma força do outro, de um movimento que coloque uma pessoa com a alma no lugar da outra formando assim um elo de bondade.
A dor é um mal que não tem medida pra quem sente. Não é besteira, não tem idade e não tem comparação com outras.
Empatia é uma forma de amor, um remédio que pode até não salvar, mas ajuda.
Tua dor é minha dor. Você não está sozinho!