26/02/2022
O vice-prefeito Major Osvaldo Rocco (PSD) recebeu o diretor da Tribuna Valinhense, Reinaldo Marangoni, em sua sala com a cortesia e simplicidade que lhe é peculiar. Desde logo se desculpou pela recepção, por não dispor de secretária ou assessores em seu Gabinete. “Pudemos de pronto perceber que sua sala é bem simples e pequena, sem telefone e sem computador, mas a recepção foi excelente e ele se pôs a responder com muita calma e tranquilidade as perguntas a seguir”, disse Reinaldo.
Tribuna Valinhense: Em 13 de janeiro, você anunciou a saída do governo. De lá pra cá, como tem mantido sua rotina em prol de exercer sua função como vice-prefeito?
Major Rocco: Oportuno esclarecer que não houve renúncia ao cargo de vice-prefeito. Mantenho minha rotina de trabalho todos os dias como tenho feito desde a posse em 1º de janeiro de 2021.
Tribuna: Você costumava fazer a ponte entre a comunidade e o poder público. Isso continua a ser feito?
Major Rocco: Recebo em meu Gabinete munícipes que necessitam de atenção do poder público, servidores públicos, empresários, empreendedores, membros de Organizações Sociais e entidades assistenciais e dou encaminhamento às suas reivindicações aos diversos setores da Prefeitura, em especial aos secretários. Continuo a fazer o que sempre fiz e gosto de fazer, que é atender pessoas.
Tribuna: Vimos que você continua trabalhando firme e forte. Explique melhor sobre a questão do subsídio que recebe?
Major Rocco: Agradeço pela pergunta, pois é uma oportunidade de esclarecimentos à população. Anunciei em 13 de janeiro deste ano o meu afastamento da gestão e não renúncia ao cargo e muito menos a descontinuidade das minhas obrigações como vice-prefeito. Tanto é verdade que continuo a trabalhar normalmente e diariamente. Como sabem, tanto os prefeitos como vice-prefeitos não recebem salários e sim subsídios.
Tribuna: Você disse que valores como lealdade, respeito e transparência são palavras que não abre mão. Você viu que esses valores estavam sendo ameaçados?
Major Rocco: Na medida em que, como vice-prefeito, presidente do mesmo partido da chefe do Executivo, membro do grupo político que trabalhou arduamente pela sua eleição, deixei de ser chamado a participar do planejamento e tomadas de decisões importantes para nossa cidade. Sim, ao meu ver houve a ausência desses valores citados.
Tribuna: Como sua saída do governo foi vista pelo partido?
Major Rocco: Sou presidente do PSD Valinhos, tendo como vice-presidente o vereador Thiago Samasso. A minha decisão de afastamento da gestão atual e a dos vereadores André Amaral e Thiago Samasso, declarando independência, foram comunicadas aos membros da Executiva Municipal não tendo havido nenhuma desaprovação das atitudes tomadas. Importante lembrar que o PSD Valinhos tem tido pouca participação no governo.
Tribuna: E as dificuldades de gestão enfrentadas por Valinhos, como avalia?
Major Rocco: Não podemos esquecer que o ano de 2021 foi muito difícil para a gestão, não só de Valinhos, como de todos os municípios do país em decorrência da pandemia. Cabe lembrar que em Valinhos tivemos, por decisões judiciais, a queda da estrutura administrativa e redução dos subsídios da Chefe do Executivo e Secretários. Acredito que, com a nova estrutura administrativa e a escolha de profissionais capacitados, a gestão atual terá a oportunidade de corrigir rumos e redirecionar ações efetivas de governança, podendo assim elevar Valinhos a um patamar desejável de desenvolvimento e de bem estar à população. Torço, trabalho e permaneço sempre disposto a ajudar a melhorar nossa cidade.
Tribuna: Você tem sido um dos maiores defensores das metas estipuladas em campanha. Como está a aplicação do Plano de Governo?
Major Rocco: O Plano de Governo foi elaborado com a colaboração de muitos, sou um deles. Defendo o Plano, pois tenho convicção de que estabelece diretrizes bem definidas para um planejamento de desenvolvimento sustentável e eficiente para nossa cidade. Algumas diretrizes foram cumpridas, outras ainda precisam ser implementadas. A pandemia certamente prejudicou a execução de muitas delas, por isso acredito que o governo possa executá-las com mais rapidez a partir deste ano. A cidade pode contar comigo para ajudar na execução plena do Plano de Governo, além de muitas outras ações.
Tribuna: Sobre a compra dos R$ 14 milhões em materiais paradidáticos para a Educação, sem licitação, você participou de alguma forma desse processo?
Major Rocco: Como mencionei em minha carta aberta à população de Valinhos, um dos motivos do meu afastamento da gestão foi por não ser chamado a ajudar no planejamento e nas tomadas de decisões importantes para a nossa cidade, esse caso é um deles.