14/05/2013
Primeiro-ministro italiano quer alterar lei eleitoral
O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, afirmou esta segunda-feira que a prioridade nos primeiros 100 dias do governo será mudar a lei eleitoral, para evitar novas eleições sob o sistema existente.
O Partido PD de Bersani, Lider do Partido Democratico, ganhou mais não levou.
O atual Governo e transitório, interino e outra eleição poderá ocorrer a qualquer momento nos próximos 100 dias.
"É preciso dar segurança à lei eleitoral, porque assim [como está] não se pode voltar a votar", disse Letta, na conferência de imprensa após a reunião do executivo numa abadia da Toscânia (centro de Itália).
Para Letta, é urgente "realizar alterações à lei eleitoral (enquanto se estuda outro sistema) para criar uma rede de protecção e não ter medo caso aconteça a possibilidade de voltar a votar com esta lei", de acordo com a agência noticiosa espanhola EFE.
O actual sistema eleitoral - diferente para a Câmara dos Deputados e para o Senado - e a fragmentação do voto são considerados os principais motivos para o Partido Democrata (PD) não ter conseguido formar governo, depois das eleições de 24 e 25 de Fevereiro.
Nesta situação, o presidente italiano, Giorgio Napolitano, encarregou Letta de formar um governo de coligação como o Povo da Liberdade (PDL) de Silvio Berlusconi e com a Eleição Cívica de Mario Monti.
O primeiro-ministro italiano, que reuniu todos os ministros, no domingo, na abadia de Spineto della Luce, na localidade de Sorteano, confirmou ter pedido que se abstenham de intervir em emissões televisivas.
"A decisão que tomamos é a de que os ministros se ocupem do governo através dos seus sectores específicos e se comprometam a deixar de lado temas meramente políticos ou partidários, assim como as campanhas eleitorais para as próximas eleições", explicou Letta.
Esta decisão é necessária "para ultrapassar os problemas que existem (no governo) e que não podem ser resolvidos com uma varinha mágica", disse. Para que um governo tão heterogéneo possa trabalhar são precisas regras, sublinhou.
A proibição de Letta surgiu depois do ministro do Interior e vice-presidente do governo, Angelino Alfano, ter participado, no sábado, na manifestação convocada para Brescia (norte) pelo PDL para defender Berlusconi "da perseguição judicial".
Durante a reunião, Alfano explicou que "não se resolveram problemas que se arrastam há 20 anos" entre as forças políticas, mas o governo saberá resistir.
Além das mudanças na lei eleitoral, outra prioridade será rever a lei de financiamento dos partidos, especialmente depois dos últimos escândalos por apropriação indevida de fundos.
Letta anunciou também a criação de uma comissão de peritos para analisar as reformas constitucionais e cujo trabalho será entregue na próxima comissão parlamentar, criada especialmente para isso.
Explicou que o roteiro para os primeiros 100 dias do governo vai concentrar-se em quatro pontos: a abolição do imposto sobre a primeira habitação, o emprego juvenil, o fisco e a reforma política.
"Há que dar respostas a quem perdeu o emprego", disse Letta e anunciou que no próximo Conselho de ministros vão ser analisadas novas formas de financiar os subsídios de desemprego.