14/02/2026
IKIGAI
Creio que todos saibam que sou nipo-italiano.
Carrego dois mundos como herança e no coração.
De um lado, Suguiyama, minha raiz japonesa, disciplina, silêncio, honra, resiliência.
Do outro, Cinezi: minha veia italiana, intensidade, pessoas, mesa cheia, história viva.
A cultura oriental sempre me convidou a retornar às origens. Há algo nela que me chama para dentro. Para o essencial. Para o propósito.
Acabei de ler Ikigai, de Héctor García e Francesc Miralles. Um livro pequeno, rápido e dinâmico mas com conteúdo interessante e bem embasado em pesquisa (ainda que não profunda ou acadêmica). Ele provoca uma reflexão simples e poderosa: por que você levanta da cama todos os dias?
Em nossas poucas viagens, tivemos a oportunidade de conhecer a comuna de Treviso, da parte italiana da família. Caminhar por ali, respirar aquele ar, imaginar meus antepassados vivendo suas rotinas… foi uma experiência difícil de explicar.
E espero, um dia, descobrir de qual cidade japonesa meu avô Massaru veio para fazer o mesmo. Para pisar naquele solo. Para sentir o vento de lá. Para fechar um ciclo que ainda está aberto dentro de mim.
Há um ditado japonês no livro que sempre me marcou:
“Nanakorobi yaoki.”
“Se cair sete vezes, levante-se oito.”
Talvez seja isso.
Propósito não é algo místico ou grandioso. É constância. É disciplina. É levantar mais uma vez do que se caiu.
No fim, o livro me deixou uma pergunta simples e nada simples ao mesmo tempo:
Você já encontrou o seu ikigai… ou ainda está vivendo no piloto automático?
VaLEO