08/30/2026
Nem toda fome é de comida.
Nem todo desejo é de consumo.
Nem toda necessidade é aquilo que parece ser.
Na psicanálise, podemos olhar para a compulsão não apenas como um comportamento que precisa ser eliminado, mas como algo que tenta dizer o que ainda não encontrou palavras.
Comemos, compramos, bebemos, trabalhamos, buscamos reconhecimento, acumulamos… e, por alguns instantes, sentimos que o vazio diminui.
Mas ele volta.
Porque aquilo que está sendo anestesiado não desaparece. Apenas espera.
Talvez a pergunta não seja apenas:
“Por que eu não consigo parar?”
Mas também:
“O que em mim está pedindo para ser escutado?”
Quando conseguimos olhar para o que existe por trás da repetição, a compulsão deixa de ser apenas um inimigo a ser combatido e pode se tornar uma pista sobre aquilo que ainda precisa ser elaborado.
E talvez seja aí que comece uma mudança de verdade.