06/02/2014
ASSEMBLEIA NACIONAL ENCHE-SE PARA CONVERSAR COM OS PRESIDENTES:
"A Assembleia Nacional encheu-se ao final da tarde desta quarta-feira para ouvir as conversas com os presidentes, num painel enquadrado na Cimeira sobre Inovação em África, que decorre na Cidade da Praia. Num debate de quase duas horas, o Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, o Presidente da República do Ruanda, Paul Kagamé, e o ex-Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, falaram um pouco das experiências inovadoras em cada um dos seus países, traçaram alguns desafios e puseram o foco na educação e capacitação dos recursos humanos como factores essenciais para impulsionar a inovação em África. Mas entendem também que os países devem ser livres e democráticos para enfrentar esse processo.
Num painel aguardado com grande expectativa, o primeiro a usar da palavra foi Jorge Carlos Fonseca. O Chefe de Estado Cabo-verdiano focou-se mais na Agenda Africana de Desenvolvimento pós-2015 para afirmar que a competição nos mercados mundiais requer políticas voltadas para investimentos na educação, na inovação e nas tecnologias.
Assim, o PR entende que a hora é de construção, mas também de agir, pois estamos num mundo cada vez mais aberto. “África precisa de uma linha de pensamento político novo, que não rejeita valores universais da democracia, mas que os utilize para enriquecer o seu processo de desenvolvimento”, prossegue o estadista, que apela aos líderes africanos para promoverem sociedades plurais, abertas ao diálogo e à participação.
“Além dos processos globais de ocidentalização e orientalização, entendo que devemos, enquanto continente, fazer com que se possa falar de uma certa africanização do mundo, no sentido de uma participação por igual da África no contexto mundial. E essa é uma condição muito presente no projecto da Agenda 2063”, considera Jorge Carlos Fonseca.
No fim, e referindo-se à educação, disse que as universidades devem proporcionar o ensino e actividade científica, compreender o que se passa no mundo e adaptar-se às mudanças, responder aos desafios, inovar e realizar reformas necessárias. Também participação no processo de interacção com outras instituições de ensino e empresas.
Kagamé quer políticas certas e práticas
Na mesma linha, o Presidente do Ruanda, Paul Kagamé, disse que é preciso políticas certas para se impulsionar a inovação, fazer coisas diferentes e encontrar soluções para os muitos problemas que se coloquem ao continente.
E essas políticas, além de serem acertadas, diz Kagamé, devem ser centradas nas pessoas. Por outro lado, entende que os países africanos devem aprender uns com os outros, mas também com os países dos outros continentes. Paul Kagamé não terminou sem antes apontar algumas inovações no seu país, que saiu de um genocídio há 20 anos, mas que dão resultados para reduzir a pobreza e aumentar a riqueza das pessoas.
Chissano diz que saberes estão no seio do povo
Joaquim Chissano, o último orador da tarde/noite, recuou mais no tempo para dizer que as inovações em África não são algo novo. E neste sentido, dá como exemplo os esforços de jovens para encetar a luta de libertação e a criação de organizações em Cabo Verde, em Moçambique e em outros países, uma ousadia que começou nos anos 60 e que deu os seus frutos que hoje se conhecem.
Mas também fala em experiências em áreas como pesca e agricultura, que não são levadas muito em conta mas que produzem muito efeito nas comunidades. Por isso, Chissano espera que a cimeira, que termina esta quinta-feira, vira as suas atenções para os pequenos produtores e inovadores, eles é que estão em mais e permanente contacto com o povo.
“Num mundo de globalização e de competição veloz por produtos e por mercados, temos que compreender que, se a África quer ser parte do cenário mundial da economia e comércio, deve encontrar formas para promover a criatividade e estruturar a inovação”, lança Chissano, dizendo que ao pensar na inovação temos de pensar em áreas prioritárias como a agricultura, recursos minerais, energia, água, tecnologias de informação e comunicação, infraestruturas. Isso sem esquecer diálogo entre os diferentes sectores e os Governos."
Fonte: http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article96459&ak=1