19/10/2026
Muitos de vocês me escreveram depois dos acontecimentos deste último sábado em Paris, perguntando como estou e lamentando o que está acontecendo na França.
Eu também lamento profundamente. É uma tristeza enorme ver a destruição, os incêndios, os saques e a violência que acompanham tantas manifestações. E o que mais me entristece é não conseguir enxergar como tudo isso vai parar.
Há poucos dias, visitando uma exposição em Paris, fiquei chocada com uma imagem que, para mim, representa muito da França de hoje.
✨De um lado, um extraordinário vestido de alta-costura Chanel, criado por Karl Lagerfeld para a coleção primavera-verão de 1996. Uma peça feita sob medida, bordada com lantejoulas e fios de ouro pelos ateliês Lesage, que pertenceu à grande colecionadora Mouna Ayoub.
Um vestido que representa criatividade, talento, conhecimento, horas e horas de trabalho artesanal e toda a excelência da alta-costura francesa.
😒Ao lado, um colete amarelo, símbolo de um movimento social que, para mim, também ficou marcado pelas imagens de destruição e violência que tanto fizeram sofrer a França.
Eu sei que um museu também tem a função de documentar a história e os movimentos sociais. Mas, pessoalmente, não concordo com essa escolha de curadoria. 🫣Não consigo olhar para esse colete como uma peça que mereça esse destaque, muito menos ao lado de uma criação que representa tanto do que admiro neste país.
Essa imagem, para mim, é o retrato de uma França dividida.
E me entristece profundamente perceber que, até na maneira de apresentar a nossa história, encontramos visões tão diferentes do que merece ser valorizado.
♥️🇫🇷Amo a França, admiro profundamente tudo o que este país construiu e é justamente por isso que me dói tanto ver o que está acontecendo.